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X-Men: Apocalypse

A partir de hoje, o Portal 6 vai trazer pra você, toda sexta, uma dica de cinema para o fim de semana. Além disso, sempre que falarmos de um filme, vamos dar uma nota de 1 a 6 para ajudar a você a decidir se deve assistir ao filme ou não. O filme desta semana é a grande estreia X-men: Apocalypse.

Em 2000, estreava o primeiro filme do universo X-Men, mostrando super-heróis com um tom maior de seriedade. O filme trazia para a tela pessoas que apresentavam características genéticas que lhes garantia superpoderes, chamados de mutantes. Alguns perceberam que era possível tirar proveito de seus poderes. Começava um embate entre os super-humanos comandados pelo Professor X, que acreditam que humanos e mutantes poderiam viver em harmonia, e o super-vilão Magneto, que vê a raça humana como inferior. O grande destaque do filme foi o anti-herói Wolverine com garras de adamantium (um supermetal fictício), que lhe rendeu dois filmes solo.

De lá para cá, muita coisa mudou no cinema. Os X-men abriram as portas para um mundo fantástico, e os heróis passaram a ser vistos como uma grande fonte de renda, com público cativo. Tanto a Marvel quanto DC, maiores editoras de quadrinhos do mundo, investiram em filmes de seus heróis. E a Fox, tirou proveito dos X-men, realizando duas trilogias do grupo de mutantes, além dos filmes solos de dois mutantes famosos: Wolverine e Deadpool.

O terceiro filme dos X-men foi bastante criticado, e a Fox caminhou por outro lado, recomeçando a história com o elogiado X-men: primeira classe, mostrando a origem do grupo. Depois, o diretor Bryan Singer, que também dirigiu os dois primeiros filmes, amarrou todas as pontas soltas, entre as duas trilogias, com o fantástico X-men: dias de um futuro esquecido. Agora com X-men: Apocalypse o diretor encerra de maneira grandiosa a segunda trilogia.

Sabendo da responsabilidade sobre o filme, o diretor faz piada com a situação, de forma sutil, quando a jovem Jean Grey, saindo do cinema em que estava sendo exibido “O retorno de Jedi”, e diz que concordam que o terceiro filme é sempre o pior”. Uma afirmação que não é justa sobre este filme, apesar das severas críticas feitas pela mídia especializada, dadas as forçadas comparações com outros filmes de heróis recentes.

O filme, porém, tem seus pontos altos. E não deve ser comparado com outros grandes filmes de heróis lançados nos últimos meses. O universo fantástico de X-men vai além da diversão sem compromisso de outros blockbusters de sucesso, e levanta reflexões que podem ser aplicadas ao nosso “mundo real”. O diferente sempre assusta. Em uma cena a personagem mística diz que eles são tratados bem, porque estão em alta na mídia, mas que por dentro os humanos “normais” ainda os odeiam. Qualquer semelhança com a realidade de diversas minorias é mera coincidência.

A trama do filme gira em torno do vilão Apocalypse, que seria o primeiro mutante da história da humanidade. Um ser imortal e superpoderoso, que após passar milhares de anos adormecido, desperta com sede de vingança contra “seu povo” que o traiu e passou a seguir falsos deuses. Ele começa então a jornada para retomar o controle sobre o planeta, que ele alega ser seu.

Do outro lado, o professor Xavier e seus pupilos, que ainda são apenas jovens estudantes, descobrindo seus poderes, lutarão com a Ajuda de Mística, Fera e a Humana Moira, para salvar o mundo da dominação do novo tirano, que tem ao seu lado quatro seguidores, que são a personificação dos quatro cavaleiros do Apocalipse, Anjo, Tempestade, Psylocke e Magneto, que nunca foi totalmente um vilão no universo X-men.

Um dos maiores destaques do filme é o personagem Mercúrio, que tem um dos melhores momentos no filme, ao som de Sweet Dreams. Só esta cena já valeria o ingresso. Mas o filme tem diversos momentos bons, como a cena com o Wolverine que é um fan-service, fazendo referência clara à série em quadrinhos Arma-X.

Todos os personagens têm bons tempo de tela, com exceção de Psylocke que é mal aproveitada, e cada um, sua importância no enredo. Apenas Ciclope, que continua sendo retratado como um babaca, que deixa a desejar na trama. Por outro lado, a Jovem Jean Grey é retratada com maestria pela atriz Sophie Turner, a Sansa Stark de Game of Thrones.

O filme não é uma obra-prima do cinema, mas tem um roteiro bacana e efeitos especiais fantásticos. Promete agradar principalmente os fãs da saga, o que não quer dizer que não vá divertir os espectadores de primeira viagem. Como todo filme da Marvel, tem aparição do Stan Lee. Além disso, fique até o final dos créditos, pois tem uma cena que serve de gancho para o próximo filme do Wolverine.

 

NOTA: 5/6

Ficha Técnica

Direção: Bryan Singer
Elenco: James McAvoy (Professor Xavier), Michael Fassbender (Magneto), Jennifer Lawrence (Mística), Oscar Isaac (Apocalypse), Rose Byrne (Moira MacTaggert), Nicholas Hoult (Fera), Alexandra Shipp (Tempestade), Lucas Till (Destrutor), Sophie Turner (Jean Grey), Josh Helman (William Stryker), Tye Sheridan (Ciclope) e Evan Peters (Mercúrio).

Bruno Rodrigues Ferreira é jornalista, psicólogo, especialista em Tecnologia e Educação e Gestão em Saúde. Siga- o no Twitter: @ferreirabrod

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