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Urban espera autorização da CMTT para implantar novas linhas de ônibus em 2016

Neste sábado (12) a Urban completa 20 dias de operação na cidade. Substituindo a TCA após mais de 50 anos, a empresa do Grupo São José tem ainda um longo caminho pela frente para conquistar a plena satisfação os mais de 200 mil usuários anapolinos.

Até março, a bilhetagem eletrônica já deverá ter substituindo por completo os atuais ticket’s de papel, novas linhas poderão estar circulando caso a CMTT as autorize e a segurança dentro dos ônibus dentro e do Terminal Urbano serão reforçadas com a instalação de câmeras de monitoramento.

Há ainda a previsão da a implantação de TV’s dentro dos coletivos, com conteúdo ainda a ser definido.

Os problemas iniciais enfrentados pela empresa, as expectativas de superá-los e a ‘dor de cabeça’ que a TCA ainda dá aos funcionários, foram os pontos da entrevista com o diretor de Operação da Urban, Humberto El Zayek.

De Anápolis, o executivo já trabalhou em empresas de reconhecimento nacional como a Votorantim, mas foi no Grupo Jaime Câmara que Humberto passou boa parte de sua vida profissional antes de encarar o desafio da implantação da Urban em Anápolis.

HUmberto El Zayek- Portal6
Problemas neste início de operação deveu à falta de informação do sistema, que não foi repassado pela TCA durante a transição, afirma Humberto El Zayek, responsável pela implantação da Urban. (Foto: Danilo Boaventura)

Portal 6 – Quais foram as primeiras dificuldades operacionais que a Urban tem enfrentado neste início?

Humberto – O início da operação foi complicado. Nós tivemos poucas informações de como é que se operava o sistema. A empresa que estava saindo não estava saindo de forma pacífica e nós assumimos o transporte coletivo no dia 22 de novembro sem praticamente nenhuma informação mesmo já tendo contratado um dia antes mais de 70% das pessoas que operavam na outra empresa, que era uma questão contratual nossa. Isso foi cumprido, assim como tudo que está no contrato está sendo cumprido em dia. Esse era o  grande desafio.

Portal 6 – Soubemos que até os horários dos itinerários haviam sido arrancados dos boxes?

Humberto – Sim, bem lembrado. Até a semana passada nós estávamos trabalhando na mão, sem nenhum sistema, nenhuma máquina instalada para fazer soltura e recepção dos ônibus dentro do terminal. Tudo isso gerou mais atrasos ainda. A transição nos obrigou a ter de fazer os ticket’s de papel, pois não poderíamos vender no [tricket] crédito eletrônico sem que os ônibus estivessem com os validadores nas ruas. Isso também contribuiu para o atraso. Mas não tinha outra forma de se fazer a transição sem que se usasse esses tickets até substituí-los pelo eletrônico.

Portal 6 – Alguns ônibus quebraram e os usuários tiraram fotos e divulgaram nas redes sociais. Também tivemos a informação de que nos primeiros dias houve um déficit de cobradores, o que teria comprometido o número de ônibus circulando. Procede?

Humberto – Os ônibus novos têm algum tipo de manutenção para fazer da própria fábrica, como a regulagem de válvula nas portas. A gente tem que lembrar que tem 190 ônibus andando o tempo todo na cidade. Se 1% dos ônibus quebram, serão dois ônibus por dia. Não estamos tendo nem esse 1%. Está bem abaixo disso. Sobre a outra pergunta: houve, não por falta de funcionários, mas porque fizemos uma escala de trabalho de três turnos para motoristas e cobradores. Nós não tivemos acesso aos horários que as pessoas costumavam trabalhar. Na primeira escala que fizemos nós colocamos gente que não poderia trabalhar no turno, que tinham outras atividades para o horário; gente que estava impossibilitado de sair de madrugada e ir para à nossa garagem. Então, apareceu esses desencontros e faltou principalmente cobradores. E olha que nós estávamos trabalhando com a reserva, porém, essa reserva não alcançou [a falta de cobradores]. Mas tudo isso por conta da falta de informação que não nos foi repassada.

Portal 6 – A TCA não cooperou em nada mesmo na transição?

Humberto – (Faz sinal negativo com a cabeça junto com uma feição de reprovação) Não! Na verdade, atrapalhou a implantação com aquela discussão de que ‘roda ou não roda’, algumas informações que colocaram aí nas rádios e televisão fez com que a população ficasse em dúvida quanto ao processo enquanto nós estávamos tentando fazer a implantação e precisando da compreensão de todo mundo. Isso foi um complicador pesado, tanto na parte jurídica, quanto operacional. Tivemos de manter o pulso firme, falando e fazendo tudo para implantar.

Portal 6 –  A TCA ainda é uma dor de cabeça mesmo após ter saído do sistema?

Humberto – Na questão jurídica talvez eles ainda estejam tentando [voltar]. Agora, a problema maior está sendo a questão do acerto trabalhista dos ex-funcionários. Isso está nos preocupando. Nós fizemos uma antecipação de 30% para os nossos funcionários, para não deixar faltar o natal deles. E também já estamos fazendo o ticket alimentação [dos funcionários].

Portal 6 – Até o final de dezembro os trabalhadores das empresas da cidade já receberão o cartão. Logo após será a vez dos estudantes e depois as gratuidades dos idosos, deficientes etc. A sequência é essa?

Humberto – A implantação em si é rápida. Os números é que são muito grande. Hoje, nós atendemos 27 mil vales transportes empresarial diários aqui no sistema. O cadastramento e a emissão é que são demorados. No caso dos estudantes são 12 mil. Também é um número grande. E tem de ser personalizado. Mas o sistema de bilhetagem começa a funcionar agora, a partir do dia 15 de dezembro, mas o cadastramento deve demorar um pouquinho mais. Depois vamos fazer o vale transporte normal, o dos estudantes e as gratuidades (deficientes, idosos etc), até eliminar totalmente o papel.

Portal 6 –  O Governo do Estado promete para o próximo semestre a implantação do ‘Passe Livre Estudantil’. A Urban já recebeu informações ou já foi solicitado informações pelo Governo?

Humberto – O Passe Livre Estudantil, se caso eles [Governo do estado] forem mesmo liberar, porque é um subsídio extremamente oneroso, o nosso sistema é eletrônico e não haverá problema não.

Portal 6 – Após os quatro meses de adaptação, o que a Urban pode dizer que mudará no transporte público da cidade?

Humberto – Além da bilhetagem eletrônica, talvez a CMTT pode liberar algum ponto de transbordo de integração na cidade, algumas linhas diretas. Mas tudo vai depender da autorização dos gestores. É importante dizer que a CMTT é a gestora e a Urban a operadora.

Portal 6 – E a integração, em que o usuário poderá descer e tomar outro coletivo em um determinado prazo de tempo, será possível após período de quatro meses?

Humberto – Também vai depender das autorizações do CMTT. Não sei de devo dar palpites, mas nós temos aí um corredor de ônibus sendo construído [ da Avenida Brasil] e enquanto esses pontos de transbordo não ficarem prontos, fica meio complicado.

Portal 6 – Quais são os atuais transtornos que a Urban ainda está enfrentando e como a empresa pensa superá-los?

Humberto – Os transtornos mesmo (fala dando ênfase) são pontuais. Algumas linhas que ainda estão para ser completada os horários e outras para ser melhor atendidas. Eu acho que estou procurando resolver isso paulatinamente com a minha presença lá no chão do terminal. Passo um período do dia por lá, fico ouvindo as pessoas, assimilando as informações e vendo caso a caso.

Portal 6 – Além da tecnologia que já está no ônibus, quais outras serão implantadas no curto e médio prazo?

Humberto – A médio prazo, pretendemos colocar vídeos internos nos ônibus e as câmeras de segurança. Eu acredito que logo após assentar todo o processo, nossos ônibus e o terminal serão bem monitorados por câmeras. E depois os vídeos internos, com conteúdo informativo, por exemplo, e outras coisas que ainda estamos pensando. Além da bilhetagem eletrônica.

Portal 6 – Falando em segurança, houveram alguns casos de furtos dentro do terminal. A presença da polícia no terminal é necessária? A Urban pensa em colocar seguranças particulares no local?

Humberto – Recebemos a visita do Coronel Santana e já falamos sobre isso. O terminal é monitorado por alguns funcionários do Juizado de Menores, pela postura e polícia. Mas o terminal de Anápolis não tem histórico de problemas comparado ao tamanho e ao movimento, não.

Portal 6 – A TCA já foi referência em transporte público no Brasil. A Urban também pretende ser referência para outras cidades? A experiência da São José em Brasília e da Viacap, em Palmas, pode ajudar?

Humberto – A experiência pode ajudar, mas a receita é local. Pelo o que eu sei de sistema de transporte coletivo, cada lugar tem a sua necessidade, sua receita e esse é o desafio: fazer que funcione pelas características culturais, regionais e climáticas.

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