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Não se engane: fazer o bem e ser do bem vale muito a pena

Engana-se quem pensa que a Vida se faz de cega e esquecida quando plantamos o mal ao redor. Muitos vivem sem a menor responsabilidade consigo mesmo, agindo como se tivessem passe livre para a perversidade e que consequência nenhuma irá se estabelecer como julgamento em sua existência. São néscios.

Mas você pode questionar a respeito daqueles que são maquiavélicos, dissimulados, manipuladores, cínicos, arrogantes e prosperam. Aparentemente as coisas para eles são mais fáceis, gozam de saúde perfeita, não sofrem perseguições, mas perseguem e estão sempre numa categoria de vantagens. São altivos, cheios de orgulho, destroem os simples com sua língua, oprimem e parece que tudo o que fazem não tem efeito contrário. São bem vistos, parecem ser os melhores amigos que um homem poderia ter, tem uma família estruturada e lindos filhos, são religiosos. E suas vidas ficam ao que parece, melhor a cada dia.

Se julgarmos com o critério daquele que possui tudo como sinônimo de boa semeadura e daquele que vive levando sova da vida como péssima semeadura, iremos entrar num julgamento um tanto quanto duvidoso. Muitos têm a inocência em suas mãos e são afligidos, enquanto muitos dos que praticam o mal conquistam sempre, tem em abundância e nada lhes acontece – ao nosso olhar.

Alguns se sentem iludidos por viverem num caminho reto, como se não valesse a pena. Será mesmo que a maldade traz todo esse lucro? Se alguém planta o que é mal, mas colhe tantos bens, onde fica a justiça?

Deus é bom para com todos que mantém o coração limpo. A questão é que nós só vemos até onde nossos olhos alcançam. O exterior nos mostra algo que contradiz o interior.

Ninguém enxerga o caos que pessoas perversas vivenciam em si mesmos. Ninguém vê que sua colheita pode ser interna – psicológica, emocional, espiritual – e que se não houver mudanças, também será eterna. E no momento em que a vida der seus reveses, tal pessoa não tem base nenhuma e será surpreendido quando ficar de cara com o terror. Pessoas más não são felizes apesar de aparentemente estar desfrutando do “melhor desta terra”. Felicidade é fruto diário do que plantamos, de nossas escolhas responsáveis.

Paradoxalmente os bons sofrem. Sofrem perdas, sofrem perseguições, são alvos de mentiras, adoecem, nem sempre prosperam, choram, mas sua alma é feliz.

Feliz, pois sua escolha foi o bem no semear, pois o desenvolver de sua consciência está na vivência real das coisas essenciais, na verdade e não no cinismo, pois no trilhar do caminho a despeito das pedras de tropeço se levanta e caminha com dignidade. Feliz, pois ao deitar sua consciência o aprova. Nunca vi gente boa e feliz contendendo, atropelando, militando e tentando azedar a vida alheia. Mas o inverso é verdadeiro.

Quando a Vida fizer a chamada, aquele que é mal responderá por tudo sozinho. Pessoas que escolheram assim viver, que deliberadamente fizeram a escolha pela maldade e pelo pseudo-poder que ela dá a quem carrega, se colocaram na existência em um lugar escorregadio – caem em destruição, de fato sua consciência estava apenas nos bens e na aparência – nada disso o validará, pelo contrário, de súbito serão assolados e essa é sua perdição. O efeito bumerangue os encontrará no meio do caminho.

O importante é não descrer da bondade como o melhor caminho e elevada semeadura para nossa vida. Descarte todo tipo de existência em que a motivação seja a tolice e o mal – mesmo que com ela venha uma “felicidade” fantasiosa.

Não fique desiludido por causa da maldade alheia. Não recue, não desvie seus passos do caminho interior que prosseguia, há recompensa melhores que tesouros e oportunidades. Não se compare a eles, isso destrói o coração e corrompe o ser. Nossa semeadura transcenderá o material. Nossa prosperidade é ser casa de Deus.

Deniza Zucchetti é professora por vocação, quase Relações Internacionais, escritora por amor nas horas vagas e mãe de dois lindos filhos em período integral. Escreve todos os sábados.

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