A necessária chuva que chega e revigora

Exaustão, cansaço, desânimo, dificuldade em respirar, apesar de que a respiração acontece independente de nós; o inspirar e expirar tão natural da vida se tornava em pura fadiga, até mesmo o simples ato de dormir se transformou numa tortura justificável. A terra seca, árida, sol escaldante, mormaço, o ar parecia estar condensado em fumaça e poeira; como se essa fosse a sina da qual deveríamos nos acostumar, a sequidão, o clima de deserto, a pele queimada, a irritação do desconforto diário.

Mas como tudo tem seu tempo debaixo do sol… De repente ouço o cantar dos pássaros, saudando a novidade que vem com tal simplicidade, como se nada, exatamente nada estivesse acontecendo e ressecando a terra. Incrível como a criação consegue discernir e exaltar a Deus pelas Suas manifestações tão poderosas e em tempo. Os pássaros sabiam que a chuva viria, apesar do céu não demonstrar tamanha empolgação pra tal coisa.

O remédio sempre vem a despeito da ferida, o bálsamo sempre vem a despeito da dor, a chuva sempre vem a despeito do sol, porque tudo é Graça!!! E que alegria finalmente sentir o frescor, o alívio do descontrolável calor que atormentava.

Não podemos mudar o curso da terra (e mesmo que pudéssemos não seria sábio, responsável e nem saudável, de fato ninguém gostaria de encarar catástrofes e destruição por não se sujeitar ao calor), não podemos impedir nosso corpo de sentir o aquecimento que tanto nos apavorou e nos colocou em total exposição aos raios, que se não ficarmos atentos aumenta a vulnerabilidade de nossa saúde. Não podemos diminuir a temperatura para que nossas narinas não sintam o ardor de inspirar um ar tão pesado, e nem dar o alívio para o pulmão que trabalha dobrado apesar do cansaço que o corpo todo sente por conta disso. Podemos até tentar a dança da chuva, mas não conseguiríamos obrigar as nuvens a se desmancharem em partículas de água, mudando a condição climática.

E assim é em todos os âmbitos de nossas vidas – espiritual, emocional, psicológica – a fornalha que nos torna vulneráveis na alma, no vigor do espírito, nas emoções que se machucam – mas é nela que nossa fé é burilada, nossas forças aprimoradas, onde nossa ousadia que caminha na intimidade e certeza de vida com o Senhor, faz aplacar a força do fogo e do calor.

Então, podemos assim como os pássaros, saudar a benção da chuva, e agora sim em posição de gratidão, saltar e dançar nela, abrir um sorriso largo, deixar que ela nos molhe da cabeça aos pés, nos lavando, tirando a poeira deixada pelo pó da sequidão, aliviando e curando a ferida que insistia em ficar aberta, ardendo e reclamando sua dor pela exposição ao sol, nos redimindo, nos despertando para um novo ciclo de vida, ciclo das bênçãos do Senhor, que chega em forma de Graça que se desmancha em gotas suaves, trocando o suor do rosto e as lágrimas pela chuva que desce delicadamente por todo o corpo, envolvendo como um toque suave das mãos de Deus.

Vem-me a alma o cheiro da chuva, como de um vento que traz o perfume da terra umedecida, sementes que morreram se abrindo, vontade de amar com mais profundidade a quem já amo, e de estreitar laços de amizades com uma nova disposição de viver com alegria, intensidade, temor e reverência, abraçando o amor, a justiça, a bondade, a verdade e retidão.

Deus dá a chuva a todos, existem muitas chuvas que nos prestigiam com sua chegada; chuva essa que nos convida a tirar a armadura no meio do dia, virar criança e brincar em grama molhada, completamente desarmados pra receber e aproveitar tudo que o Senhor tem pra nós nesse novo tempo.

Graça! Novos ares! Novo fôlego! Renovação!

Deniza Zucchetti é professora por vocação, quase Relações Internacionais, escritora por amor nas horas vagas e mãe de dois lindos filhos em período integral. Escreve todos os sábados.

Quer comentar?

Comentários

Nosso Facebook

loading...