Reciprocidade, cadê você?

Maria é uma pessoa maravilhosa e solícita, dando atenção sempre a todos que a cercam. Apesar da correria sempre que pode comparece na vida daqueles que estima. Sua amiga Suzy precisou de ajuda e Maria ofereceu seus ombros pra carregar suas dores. Suzy assim como Maria também tem uma vida agitada e cheia de prioridades. Devido a isso se afastou repentinamente e Maria preocupada tentou desenvolver uma conversa rápida com ela, mas nem o seu bom dia foi respondido.

No outro dia, ela tentou novamente, mas sem respostas. Maria pensou estar incomodando e ficou quieta depois disso. Alguns meses depois Suzy num outro momento complicado lembrou-se da amiga que era tão atenciosa e a procurou.
Infelizmente Suzy tinha esse hábito ruim, pensava apenas nela mesma. Maria a tratou educadamente, pois não era do seu feitio ser grosseira, e dessa vez indicou a ela uma psicóloga excelente – afinal compreendeu que apesar de gostar muito de sua amiga, ela não entendia de reciprocidade.

Apesar de ser uma historinha figurativa, é algo mais do que comum nos dias de hoje. Pessoas que tratam outros como produtos descartáveis, alguns são destituídos de empatia, perseguem apenas sua satisfação pessoal, sem se preocupar com o bem-estar daqueles com os quais se “relacionam”, não tem a capacidade de se colocar no lugar do outro; apenas querem para si.

São aqueles que se relacionam baseados apenas no “vem aqui”, mas nunca estão dispostos a “ir lá”. Sua conduta daninha não é evidente logo de cara, de fato pessoas que não são aptas à reciprocidade são muito agradáveis e corteses, mas suas relações sociais são superficiais. Muitos têm um grande círculo de relações, pois precisam de alguém para parasitar. O essencial não importa, sentem necessidade apenas de alimentar seu ego e interesses próprios. São indiferentes com as necessidades emocionais e afetivas de cada um e especialistas em falsificar sua “atenção”.

Pessoas assim fazem com que os outros orbitem ao seu redor e de suas vontades egocêntricas, se sentem no direito de serem servidos.

Querem ser amados, mas não amam.

Querem ser respeitados, mas não respeitam.

Querem ser ajudados, mas na primeira solicitação de ajuda caem fora.

Querem companhia, mas não se faz presente nunca.

Querem amigos, mas não são amigos.

Querem que festejem com ele em suas alegrias, mas inveja e seca a alegria do outro.

Querem carinho, mas são frios e calculistas.

A reciprocidade é a base pra qualquer âmbito de relacionamento sólido. A retribuição não precisa ser da mesma forma, o importante é que nenhum dos lados se sinta usado ou manipulado; pois o tempo passa e a alma do outro começa a reclamar a verdade.

A falta de reciprocidade é ruim pra quem a sofre, mas é infinitamente pior pra quem a produz. Em um dado momento tal pessoa se verá só e sofrerá a infernal das dores da solidão. Arou a terra e plantou dessa semente, mais cedo ou mais tarde desse fruto colherá. Raramente essa pessoa admitirá em sua consciência que precisa mudar, pois pessoas assim geralmente se fazem de vítima, sempre guardadinha no casulo de sua existência, tornando-a cada vez mais distante da realidade, continuando assim seu próprio caminho cheio de orgulho na falta de constância social.

Mas há uma importante lição a ser aprendida aí: ter paciência e perspicácia aprendendo a discernir o outro sem julgamentos rasos ao estimar o caráter daqueles a quem damos acesso à nossa vida.

Deniza L. Zucchetti é escritora nas horas vagas e mãe em período integral. Escreve todas as segundas-feiras.

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