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A sujeira das campanhas eleitorais

Escolhi um tema meio espinhoso para minha estreia aqui no Portal 6. Mas este assunto surgiu justamente de uma conversa com alguns amigos que aqui também escrevem: a sujeira presente em tantas campanhas eleitorais recentes. Será que a população ainda tolera isso?

Voltando no tempo, em 2008, aconteceu algo inusitado nas eleições municipais em Anápolis. Os dois principais candidatos no páreo começaram a se atacar, ao invés de apresentarem propostas de mudanças e melhorias para a cidade.

Foi uma das campanhas mais sujas já vistas em Anápolis, recheada de boatos e mentiras espalhadas com panfletos apócrifos. De roubos a bacanais com menores de idade, apareceu de tudo nessas “denúncias”. Apesar de tentar dividir a população, a situação gerou algo inesperado.

O candidato que estava bem atrás nas pesquisas, e que virtualmente não tinha chances de ganhar, acabou sendo eleito. Uma resposta clara da população contra o jogo sujo eleitoral que estava reinando na cidade. Nasceu uma ponta de esperança, que não foi adiante, já que nas eleições posteriores, tudo continuou do mesmo jeito.

Ainda em 2010, Dilma foi eleita sob boatos de que teria um câncer adormecido que a mataria depois de eleita permitindo que o “satanista” Temer assumiria o poder. Seria cômico se não fosse trágico. Em pleno século XXI, povo dando crédito à boatos e conversas fantasiosas. Acusaram a candidata de ser abortista, e a mesma teve que dar uma declaração oficial sobre o assunto, pois este boato a faria perder votos de católicos e evangélicos.

Em 2012, nas eleições municipais, o jogo sujo voltou, sem nenhuma novidade na disputa pela prefeitura, e com os velhos ataques pessoais em detrimento a propostas, o prefeito acabou sendo reeleito. Talvez os anapolinos sejam diferentes do resto da população brasileira.

A eleição presidencial em 2014 mostrou que a sujeira estava firme e forte. De um lado acusaram Lula de ter hackeado as urnas eletrônicas, e de outro falaram que qualquer um que ganhasse e não fosse do PT acabaria com todos os benefícios sociais adquiridos nos últimos anos. Uma campanha encabeçada pelo PT estabeleceu uma jornada de desconstrução da honra dos candidatos adversários. Marina Silva foi vítima desse jogo, e não revidou, chegou a figurar em segundo lugar, mas caiu. Aécio, que chegou a cair para terceiro lugar, entrou no mesmo jogo, e deixou de lado as propostas partindo para os ataques pessoais, foi para o segundo turno.

Ganhou a mentira, e o resultado todos estão vendo aí. A vaca tossiu, e a presidenta que não ia aumentar impostos, acabou sendo afastada pelo congresso. Neste processo aconteceu uma divisão profunda no Brasil. Uma dicotomia assustadora tomou conta do país e resumiu a população apenas em petistas e coxinhas. O certo seria tirar o que é bom de cada lado para favorecer a população. Porém, os interesses particulares, ou de grupos específicos estão acima das necessidades do povo brasileiro.

Agora, estamos entrando em outro período eleitoral. E antes mesmo de começar oficialmente, os ataques sujos já começaram. As notícias falsas ou distorcidas já estão bombando nos grupos de notícias no WhatsApp e páginas de pseudo-jornalistas, que não tem nem a decência de fingirem que não estão defendendo certo candidato.

A esperança é a última que morre, e mesmo que ela respire com a ajuda de aparelhos, ainda está viva, sobretudo neste ano em que teremos candidatos novos, que poderão ter o mesmo destino que Gomide teve em 2008, quando os principais candidatos morreram abraçados se atacando e quem apresentou propostas sólidas acabou eleito.

Vamos esperar para ver, enquanto isso, acompanharemos todos os bastidores da eleição municipal, e partilharemos com você, estimado leitor, tudo que for relevante. Principalmente, desmascarando o jogo sujo tão impregnado em nosso processo eleitoral.

 

Bruno Rodrigues Ferreira é jornalista, psicólogo, especialista em Tecnologia e Educação e Gestão em Saúde. Siga- o no Twitter: @ferreirabrod

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