Goianas do vôlei sentado miram medalha nas Paralimpíadas

(Foto: Divulgação)

Cerca de 15 minutos antes do horário combinado, o professor Guedes chega a um ginásio, localizado na região central de Goiânia, e prepara o ambiente. Com zelo, ele joga água no piso e passa o rodo. Espera algum tempo até secar e arma as redes. Depois fica de olho no portão de entrada, esperando por suas pupilas.

A relação de afeto se confunde com a de pai e filhas. Mas quando o apito toca, logo depois do alongamento, a cobrança indica que se trata mesmo é de um técnico querendo ver o melhor que cada atleta pode oferecer. Esse é o bastidor de uma rotina cujo único objetivo é o pódio olímpico.

José Guedes, esse que prepara o ginásio para depois treinar as goianas, é professor da rede pública estadual de Educação e também técnico da seleção brasileira feminina de vôlei sentado. Entre as suas convocadas para as Paralimpíadas Rio 2016, lista divulgada no mês de junho, estão Adria de Jesus, Jani Freitas, Nurya de Almeida e Pâmela Pereira, atletas beneficiadas pelo Pró-Esporte, programa do Governo de Goiás.

Superação

As goianas chegaram ao Rio de Janeiro de cabeça erguida e com a certeza de que superaram o maior desafio enfrentado até hoje: todas ficaram com sequelas após sofrerem acidentes de trânsito e deram a volta por cima ao optarem pela prática do esporte de forma profissional. Trata-se de um estilo de vida.

Jani, de 29 anos, lembra que o vôlei sentado mudou sua forma de encarar a própria realidade. Ela perdeu parte da perna esquerda depois de ser atropelada por uma motocicleta, em 2008. “Pensava que só eu era amputada e que não poderia mais ter uma vida comum. Foi quando me apresentaram o vôlei sentado. Me apaixonei desde o primeiro dia. O que sou hoje é por causa do esporte”, diz a atleta e também fisioterapeuta.

Essa está sendo sua segunda experiência na seleção brasileira em Paralimpíadas. “Fui para Londres, na edição de 2012, e ficamos em quinto lugar. Foi uma experiência incrível, mas faltou algo. Nosso objetivo hoje é conquistar um lugar no pódio, não importa a cor da medalha, aí sim vai ficar completo”, comenta.

Rotina e desafio

De acordo com Guedes, maior que a distância geográfica entre as atletas convocadas é a vontade de fazer dar tudo certo e proporcionar um belo espetáculo. “A torcida brasileira ficou bem acostumada com nosso voleibol, tanto na areia quanto indoor. O Brasil é favorito nas competições que participa. É natural que no voleibol sentado a torcida também espere essa mesma tradição de brigar por medalhas. Felizmente iremos brigar por medalhas sim”, afirma.

A equipe brasileira já está em concentração em Volta Redonda, no Rio de Janeiro, onde fica até quarta-feira (31). De lá, as jogadoras seguem para a Vila Paralímpica.

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