Como surgiram as histórias em quadrinho?

Há bastante discussão quanto ao nascimento exato da história em quadrinho, mas a maioria dos autores parece concordar que a arte nasceu nos Estados Unidos. Foi lá que os padrões das atuais HQs primeiro se fixaram para, só então, ganharem o mundo.

Além dos balões, podem ser destacados: o uso de sinais gráficos como as onomatopéias (para a tradução dos sons) e as pequenas estrelas sobre a cabeça de um personagem (indicando dor ou tontura); o uso de linhas para separar um quadro de outro e estabelecer um sentido de evolução no tempo entre as cenas representadas; o uso de tiras para mostrar uma “voz do narrador” dentro da história; entre outros.

Quando os jornais e revistas tornaram-se populares, a partir da virada do século XIX para o XX, a história em quadrinho tornou-se imensamente conhecida em todo o mundo. E o mais legal é que tanto crianças em idade de alfabetização quanto idosos colecionadores se encantam pelos quadrinhos!

Apesar de nunca terem sido oficialmente batizados, os quadrinhos receberam diferentes nomes nos diversos países em que se estabeleceram. Por exemplo, nos EUA, eram chamados de “comics”, pois as primeiras historinhas eram de humor, cômicas. Na França, eram publicadas diariamente nos jornais em tiras ou “bandes” e ficaram conhecidas por “bandes-dessinées”. Na Itália, ganharam o nome dos balõezinhos ou fumacinhas, “fumetti”, que indicam a fala das personagens. Na Espanha, chamou-se de “tebeo”, nome de uma revista infantil (TBO); da mesma forma que, no Brasil, chamou-se por muito tempo de “gibi” (também nome de uma antiga revistinha).

HQs no Brasil

No livro “A guerra dos gibis – a formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos, 1933-64”, o autor Gonçalo Junior explica que Adolfo Aizen e Roberto Marinho são os maiores responsáveis pela chegada das histórias em quadrinhos ao Brasil (uma novidade americana que a partir dos anos 30 se tornou uma febre entre crianças e adolescentes).

Aizen lançou, em 1934, o “Suplemento Infantil”, porta de entrada no País dos heróis de aventuras “Flash Gordon”, “Jim das Selvas”, “Buck Rogers”, “Mandrake” e “Tarzan”. (Pergunte aos seus pais ou avós se eles se lembram dessas HQs que fizeram muito sucesso há algumas décadas.)

O Brasil não tinha tradição de publicar histórias em quadrinhos até a viagem de Adolfo Aizen aos EUA, em 1933. Mas a caricatura e a charge (espécie de desenho que zomba ou critica um acontecimento político da atualidade) já apresentavam grande força na imprensa diária desde a segunda metade do século XIX.

De forma curiosa, porém, o Brasil foi um dos pioneiros no mundo a usar a narrativa ilustrada em seqüência, muito semelhante aos quadrinhos de hoje, com a diferença principal de que as primeiras histórias não traziam balões, mas legendas embaixo de cada quadro.

De acordo com Gonçalo Junior, o mais importante autor do gênero foi Angelo Agostini (1843-1910), que lançou várias publicações importantes, marcadas por humor político e muitas ilustrações, como “Vida Fluminense”. Duas de suas criações em especial são consideradas umas das primeiras modernas histórias em quadrinhos no mundo: “As aventuras de Nhô Quin” (1869) e “As aventuras de Zé Caipora” (1883). O “Tico-Tico”, revista infantil lançada em 1905 por Angelo Agostini, misturava quadrinhos com passatempos, educação e contos, tendo circulado por 54 anos!

No Brasil, as histórias em quadrinhos foram chamadas durante algum tempo de historietas em quadrinhos ou apenas historietas. Foi assim até meados da década de 60, quando ficaram conhecidas como são hoje. As revistas em quadrinhos ou revistinhas receberam o diminutivo por causa do formato reduzido a partir dos anos 50 e do público-alvo – crianças e adolescentes. O termo gibi, como muitos preferem chamar hoje, nasceu do título de uma famosa revista semanal lançada por Roberto Marinho em 1939. (Gibi quer dizer negrinho.)

Ao longo da história, alguns políticos brasileiros “encrencaram” com as revistinhas em quadrinhos e até pediram censura urgente aos gibis. Outros consideravam os gibis bastante educativos: o grande sociólogo Gilberto Freyre (1900-1987), por exemplo, queria uma versão da Constituição em quadrinhos. Boa idéia, não?

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