Por aclamação, PMDB decide deixar a base do governo Dilma

Por aclamação, o Diretório  Nacional do PMDB decidiu hoje (29) deixar a base aliada do governo da presidenta Dilma Rousseff. A decisão foi anunciada pelo senador Romero Jucá (RR), vice-presidente da legenda, que substituiu o presidente nacional do partido, Michel Temer, vice-presidente da República. O PMDB também decidiu que os ministros do partido deverão deixar os cargos. Participaram da reunião mais de 100 membros do Diretório Nacional do PMDB.

A confirmação do rompimento do PMDB com o governo da presidenta Dilma Rousseff acirrou os debates em torno da governabilidade e do impeachment da presidenta. Para líderes da oposição, o afastamento reforça a crise política e aumenta as chances de afastamento de Dilma.

Em convenção que durou cerca de cinco minutos, o PMDB encerrou uma aliança de cerca de 14 anos com o PT. Para a oposição, o gesto abre caminho para outras legendas da base aliada abandonem o governo.

Um dos primeiros oposicionistas a comentar o fato, o presidente do PPS, Roberto Freire (SP), foi taxativo. “Esse é um sinal de que a debandada começou”, afirmou.

O oposicionista vê na atitude do partido uma espécie de senha para que o parlamento avance no processo de impedimento da presidenta Dilma. “A decisão do PMDB vai ajudar o país porque faz avançar o processo de impeachment e o Brasil precisa mais do que nunca resolver essa situação”, disse.

Um dia antes da decisão, a expectativa do rompimento do PMDB chegou a pelo menos dois partidos. O PSD, do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, anunciou que vai liberar a sua bancada, formada por 31 deputados, na votação do processo de impeachment.

O PP, que comanda o Ministério da Integração, com Gilberto Occhi, estuda liberar a bancada. Entretanto, parte dos deputados defende uma convenção para fechar uma posição a respeito da saída do governo e a favor do impedimento.

O deputado Jerônimo Goergen (RS) reuniu 22 assinaturas, dos 49 deputados, favoráveis ao rompimento. “Eu percebo que há todo o espaço no PP para fechar posição favorável aoimpeachment”, disse.

A definição sobre a promoção da convenção será tomada amanhã durante reunião com o presidente da sigla, o senador Ciro Nogueira (PI). Os deputados favoráveis ao afastamento defendem que a data limite para a convenção ocorra antes da votação do processo deimpeachment no plenário da Câmara. “Precisamos da convenção para resolver diferenças internas”, avaliou Goergen.

O líder do PT, Afonso Florence (BA), minimizou o impacto da saída do PMDB da base do governo. Para o petista, é preciso aguardar a movimentação dos setores do PMDB que continuam apoiando o governo.

“Nem todo o PMDB estava lá [na reunião], tem que esperar o resultado político dessa decisão de afastamento, porque há ministros e deputados que têm que se pronunciar”, disse.

Florence criticou o vice-presidente Michel Temer que, segundo ele, deixou de defender a legalidade do mandato de Dilma para entrar no barco do impeachment. “O vice-presidente Michel Temer foi eleito e, em vez de preservar o mandato popular, defende o impeachment que não tem crime de responsabilidade”, disse.

Perguntado se o partido adotará uma posição belicosa em relação a Temer, Florence negou. “Não é guerra contra Michel Temer, é a defesa da legalidade democrática, coisa que ele não faz”, afirmou o petista. Ele espera que a decisão de hoje não interfira na avaliação do partido com relação ao impedimento.

O líder do PSOL, Ivan Valente (SP), criticou a decisão do PMDB, que classificou como fisiologista. “Em minha opinião, isso faz parte da saída Temer e nós entendemos isso como um golpe”, disse Valente para quem não há comprovação de que Dilma cometeu crime de responsabilidade.

O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) ironizou a saída do PMDB da base. “O PMDB está com a expectativa de, em vez de sete, ter 30 ministérios para distribuir. Só que o Michel Temer está sendo acusado na operação Lava Jato. As pedaladas fiscais, elementos fundamentais doimpeachment foram feitas pelo governo do qual ele participa”, afirmou.

Centro dos debates políticos dessa terça-feira, o PMDB disse que adotará uma posição de independência em relação ao governo. Logo após o anúncio do rompimento, o senador e vice-presidente do partido Romero Jucá (RR) disse: “O que for de interesse do governo e importante para o Brasil nós votaremos. Se for algo que nós não concordemos, nós diremos claramente; não teremos mais atrelamento à base do governo”.

Para o presidente da Fundação Ulisses Guimarães, Moreira Franco, o PMDB terá cautela e não irá se precipitar em definir uma posição na questão do impeachment. “não tem uma unidade como tivemos aqui hoje que permita tomar uma posição por aclamação e nós queremos que a posição represente todo o sentimento do povo brasileiro”, disse.

Ao avaliar o desembarque do PMDB, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (RJ), que desde julho do ano passado defendia o fim da aliança com o governo, disse que o partido carregava o ônus da aliança, sem participar da formulação das políticas econômicas e de outra natureza. “Não tem sentido o PMDB ficar sócio de ônus de um governo impopular, com medidas com as quais nós não concordamos”, disse.

Cunha disse que, na sua avaliação, a saída da base aliada não tem relação com o processo deimpeachment. “O PMDB tinha que sair de qualquer maneira, havendo ou não impeachment”.

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