Não queira morrer na escuridão de si mesmo

Gosto da analogia em relação às arvores. De fato, seremos como uma árvore frondosa junto aos rios quando decidimos enraizar-nos na Verdade de forma profunda e indissolúvel, assimilando assim conceitos e princípios mediante a vivência diária em conformidade com a luz divina, criando raízes de verdades em nossos corações.

A árvore que recebe iluminação cresce e suas raízes se aprofundam. Interessante essa comparação em relação a nós, pois quanto mais luz recebermos mais se manifestará “assuntos” intrínsecos de nossa alma dos quais não sentimos orgulho – e se com coração humilde não resistirmos à exposição da luz, com ela virá o auto confronto. Para a absorção da luz as trevas precisam dar lugar a ela. Caso haja resistência a essa exposição e à consciência diante da revelação de quem se é, tais luzes se tornam trevas dentro do ser, e nosso estado se torna pior que o primeiro.
Aquelas raízes terríveis que crescem dentro do coração e que distorcem nossos conceitos e valores, que atrapalham nosso desenvolvimento como gente, nosso amadurecimento pacificado no ser, nossa compreensão e entendimento tão essenciais no trilhar da vida, torna a pessoa alienada, endurecida, perversa e idólatra de si mesmo.

Tal dificuldade em se enxergar e aceitar o flagrante da alma acaba por tornar o caminhar escorregadio àquele que resiste a verdade do coração, pois vai ser obrigado a conviver com aquilo que não gostaria de saber, de enxergar, de ter que encarar e mudar. Muitos diante da Luz pioram-se. Pioram, pois no percurso e na exposição a si mesmo, em se enxergando decidiram obstinadamente continuar em trevas, tendo como base o cinismo puro e simplesmente, aprofundando suas raízes em regrinhas confortáveis e aceitáveis dentro do conjunto de importâncias que a seu critério é tomado como válido para viver.

Gente que tomou tal decisão escolhe a seletividade daquilo que a vaidade diz ser interessante assumir diante dos outros para aparentar “corajoso e iluminado”, e oculta àquilo que a luz o obriga a enxergar, mas infelizmente o envenena. Tornam-se raquíticos, egoístas, presunçosos, arrogantes, intratáveis.

É fácil expor o que é bonito, louvável, admirável e digno de aplausos. O difícil é se enxergar e admitir as fraquezas, fragilidades, dubiedades e o que é mau. Vivem iludidos, acreditando que em algum momento esses monstros vão desaparecer – mas não vão mesmo! Quanto mais se nega, maior se tornam as trevas.

Aquele que não recusa se confrontar, que compreendeu que a Luz se faz necessária pra que a gente se enxergue, que desenvolve sua consciência na verdade e que não se sente insultado diante do horror e a pesada realidade no ser, que sente sede pela regeneração, a esse mais crescimento positivo virá.

Sim, pois o que interessa não é apenas o autoconhecimento em si na direção da luz, mas o que esse conhecer em direção à luz resultará em nós. Diante dos flagrantes haverá mudanças ou apenas escolheremos nos esconder com folhas de figueira aquilo que consideramos vergonhoso caso fosse exposto diante de todos?

A pessoa que diante da Luz enxerga-se na alma e no auto confronto abraça a verdade, e que mesmo diante do desconforto e da dor aguda que é se ver totalmente nu, diluído, cheio de lama e fétido, em humildade e constrangimento decidir transformar-se e renovar-se, amando a Deus sobre todas as coisas – e no amor a Deus logo se negará, assumindo a perspectiva divina para a essência no viver – e em arrependimento voltar seu rosto à Luz; esse mais iluminação receberá, crescerá, dará frutos na estação própria e descobrirá que o amor à Deus é o caminho sobremodo excelente e é o que nos elege como filhos amados

Deniza Zucchetti é professora por vocação, quase Relações Internacionais, escritora por amor nas horas vagas e mãe de dois lindos filhos em período integral. Escreve todos os sábados.

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É jornalista, psicólogo e especialista em Tecnologia e Educação e Gestão em Saúde