Ceasa reúne histórias de superação por meio do trabalho

Quem visita as Centrais de Abastecimento de Goiás (Ceasa) não imagina as histórias de vida que seus comerciantes, permissionários e produtores guardam, permeadas pela dedicação de longa data a levar para a mesa do cidadão os itens básicos e primordiais da alimentação humana. Histórias como a do comerciante da Kalu Alimentos, Absair Cunha, que hoje lidera o comércio de pimentão colorido, batata salsa e produtos exóticos – como todos os tipos de cogumelos – mas que iniciou sua trajetória como carregador de mercadorias, com apenas 12 anos de idade. “Naquela época não tinha ideia dos rumos que meu futuro tomaria”, declara.

Foram 14 anos transportando pesadas mercadorias e observando as formas de negociação dos comerciantes locais. Até que um dia, surgiu a oportunidade dele se estabelecer em um pequeno box, em uma das áreas pouco atrativas do mercado. “Você tem que agarrar as oportunidades como sendo únicas na sua vida, e foi o que eu fiz”, recorda.

Para se diferenciar dos comerciantes que já comercializavam todos os itens alimentícios de seu interesse, Absair se propôs a vender os legumes em pequenas quantidades também, além do atacado. “Fui o primeiro a oferecer produtos em pequenas quantidades, na categoria embalados. Eu precisava me diferenciar daquilo que já era feito”, explica.

A ideia deu tão certo que Absair conseguiu ampliar a sua participação no box e no número de funcionários. Do início com apenas três funcionários, o empresário chegou a contar com até 100 empregados ainda no primeiro ano do investimento. Hoje, sua equipe está em torno de 70 pessoas, sendo que alguns chegam a somar 15 anos de casa. A sensibilidade desenvolvida desde a época de carregador permitiu ao comerciante o trato respeitoso às pessoas que se dedicam ao seu negócio, criando longas e proveitosas parcerias.

Há quatro anos Absair perdeu o sócio, mas não desanimou diante da adversidade. Buscou estabelecer parceria junto à uma grande distribuidora de frutas, verduras e legumes, com o objetivo de manter o seu volume de comercialização. “Foi a melhor coisa que fiz pois eles possuem um programa completo, que nos permite crescer junto com eles. Para um negócio prosperar, é fundamental contar com auxílio de sócios”, afirma.

Absair Cunha precisou inovar para vencer a concorrência. (Foto: Maria Antonieta Toledo/Goiás Agora)
Absair Cunha precisou inovar para vencer a concorrência. (Foto: Maria Antonieta Toledo/Goiás Agora)

Do tempo de carregador ao de comerciante muitos anos se passaram vividos dentro da Ceasa. Absair reconhece o empenho dos gestores em promover melhorias como as recém-inauguradas benfeitorias entregues pelo Governo de Goiás, em parceria com a União de Atacadistas e Produtores Hortifrutigranjeiros (Uniap). No quesito Segurança, elencada pelo empresário como investimento fundamental, a Ceasa acaba de receber uma Central de Monitoramento com 60 câmeras voltadas a acompanhar e registrar atos suspeitos dentro do grande mercado que chega a receber até 14 mil pessoas diariamente.

Outro ponto de fundamental importância para Absair é a mobilidade interna dentro do complexo. Ele alega que é preciso restringir o trânsito de carros de passeio, principalmente dos comerciantes do complexo, para que o trabalho dos carregadores não seja colocado em risco. E reconhece que o novo estacionamento com capacidade para 1.570 carros e 1.800 motos vai contribuir muito para isso.

O produtor Wilson Amâncio compartilha do dia a dia da Ceasa Goiás há 41 anos. De sua propriedade em Anápolis retira o sustento da família ao cultivar tomate, pepino, jiló, vagem e pimentão. É em um espaço conquistado na Pedra do Produtor – como é chamado o box voltado para os agricultores – que Wilson atende pessoalmente seus clientes formados prioritariamente por feirantes, supermercadistas e donos de restaurante. “Aqui só comercializo por atacado, portanto meus clientes são aqueles que compram em maior quantidade”, explica.

A atual crise financeira tem registrado uma baixa no volume de vendas, alega o produtor. “Quem antes comprava dez caixas de tomate, por exemplo, está levando no máximo seis. Assim como a população está consumindo menos, nós temos que nos adequar para viver essa nova realidade”, compara. Mas logo, o discurso de positividade toma conta de Wilson, que diz já ter superado inúmeras crises como essa. “O segredo é não se abater e persistir no seu trabalho”, orienta.

Quando iniciou sua operação na Ceasa, o produtor recorda que se dedicava ao cultivo de pepino, quiabo e jiló, mas percebeu que ao ofertar mais variedades conseguiria atrair ainda mais o interesse do público, o que passou a fazer ao incluir o tomate e pimentas diversas no mix de produtos comercializados.

Wilson Amâncio investiu na diversificação dos produtos para conquistar clientes. (Foto: Maria Antonieta Toledo/ Goiás Agora)
Wilson Amâncio investiu na diversificação dos produtos para conquistar clientes. (Foto: Maria Antonieta Toledo/ Goiás Agora)

Wilson comemora os investimentos realizados na Ceasa, com destaque para a cobertura lateral da Pedra do Produtor, onde trabalha diariamente. Uma de suas reivindicações para conferir maior organização ao dia a dia do complexo comercial é a identificação dos carregadores com coletes. “Hoje em dia você não sabe exatamente quem é quem. É preciso que os carregadores sejam identificados para que o consumidor saiba que não está entregando suas compras nas mãos de uma pessoa mal intencionada. Temos um fluxo grande de pessoas por aqui e não dá para saber a real intenção de cada uma delas”, argumenta.

Wilson é um dos integrantes da Ceasa que tem o privilégio de ter visto uma reivindicação sua ser atendida. “Eu solicitei à diretoria que tivéssemos prontamente uma equipe para efetuar os primeiros socorros aqui dentro. Algo que foi levado em consideração por eles, sendo que em pouco tempo nos cederam uma equipe do Samu para nos ajudar”, declara.

Melhorias futuras

Em abril, a Ceasa viu investimentos que somaram R$ 4,2 milhões serem inaugurados, tendo como principal foco a sustentabilidade das operações, segurança e conforto de seus trabalhadores. Seu presidente, Edvaldo Cardoso, anunciou durante a solenidade de entrega das melhorias de infraestrutura que já estão previstas a revitalização da portaria, a construção de um pátio de carga e descarga de mercadorias, um novo pavilhão de 2400 metros quadrados, que representa 10% de toda área construída e a cobertura do pavilhão do produtor.

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