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Bons projetos não encalham

Este ano vem sendo acompanhado de preocupação para todos os segmentos econômicos, devido ao aumento do custo de vida, retração do consumo das famílias, encarecimento do crédito e algumas crises políticas. O pessimismo tomou conta da sociedade em geral, que não consegue enxergar mais os rumos do País. A realidade também afeta Goiás, mas em menor escala. Graças ao Produto Interno Bruto (PIB) acima da média nacional, o Estado está mais preparado para suportar as turbulências do momento.

A mesma resistência aplica-se ao mercado imobiliário goiano. Enquanto os indicadores de desempenho caíram drasticamente em capitais como São Paulo e Brasília, que passaram por uma super oferta de imóveis, por aqui, o cenário é de equilíbrio. Desde o ano passado, as incorporadoras diminuíram a quantidade de lançamentos para que os estoques de imóveis em construção, ainda não comercializados, fossem vendidos.

A postura amadurecida está fortalecendo o investimento imobiliário, uma vez que sem excesso de oferta, o valor da propriedade tem se mantido em valores mais atrativos do que investimentos como arroba do boi, poupança, entre outros. Houve quem apostasse numa queda significativa nos preços dos imóveis, como aconteceu em alguns centros, mas, isso não está acontecendo graças a uma atuação sincronizada das incorporadoras.

É claro que a velocidade das vendas baixou e, quem tem dinheiro na mão, tem sim um trunfo. É hora de praticar a velha e boa pechincha, mas em nível equilibrado e saudável para os dois lados. Empresários tem relatado o assédio de propostas baixas, numa tentativa de forjar uma queda expressiva no valor, e elas tem sido negadas, invariavelmente. Praticar esta especulação invertida não tem tido grandes efeitos por aqui, pois o mercado está organizado para suportar momentos de pressão.

Mas, se o momento atual é de uma movimentação mais comportada nas vendas, diferente é o ritmo no dia-a-dia corporativo, onde a pauta é o planejamento dos próximos passos e a dedicação ao estudo dos próximos lançamentos. O presente sempre nos convida para pensar no futuro, mas esse exercício torna-se mais intenso agora, em que os brasileiros estão perdendo o poder de compra: os diferenciais nos produtos somam pontos na tomada de decisão, especialmente de quem valoriza seus anos de trabalho para juntar a quantia (alta) para se comprar um imóvel. Cabe às incorporadoras investir em versões mais aprimoradas de imóveis para, assim, manterem seu mercado.

Intensa tem sido a atividade nos escritórios de arquitetura, para se projetar os lançamentos que só chegarão daqui a dois anos, tempo médio necessário para se desenvolver e aprovar um novo empreendimento. Reuniões multidisciplinares, pesquisas de campo, dedicação ao desenho arquitetônico para conseguir soluções de espaço e contemplar outras necessidades do morador de Goiânia. Vale ressaltar que aqui é destino de migrantes aportam em busca de oportunidades. Aqui, pessoas se casam, pessoas se separam, empreendedores abrem negócios e buscam novos espaços para abrigar suas ideias. Este é o início de todo o processo imobiliário que, quando bem executado, é motivo de orgulho, tranquilidade e segurança para toda a cadeia produtiva e consumidora, pois, bons projetos não encalham.

Paulo Renato Alves é arquiteto

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