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Respeitando seus limites

A ideia de romper limites tem deixado muitos adoecidos e iludidos a respeito de quem gostariam de ser e, alguns  para provar a A ou B que é forte o suficiente passam muito tempo suportando abusos provenientes deles.

Esse delírio de se fazer necessário romper limites, de estar sempre além das expectativas pode acarretar muitos problemas começando pela baixa autoestima.

Antes de tudo, precisamos nos conhecer, nos avaliar e nos permitir ser humano. Afinal, todos nós temos limites e obrigatoriamente não precisamos sempre estar lá ou, além disso.

Quantas vezes nós mesmos nos traímos quando excedemos limites dos quais chegamos ao esgotamento físico, emocional, psicológico, nos dispondo a tolerar situações ou relacionamentos que nos levam à míngua?

É necessário aprender a dizer não a nós mesmos. Compreender que podemos chegar até certo ponto, a partir dali não daremos mais um passo sequer.

Respeitar seus limites não é sinônimo de covardia, pelo contrário, é aceitar-se como indivíduo que assim como qualquer outro necessita de fôlego e descanso, deixar-se agonizar fisicamente ou emocionalmente, psicologicamente ou espiritualmente para se “fazer” de forte é displicência consigo mesmo.

Não somos super homens ou super mulheres. Por que então carregar pesos e tolerar contingências desnecessárias apenas para causar uma boa impressão, para se sentir aceito ou admirado se a reação disso tudo poderá até mesmo ser fatal?

Muitas vezes criamos uma imagem de quem gostaríamos de ser, desrespeitando a essência de quem somos e nossas limitações. Relacionar o que somos a partir do olhar do outro ou daquilo que o outro exige que sejamos é tropeço, essa exigência alheia é uma maldade travestida de “melhoramento” do nosso verdadeiro chamado pra vida, nos sobrecarregando e deixando um vazio imenso, machucando-nos podendo chegar ao ponto de não mais nos recuperar.

Perder nossa identidade, abafar nossa criatividade aprisiona-nos numa ilusão abismal. Viver para agradar o olhar alheio e condenar à morte sua persona não é lá algo muito inteligente. No final, adoecemos e perdemos a “importância” naquilo que julgávamos ser insubstituíveis.

Reconhecer nossas limitações e aprender a dizer não descontinuando a viver em sujeição de outrem, de início pode parecer catastrófico, imaginar-se sozinho e rejeitado por se respeitar; mas pense que se você não se respeitar jamais te respeitarão também.

As pessoas só aprendem a nos respeitar quando somos firmes e categóricos a respeito de nós mesmos. Ninguém além de você sabe dos seus limites e ninguém também poderá se julgar melhor do que você por isso – caso assim aconteça, que tal pessoa extrapole esses limites então.

No momento em que você se reconhece como ser que tem suas limitações, que busca aprimorar-se dentro de suas possibilidades, seu caminho existencial ficará mais leve, e quando menos esperar, romperá limites dos quais jamais imaginava romper – não por imposição ou intimidação, mas por que aprendeu a dar um passinho de cada vez, sendo flexível, indo até a parte tolerável por si mesmo.

Deniza L. Zucchetti é escritora nas horas vagas e mãe em período integral. Escreve todas as segundas-feiras

 

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