Meu filho assumiu que é gay, o que faço?

Nessas quase três décadas como psicólogo percebi que em algum momento de suas vidas, os jovens homossexuais, que tinham escolhido tal opção para relacionamentos casuais ou duradouros se depararam com uma situação comum: como contar aos pais que eram e tinham assumido a homossexualidade. Os preconceitos, medos, inseguranças, vinham à tona antes de contar, e a angustia tomava conta nas semanas anteriores, mas havia um alívio depois da conversa. Esse alívio não significava necessariamente a paz. Mas como ficam os pais nessa história. Primeiro que já existe uma diferença de projetos de vida, enquanto o filho busca aceitação por parte dos pais com intuito de viver o que deseja, seus pais até então viviam um projeto de configuração familiar pré-estabelecido, antes mesmo dos seus filhos nascerem. O filho, por sua vez considera isso um absurdo e aponta que os pais não podem desejar algo que implica na liberdade dele, buscam, dessa forma, uma justificativa para sua liberdade.
 
Porém o problema não se resume ao exposto, além dos pais terem um projeto de família, também foram educados de forma diferente trinta, quarenta, cinquenta anos atrás. Um outro momento social contribuiu para a formação da personalidade, que hoje, precisa lidar com uma mudança de valores numa velocidade nunca antes registrada. Uma sociedade que trazia os preconceitos tão arraigados que eram considerados “normais”, um pai que comungou estes como certo para sua vida e com eles idealizou seus sonhos. Como lidar agora? Como lidar com os amigos que também foram educados dessa mesma forma, que contam piada de gays, que apresentam o preconceito abertamente? Muitas vezes esse próprio pai estava nesse papel contando piadas. E agora como lidar com seus valores, seus amigos, seu futuro já idealizado e seu amor pelo filho?
 
Já vi pais entrarem em depressão, não tanto por saber que o filho optou pela homossexualidade, mas por não saber lidar com seus amigos, e nem com seu próprio sonho de família. O fato do filho assumir a homossexualidade não termina com a possibilidade de família, apenas muda a configuração e é isso que precisa ser trabalhado. Não é porque existiu um modelo até então estabelecido que não possa mudar e o novo ser aceito. Cabe aos pais rever seu conceitos e preconceitos, escolher que seu amor pelo filho, pela família é maior do que o preconceito que até então ditou seu modelo de família. Esse é um assunto complexo e não se resume a essa situação, este é um ponto que precisa ser trabalhado nas família, escolas, sociedade em geral. É possível que algum amigo seu esteja passando por esse problema, compartilhe ajude amigos e famílias.
 
Flavio Melo Ribeiro é psicologo e blogueiro. Escreve toda semana. Contato: flavioviver@gmail.com 

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