Aparelhos eletrônicos estão substituindo livre brincar, aponta pesquisa

(Foto: Reprodução/ABr)

As crianças estão brincando cada vez menos, e os pais têm plena consciência dessa mudança no comportamento infantil. Segundo a pesquisa “Valor do Livre Brincar, encomendada pela marca OMO, 84% dos pais entrevistados acreditam que as crianças não conseguem brincar tanto quanto deveriam.

Já 64% dos entrevistados acham que seus filhos têm menos oportunidades para brincar do que eles tinham, e 93% concordam que as crianças não brincam da mesma forma que eles brincavam quando pequenos.

s resultados da pesquisa, realizada em dez países com a participação de 12.170 pais e mães, inspirou o movimento “Livre Para Descobri”r, que estimula as crianças a brincarem, explorarem e experimentarem mais.

“Brincar com liberdade de movimentos físicos envolve a criança inteira: corpo e imaginação, sentimentos e pensamento. Isso potencializa suas capacidades e as desenvolve sinergicamente”, defende Vital Didonet, pedagogo especialista em políticas públicas para a primeira infância.

Na contramão do declínio do livre brincar, o brincar conectado revela-se uma tendência global. No Brasil, 85% dos pais concordam que as crianças, frequentemente, não querem brincar sem tecnologia, ao mesmo tempo que 84% deles acreditam que seus filhos são mais criativos quando brincam sem eletrônicos. Para Didonet, uma forma de trabalhar essa questão é combinar com a criança tempos para cada atividade. “Mas os próprios pais devem gostar de brincar com aparelhos eletrônicos e sem eles e participar de ambas as brincadeiras com seus filhos. As crianças dão valor àquilo que elas veem ter valor para os adultos”, enfatiza.

A preferência das crianças pela tecnologia é revelada em outro dado da pesquisa: 89% dos pais brasileiros dizem que seus filhos preferem brincadeiras com esportes virtuais à prática esportiva real. “A tecnologia parece mágica. Você esfrega o dedo na tela e ela muda, vira a página. Faz um clique num pontinho e, plim, aparece nova imagem. Além disso, ela trabalha com a curiosidade, usa o elemento surpresa, aprova e desafia a criança”, descreve Vital.

Para o especialista, porém, diante da telinha, a criança apenas “responde ou corresponde”, ao passo que com brinquedos não tão estruturados, que requerem a imaginação e a iniciativa da criança, ela tende a se tornar sujeito, a decidir com mais liberdade, a controlar melhor a direção da sua brincadeira. “Ela é menos cobrada e, portanto, se sente mais leve e livre”, pondera.

Para reequilibrar a rotina das crianças é necessário mais do que conscientização e disposição. É preciso frear as cobranças e os superestímulos na vida escolar. Segundo o estudo, 75% dos patriarcas admitem ter dificuldade de equilibrar o tempo das crianças para que tenham atividades suficientes de aprendizado e desenvolvimento de alta qualidade, esquecendo que a melhor forma de a criança se desenvolver é, justamente, o brincar livre.

Ao que tudo indica, se essa realidade não começar a ser revista, os 95% dos pais que acreditam que com a popularização da tecnologia as brincadeiras tradicionais tendem a morrer estarão com a razão.

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