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O cinismo como estabilidade para uma sociedade enferma

Pra todo lado que se vê ou escuta percebemos uma certa atmosfera de cinismo.

Fala-se com ar suave, carregado de “verdade” mas cheio de veneno.

Muitos ficam desiludidos nesse contexto, pois ser verdadeiro e autêntico para manter sua essência intacta no meio disso tudo, há um preço alto a se pagar.

Muitas pessoas de tanto contato com os cínicos acabaram sucumbindo e ficando igual. Perderam a boa vontade em permanecerem justos, pois de tanto verem prosperar os maus entregaram os pontos e adoeceram-se no trajeto.

Tantas são as circunstâncias que nos cercam e nos treinam a ter atitudes que na maioria das vezes não é aquilo que gostaríamos de fazer, mas por causa do ambiente e das pessoas que estão em volta a maioria cede para sobreviver a essa névoa que encobre, cega a percepção e coloca contra a parede.

O cinismo encontrou seu lugar de adoração, seus adeptos e idólatras. Esses tais não suportam quem se recusa a fazer o mesmo. Discernir os fatos com sinceridade e verdade nos protege desse ambiente pesado.

É triste constatar que pessoas que tinham o coração e intenções boas, hoje se tornaram tão cínicos que suas almas diluídas as tornaram totalmente descaracterizadas e irreconhecíveis.

Para se manter íntegro o melhor é se afastar, pois tentar fazer com que essa pessoa se enxergue e perceba que está desfigurada é uma armadilha pra si mesmo.

Pessoas que se tornam vulneráveis à situações difíceis, que não encaram seus medos, sua culpa e seu ódio, vão tendo reações cada vez mais cínicas ao ponto de se tornarem impenetráveis a qualquer percepção que a encoraje a amadurecer no sentido de mudar sua mentalidade tornando-a límpida.

A maioria cansa da instabilidade, da falta de comprometimento, da opressão seguidas vezes, de tantos traumas que acabam encontrando seu “equilíbrio emocional” no cinismo. Fácil identificar aquelas pessoas que concordam com tudo o que você diz, mas não fazem nada ou no fundo discorda de tudo – mas o cinismo a impede de ser verdadeira e autêntica não permitindo que suas palavras e vivência real sejam sim sim e não não.

De fato, a maioria se escandaliza com a pessoa original, verdadeira e sincera que não sente receio em ser ele mesmo, pois são interpretados a partir do olhar sarcástico e hipócrita de quem se perdeu no caminho e não sabe mais como voltar a ser genuíno.

O que importa é permanecer no caminho do bem, independente dos dedos apontados, das palavras insolentes e da leitura errônea dos outros a seu respeito.

Afinal, todos nós temos um chamado da vida pra sermos luz, com uma percepção acurada do nosso caminho existencial, trazendo o descortínio e esclarecimentos reais a cada passo dado, sem ressentimentos e sem medo – sem ceder à tentação de ser mais um que debocha do próximo de forma velada, desrespeitando-o e subestimando sua inteligência, ao ponto de deixar aflorar uma natureza bestial.

Deniza L. Zucchetti é escritora nas horas vagas e mãe em período integral.

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