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Confiança dos comerciantes na economia atinge momento mais crítico, aponta CNC

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A avaliação das condições econômicas correntes e o desempenho do comércio no início do ano levaram o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a alcançar novo piso histórico de baixa. O Icec recuou 8,2% em abril, em comparação a março, atingindo 87,2 pontos. De acordo com a pesquisa divulgada hoje (7) pela CNC, é a primeira vez que a percepção das empresas está negativa, há dois meses abaixo da mediana de 100 pontos. Em relação a abril do ano passado, a queda foi 25,1%, mostrando retração pelo oitavo mês seguido.

O resultado do Icec significa que a maioria dos empresários do setor está tendo avaliação predominantemente negativa da economia para os próximos meses. A avaliação deles, em relação ao desempenho econômico do país, indica queda anual de 60,9%. Outro termômetro importante desse comportamento é o item relativo a estoques. A quantidade de empresários com estoques acima do desejado é a maior da série histórica: 28,5%. “Está sobrando estoque”, disse o economista Fabio Bentes, da CNC, lembrando que na mesma época do ano passado só 23% dos empresários acusavam estoques altos.

Fabio Bentes avaliou que é muito simples fazer a analogia da decepção dos empresários do comércio com o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos no país), por exemplo, uma vez que a expectativa atual para o desempenho do PIB é de queda entre 1% e 1,5%, quando há um ano se esperava alta de 1,8% do PIB de 2015. “Houve grande decepção”, enfatizou.

Bentes destacou também que o comércio teve o pior início de ano desde 2003, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “As vendas estão caindo. No primeiro bimestre, a queda atingiu 1,2%, o que não acontecia desde 2003”. Reforçam a redução do faturamento do comércio os dados do Índice de Atividade do Comércio, divulgados hoje pela Serasa Experian (banco de dados que centraliza serviços de bancos e demais entidades financeiras). Eles apontam que o número de consultas feitas à base de dados da entidade, por lojas comerciais, subiu 1,2% no quadrimestre, comparado ao mesmo período de 2014.

O economista da CNC informou que esse é também o pior resultado para o período, desde 2002, quando houve queda de 6,8% nas consultas. No ano passado, as consultas ao Serasa subiram 3,8%. Embora não sejam informações financeiras, Bentes avaliou que os dados servem como termômetro do comércio, e acrescentou que os dois fatores negativos (decepção com o cenário econômico e desempenho da atividade do comércio) “contaminaram o índice de confiança da CNC como um todo”.

Todos os indicadores do Icec estão no seu piso histórico, revelando movimento compatível com o momento atual do varejo, salientou Bentes. Em termos de contratações, pela primeira vez, o Icec não considera uma possível geração de empregos no comércio. Ao contrário, a perspectiva da CNC para este ano é de encolhimento de 1,1% no pessoal ocupado, em comparação a 2014. “Deve fechar mais vagas do que criar, em um ano em que nossa previsão é de crescimento do faturamento, o comércio, próximo de 0%”, segundo ele.

Bentes advertiu que se as coisas não melhorarem já nos próximos meses, a entidade pode vir com uma previsão negativa. As projeções são de que as vendas do comércio crescerão este ano 0,3% para o varejo restrito, apresentando queda de 5,2% para o chamado varejo ampliado, que inclui material de construção e comércio automotivo. “Hoje, o viés que a gente coloca é de baixa”, ressaltou.

A tendência de retração da atividade comercial é confirmada pelo Serviço de Proteção ao Crédito, do Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro. As consultas ao banco de dados da entidade, que indica o movimento do comércio, caíram 1,2% em abril, enquanto a inadimplência aumentou 1,4% em relação ao mesmo mês de 2014.

Agência Brasil

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