E essa amizade, é verdadeira?

Desde criança nos relacionamos com outras pessoas e com uma visão muito generalizada acreditamos que todos ao redor são nossos amigos. Um dia desses estava conversando com meu filho e ele citando alguns amigos e atitudes deles, das quais ele começou a perceber por ele mesmo que esses “amigos” não eram amigos de verdade – e isso me deixou tranqüila por saber que já tão cedo ele tem colocado critérios para discernir o outro.

Somos seres sociáveis e buscamos estar rodeados de pessoas que nos querem bem, sabendo que a amizade aparece pela afinidade, mas só se firmam ao passar pelas adversidades, concretada na verdade e lealdade. Portanto, a amizade fala demandar uma junção de pessoas de caráter e que tenham palavra, pessoas em que podemos confiar – gente que não manipula a verdade e não se ofende com sua sinceridade e deseja o melhor pra nós. A questão é: quem realmente quer o nosso bem? O fato de a pessoa estar ali sorrindo pra você não quer dizer nada, ou a pessoa se mostrar empática com seu sofrimento ainda não é sinônimo de ser amigo. Isto por que não existe amizade no coração do mentiroso, do covarde, do letárgico e daquele que tem a disposição para agir de várias maneiras – um ser mascarado e frio.

Um dos preceitos que precisamos avaliar em primeiro lugar é se tal pessoa genuinamente se alegra nas suas alegrias.

Pequenas atitudes, algumas quase que imperceptíveis, mas que são profundamente reveladoras indica se sim ou não. Somente depois de avaliar essa característica que podemos tranquilamente incluir esse amigo em nossa vida e torná-lo também participante das nossas tristezas. Na realidade, só saberemos que alguém chorou sinceramente nossas dores se ele se alegrou verdadeiramente com nossa felicidade ou conquistas. “Amigos” que fazem cara de inveja ou se auto-denunciam com atitudes estranhas ou indiferentes quando estamos bem, não merecem fazer parte de nossa vida.

Já passou por situações em que o “amigo” começa a competir com você em alguma situação?

Se você tem algo, ele obrigatoriamente precisa ter também para comprovar aos outros que também pode. Ou melhor, aquele “amigo” que era sempre companheiro e do nada se transforma como se você fosse um material reciclável e o trata como se não o conhecesse? Ou pior, aquele “amigo” que não perde a chance de falar mal de você sempre que tem oportunidade, pois sua existência pra ele é uma ofensa? Essa atitude é movida por inveja. E aquele “amigo” que apenas se aproxima de você sempre quando precisa de um aliado para os seus interesses?

Infelizmente, existem esses que de amigos não tem nada. São apenas sanguessugas que aparecem para minar com suas energias e vigiar sua vida, invejando tudo o que pode em você. E enquanto isso não for percebido por nós esse ser fica em volta observando cada passo que damos. Necessitamos discernir o espírito das pessoas para que somente “amigos de verdade” tenham a porta aberta em nossas vidas, tanto pra se alegrar conosco e também ser uma coluna em nossas dores.

Não podemos convidar alguém a partilhar da nossa história se nossa alegria é o fim do mundo pra eles. Fazer isso é colocar o próprio diabo na sala de estar de nossas casas pra escarnecer de forma velada nossas conquistas e sambar um enredo completo das muitas tristezas que passamos em nossas costas.

É maravilhoso ter amigos e quem os tem deve consolidá-los a cada dia. E mesmo que fiquem longe por anos ou sem se falar, quando se encontram novamente percebemos que muita coisa mudou no caminho existencial de cada um, experiências e acontecimentos, mas nada mudou na essência do amigo. Para esses amigos, devemos dispor nosso carinho, gratidão e comprometimento.

Deniza L. Zucchetti é escritora nas horas vagas e mãe em período integral. Escreve todas as segundas-feiras.

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