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Medicamentos naturais não fazem mal?

Quem nunca tomou um chazinho feito pela mãe ou avó para sarar uma gripe? Ou para restabelecer o sono, curar uma sinusite ou uma simples má digestão? Ainda há aqueles que se utiliza de medicamentos naturais para emagrecimento, diminuição dos níveis de triglicérides, diabetes, pressão alta. Um boldolzinho, quem nunca tomou?

Também já ouvimos inúmeras vezes o dizer: ‘Se é natural não faz mal!”, mas na realidade não é bem assim. Antigamente, as plantas medicinais eram utilizadas de acordo com o conhecimento dos mais sábios e somente em casos de necessidade ou doença. Mas com o passar dos séculos, e com o acúmulo de informações, os fitoterápicos foram incorporados ao dia a dia, e seu uso se tornou indiscriminado.

Diversos estudos revelam que os medicamentos fitoterápicos são amplamente comercializados em muitos países, principalmente Estados Unidos e Brasil. Os usuários são, em sua maioria, adultos e idosos que buscam complementar o tratamento de uma doença crônica e geralmente acreditam que a fitoterapia é uma alternativa isenta de efeitos adversos ou incapaz de causar interações medicamentosas. Não é bem assim!

Ao contrário do que muita gente pensa, as plantas medicinais e os fitoterápicos podem provocar efeitos adversos, toxicidade e até mesmo apresentar contraindicações de uso. Assim como os medicamentos convencionais, ambos são constituídos de misturas complexas de uma série de compostos químicos, que podem resultar em inúmeros efeitos.

Os efeitos desses produtos no organismo são resultado da interação entre os componentes químicos ativos, em diversos sítios de ação, nos mais diferentes órgãos e tecidos. Contudo, em muitos casos, os constituintes químicos responsáveis pelas atividades farmacológicas das plantas medicinais e dos medicamentos fitoterápicos são desconhecidos. E a complexidade desses elementos aumenta a possibilidade de ocorrer interações se você usar algum outro remédio simultaneamente.

Na atualidade, os fitoterápicos voltados ao emagrecimento são campeões de venda e de problemas, proporcionando aos usuários problemas de saúde que acabam piorando a condição dos mesmos.

Já existem estudos que comprovam a eficácia farmacológica de alguns produtos naturais, aqui citamos alguns deles:

  • Alcachofra: Estimulador digestivo e renal
  • Castanha da Índia: Usada para circulação
  • Ginko Biloba e Ginseng: Saúde mental, memória e aumento de energia.
  • Chá verde: Tem propriedade diurética e auxilia no emagrecimento
  • Camomila, Erva Cidreira e flor de maracujá (Passiflora) : Calmantes naturais

Existem outras plantas que podem ser utilizadas para tratamento, mas é necessário que haja uma conscientização por parte da população sobre o uso de produtos naturais, pois o fato de ser natural não quer dizer que não faz mal, como é o caso do medicamento Digoxina, o seu principio ativo e retirado de uma planta chamada ‘Dedaleira’ (Digitalis purpúrea) e é amplamente utilizado por cardiopatas, seu uso em doses erradas pode levar o usuário à morte.

Na dúvida, procure seu médico ou um farmacêutico mais próximo, pois eles poderão auxiliar e direcionar qual o melhor tratamento.

Alair Martins é farmacêutico. Escreve preferencialmente sobre saúde e dá pitacos em política e sociedade.

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