Prefeitura de Mariana acusa Samarco de descumprir acordo sobre mão de obra local

A Prefeitura de Mariana (MG) informou que irá notificar a mineradora Samarco por descumprir o acordo que prevê a contratação de trabalhadores do município para a realização de obras na cidade após o desastre ambiental causado pela empresa. Nesta sexta-feira (17), o prefeito Duarte Júnior visitou construções da empresa no distrito de Cláudio Manoel e verificou que uma empresa de outro município estava em atividade no local.

Segundo a prefeitura, a utilização de mão de obra local nas obras da Samarco é uma das cláusulas do acordo realizado entre a mineradora, suas acionistas Vale e BHP Billiton, o governo federal e os governos de Minas Gerais e Espirito Santo.

Homologado pela Justiça, o acordo prevê investimentos de R$20 bilhões ao longo de 15 anos e tem como objetivo reparar os danos causados pelo rompimento de uma barragem da Samarco no distrito de Bento Rodrigues, em novembro do ano passado. Maior tragédia ambiental do Brasil, o episódio causou 19 mortes, deixou diversos desalojados, provocou destruição de vegetação nativa e levou poluição à Bacia do Rio Doce.

O intuito da cláusula que prevê o uso de mão de obra local pela mineradora é gerar emprego e renda e contribuir para melhorar o cenário econômico das cidades atingidas. Um dos principais problemas enfrentados atualmente por Mariana é o aumento do desemprego. Segundo a prefeitura, a Samarco contratou uma empresa de outra cidade para dar início às obras de recuperação dos prejuízos. Além de pedir uma reunião com a empresa, o município pretende acionar o Comitê Interfederativo criado para supervisionar o cumprimento do acordo, formado por representantes do Poder Público.

Especialização

Em nota, a Samarco disse que mais de 90% dos trabalhadores contratados em Minas Gerais para as obras de reparação dos danos da tragédia de Mariana são de origem local. Segundo a mineradora, no caso do distrito de Cláudio Manoel, a maioria dos contratados são moradores de Mariana e das vizinhas Barra Longa (MG) e Ouro Preto (MG). A exceção seriam trabalhadores especializados, cuja mão de obra local foi insuficiente para atender às necessidades específicas das obras.

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