Perdoar é fazer justiça ao coração

Parece injusto perdoar o outro pelo mal que ele lhe fez. Nem tanto é uma questão de justiça e sim daquilo que lhe fará bem. O perdão não nos faz esquecer o que fizeram contra nós, mas tira os sentimentos ruins e as emoções negativas. É desnecessário perpetuar o mal que fizeram em nós. No ato do perdão é retirado o peso da maldade alheia que nos acometeu, a ferida é sarada e tudo o mais que vem a reboque é sanado. Recusar perdão é proliferar, aumentar as dores e tornar-se maldoso duas vezes.

Desistir da ofensa do outro, abrindo mão de ficar sentindo pena de si mesmo, da insistência em lamber as feridas, das razões que você nunca deu – mas resolveram assim mesmo lhe tripudiar, maldizer, apontar contra sua verdade e sinceridade – é desafiador. Se sua consciência te absolve, não carregue pra todo lado esse defunto a tira colo.

No que depender de você tenha paz com todos, inclusive consigo mesmo – é fato que a falta de perdão tira a paz, o sono, o sossego, a alegria. Se militarem contra você, sacode a poeira dos seus pés e continue trilhando o caminho sem fardos. A falta de perdão é um dos piores pesos para o coração, e quem reconhece o quanto foi perdoado, perdoa.

Falta de perdão nos tira a percepção das maravilhas de Deus em nós, enegrece a alma, aflige o espírito, tira de nós a satisfação das pequenas realizações diárias e o sorriso verdadeiro. Torna a existência amarga.

Falta de perdão dói. É como uma caldeira de óleo quente na pele da gente. A alma amarga as angústias e aflições de um passado que não mudará. O espírito se definha nessa redoma de coitadismo do qual o enclausuraram. Não se torture.

Se pudermos aprender e absorver ensinamentos a partir do ocorrido, que cresçamos no perdão. Se não acontecer do outro por orgulho pedir o seu perdão, que infeliz a realidade dele! Então, que parta de nós o liberar pra vida! Não espere pedidos de perdão de quem enxerga em você aquilo que ele odeia em si mesmo. Não espere pedido de perdão daquele que te odeia por ser referência daquilo que ele gostaria de ser. Aquele que perdoa a despeito da dor que lhe causaram, compreendeu que a vida não se restringe a uma guerrinha ferrenha de quem está certo ou errado. Entendeu que o justo inclusive se dá por satisfeito em silenciar-se mesmo nas injustiças.

Esse silêncio, só aguenta quem tem consciência do que se é! Enquanto os covardes vociferam razões para não pedir perdão e para nunca perdoar, os corajosos preferem ter paz. Uma paz que excede todo o entendimento, que nos anui diante de Deus, dos anjos e dos homens, que nos justifica mesmo quando justificativa e explicação nenhuma há.

Basta a nós essa paz, que nos faz caminhar tranquilos, sem pesos, sem mágoas, sem sofreguidão, sem pena de si mesmo, sem a racionalização e razões a dar. Se lhe pedirem perdão, se alegre, pois alguém resolveu crescer e se tornar gente. Caso isso não aconteça, libere-se pra viver em paz. Apenas isso, caminhar, em paz… e perdoando e continuando a caminhar. Em paz.

Deniza Zucchetti é professora por vocação, quase Relações Internacionais, escritora por amor nas horas vagas e mãe de dois lindos filhos em período integral. Escreve todos os sábados.

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É jornalista, psicólogo e especialista em Tecnologia e Educação e Gestão em Saúde