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Passe pelo seu passado e valorize o seu presente

O tempo é algo que as mãos humanas não conseguem dominar. Claro, é intangível. Nossa idade é medida em tempo, por isso todos nós passamos com o tempo e o tempo passa com tudo o que há no mundo. De fato, o tempo é a dinâmica da nossa consciência em si mesmo e dessa dinâmica surgem as experiências e com elas caminhamos e fazemos nossa história. E o tempo passa, e passa rápido.

Apesar de todos saberem dessa realidade, muitos se auto boicotam “aparentando ser” e vivendo sempre da poeira do passado. Fantasiam angustiadamente recordações que a impedem de prosseguir e vivenciarem o presente com verdade, não conseguem perdoar ao outro nem a si mesmo – desejando ter o poder de mudá-lo. Idealizam um passado com tamanha amargura que acaba atrofiando sua capacidade de construir o amanhã, apesar de sair por aí distribuindo sorrisos amarelos, fingindo estar bem, quando está vivendo de ilusão e em função do tempo decorrido. O que foi, foi; nada pode ser alterado. O que pode alterar hoje é a consciência de ser e fazer algo melhor pro amanhã e respeitando assim cada estação de sua vida.

Muitos parecem estar abobados, confusos e alheios, sem perspectiva sequer pra daqui cinco anos em seu caminho existencial. Sentem-se incapazes de transformar-se renovando seus pensamentos para trazer à luz da realidade algo que desejam (ou pelo menos deveriam) ser como ente do bem. Vivem de passado e escalados no “eterno baile de máscaras” construindo em si exemplos de “bom comportamento”, mas sendo destinado ao consumo do olhar alheio, para que pensem que são bons demais; mas por dentro é choro, lágrimas, ressentimento, lamúrias, ódio, desejo de vingança.

A fixação em “parecer” ser bom já denuncia que a realidade não procede da verdade daquilo que somos no tempo hoje, mas fica nítido o esforço visceral do marketing pessoal para que os olhares ao redor lhe enxergue superior. A única atitude genuína que pode causar impacto positivo em nossas vidas sempre será gerada pela verdade de quem somos, não de quem fabricamos. E enquanto isso o tempo passa… Entenda que camuflar suas verdades é abrir mão de sua plena humanidade.

Mesmo sabendo disso, tantos perdem tempo vivendo algo que não é, sem o mínimo de bom-senso e coerência, vendendo um estereótipo falsificado de si mesmo e com o olhar sempre avistando a penumbra de um passado, desejando algo que se não foi, jamais será.

O ser que assim vive se entrega às paixões, carências e sempre aponta o outro como culpado de suas frustrações passadas – para disfarçar aquilo que é tenebroso em si mesmo, pois sua imagem jamais pode ser duvidosa para quem a compra.

Representar ser o que não é, enquanto procura refúgio numa ilusão do tempo obsoleto, o futuro deixará de ser uma realidade benfeitora pra si. Será que vale a pena sustentar uma máscara de bom moço ou de boa moça, enquanto o rancor domina seu coração e sua alma anda algemada na cadeia do passado?

Valorize seu presente. É hoje. Enxergue-se. Mude.

Deniza L. Zucchetti é escritora nas horas vagas e mãe em período integral

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