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Troféu Imprensa recupera seu status de credibilidade e quase não decepciona

Aconteceu neste domingo (12), a 57º edição do ‘Troféu Imprensa’. A premiação, apresentada por Silvio Santos, homenageia os melhores profissionais da música, TV e jornalismo de anos anteriores. Com um Silvio Santos debilitado fisicamente foi possível ver pela primeira vez nos últimos anos, uma premiação coerente com a realidade e sem puxa saquismo de quase nenhum dos jurados.

O prêmio a propósito foi bem conduzido e produzido a não ser por uma situação que discorreremos logo mais. Começamos com a votação para melhor apresentadora, onde Eliana foi escolhida por unanimidade entre os críticos de TV.Mais justo impossível. A animadora é de longe o maior nome feminino no ar no Brasil em sua função, e não se vê nenhum pouco ameaçada por nenhuma das ‘novatas’ no ramo. Sendo assim, nesta categoria o prêmio apaga a vergonhosa premiação do ano passado(que mais pareceu um show de puxa-saquismo do Silvio Santos) onde Patrícia Abravanel foi escolhida como melhor apresentadora de 2013. Por falar em Patrícia, a mesma esteve no palco e deu um show de falta de bom senso quando disse em rede nacional que um vestido de 300 dólares era “baratinho”,”baratinho”. A reação do público especializado foi instantânea na internet e a filha de Silvio Santos foi duramente criticada nas redes sociais. Seria bom alguém lembra-la que a grande esmagadora maioria dos brasileiros não contam com isso no mês para sustentar sua família.

Dito isto, a coerência reinou também quando o assunto de tratava de teledramaturgia. Império levou os três prêmios que concorreu, como melhor novela, melhor atriz com Lília Cabral e melhor ator com Alexandre Nero. O destaque aqui fica para as indicações concorrentes dos consagrados atores e aqui talvez fique a maior critica para a premiação. Enquanto em premiações do mundo todo (desde o Oscar até o Prêmio Fifa melhores do ano) o público especializado vota, o troféu imprensa deixa essa responsabilidade com o público geral. É um erro que compromete a credibilidade do prêmio pois gera muitas risadas e deboche do público com algumas indicações. O certo seria selecionar previamente pessoas qualificadas para votar e eximir o público geral de uma responsabilidade tão grande. Até por que quase nunca a vontade do público é respeitada nas três indicações, uma vez que fãs adolescentes fanáticos se unem para indicar seu artista favorito.

O premio de melhor humorístico ficou em boas mãos. A Praça é Nossa é o programa mais consolidado do SBT atualmente e nos faz rir mesmo estando no ar há tanto tempo. Já o melhor apresentador e melhor telejornal ficaram com Willian Bonner e seu tradicional Jornal Nacional. Muito justo pelo que o apresentador e o Jornal apresentaram no ano passado em ano de Copa do Mundo e Eleições importantíssimas. Aqui vale novamente ressaltar o que já foi dito anteriormente sobre as indicações. Ter o Cidade Alerta e Marcelo Rezende indicados para tais categorias é mais um prova que o público geral não deve ser detentor de tamanho poder. E o que mais impressiona é a própria produção do programa não filtrar e descartar essa votação, uma vez que nenhum dos dois se encaixam em suas categorias.

Na votação de melhor comercial de TV a Vivo levou a melhor com muita propriedade. Conseguir fazer o Rubinho rir de si mesmo com uma piada pronta que a população brasileira conhece por completo foi genial e mereceu o prêmio. Na premiação de Melhor cantora, levou Paula Fernandes novamente. Não chego a dizer que foi injusto, mas o argumento de alguns jurados me incomodou bastante. A Paula de fato é mais cantora que Anitta, mas a votação se dá baseada no desempenho do artista em um ano especifico e não na história dele na música, sendo assim, acredito que Anitta merecia bem mais receber o troféu pelo excelente 2014 que teve em sua carreira.

Partindo para o fim, tivemos a votação de melhor apresentador da televisão brasileira. Ai talvez esteja o maior erro do Troféu Imprensa este ano. Silvio Santos que é claramente e abertamente fã de Rodrigo Faro, entregou a apresentação do prêmio a ele. Não seria nada demais, se o mesmo não fosse apresentar a premiação de sua própria categoria. Fail total. O resultado seria diferente? Obviamente não. Para quase 100% da crítica televisiva, Rodrigo Faro sobrou em 2014, a exemplo dos outros 5 anos que vem recebendo o troféu. Rodrigo vinha sendo elogiado a cada oportunidade,durante todo o ano, enquanto seus concorrentes não foram citadas positivamente nenhuma vez, porém esta situação acabou constrangido os jurados e se tornando algo totalmente ridículo para uma premiação que tenta ser séria e imparcial.

Na mesma linha, Silvio Santos colocou Gustavo Lima para apresentar a categoria de melhor cantor e a exemplo de Faro, o mesmo levou o prêmio merecidamente, mas o constrangimento pairou no ar mais uma vez.

Concluindo, na minha opinião, tivemos uma das melhores premiações dos últimos anos, premiando realmente a quem merece e com justiça na visão da maioria dos críticos televisivos. Passou longe do puxa-saquismo do ano passado e isso elevou bastante o nível do programa. O destaque negativo fica para Faro e Gustavo apresentando suas premiações e a ridícula forma de escolha dos indicados. Como já dito, nenhuma grande premiação do mundo se utiliza desse recurso e se o SBT quer que seu prêmio seja reconhecido assim, vai ter que abrir mão disso

Weverthon Dias é formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás e editor do Portal 6.

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