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Negros em Goiás continuam à margem da sociedade, revela estudo

Hoje é dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra em todo o Brasil. Em muitos estados e cidades, a importância desta data é referendada com feriado. Em Goiás e em Anápolis, não. E as notícias não nada boas para a comunidade negra e parda goiana.

Um estudo divulgado nesta sexta-feira (20) pelo Instituto Mauro Borges, ligada à Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan), mostra que a igualdade nas condições socioeconômicas entre negros e brancos em goiana ainda estão distantes.

O levantamento aferiu que 60,22% da população goiana é formada por pessoas que se declaram parda e preta, porcentual bem superior à da média nacional, que é de 53,62%.

Realidade

Com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE), os técnicos do IMB/Segplan concluíram que, embora ocorra em todo o País movimentos em busca da igualdade racial, ainda existem muitas desigualdades. Sejam do ponto do rendimento do trabalhador, de oportunidades de emprego, do nível de escolaridade, das condições de moradia, de acesso a serviços básicos como água, esgoto e energia elétrica, à eletrodomésticos, como geladeira, máquina de lavar roupa, computadores ligados à internet, meios de transportes próprios e até como as pessoas das raças parda e preta são representas nas casas de lei, como a Assembleia Legislativa de Goiás.

O rendimento do trabalhador, de acordo com a sua cor, é um dos dados mais relevantes quando se fala de igualdade racial, segundo o pesquisador em Ciências Sociais da gerência de Estudos Socioeconômicos e Especiais do IMB, Murilo Rosa Macedo.

Renda e Analfabetismo

Em Goiás, a exemplo do que ocorre em todo o brasil, pretos e pardos ainda percebem uma remuneração bem inferior em relação aos brancos. A remuneração média dos pretos é 78,38% da dos brancos e 73,46% da renda média da população em geral. Enquanto um trabalhador da raça branca percebe um salário médio de R$ 1.343,58, o da raça preta é de apenas R$ 993,47 e o da parda de R$ 974,02.

O índice de analfabetismo dos pretos e pardos ainda é inferior ao da média do Estado. Um total de 91,80% dos goianos da raça amarela sabe ler e escrever, enquanto esse índice cai para 85,79%, quando se refere aos da raça preta.

Moradia
O estudo do IMB/Segplan mostra que os goianos pretos são os que possuem menor quantidade de domicílios próprios já pagos, seguidos pelos pardos. Apenas 0,70% dos lares goianos não possuem geladeira. Mesmo assim, nesse grupo, mais uma vez são os pretos e pardos os que tem menos acesso a este eletrodoméstico.

Internet e carro

Em Goiás, 83% dos lares contam com computador pessoal e acesso à internet. Porém, apenas 78,91% da população negra estão conectados à rede mundial de computadores. Também são os pretos e pardos os que têm menos carros próprios para se deslocarem, tendo, portanto, de utilizarem o transporte público.

Negros na política

Embora a população parda represente mais da metade da população do Estado, ela está consideravelmente sub-representada na Assembleia Legislativa goiana. Dos 41 deputados eleitos, apenas cinco se declararam como pardos e outros dois como pretos.

Com informações do Goiás Agora

 

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