Aff…. Cala boca, murmurador!

(Foto: Reprodução)

Complicado lidar com o murmurador. Se está tudo bem, ele arruma algo para distorcer e murmurar. Se não estiver bem, ele cria algo pior do que o estado que está pra murmurar e colocar a culpa em alguém da sua insatisfação. Se você tenta ajudar, ele diz que você nunca se dispôs. Se você não ajuda, ele reclama, difama e denigre de todas as formas. Se você faz algo que ele quer, faz pouco caso. Se você for criterioso e der seu máximo, vai murmurar de qualquer jeito!

O murmurador é a sua própria pedra no sapato. Sua língua é como fagulha de fogo em palheiro. Reclama de tudo. Reclama de todos. Acorda e murmura. Dorme murmurando. Recebe presentes e nem sabe como receber, pois o que sabe fazer bem é murmurar. Uma consciência assim não leva ninguém adiante. É aquela pessoa que não tem lado. De todo jeito que você tentar se aproximar de nada adiantará.

A pessoa realizou seu sonho, continua murmurando. Se não realiza, coitado do ouvido de quem estiver próximo dele. Se você disser que ele precisa ser grato, ele se faz de vítima. Se você o colocar na real, ele te ataca. A pessoa vive numa atmosfera tão densa, tão pesada, tão escura, que em tudo ela lhe interpretará mal, pois a própria vida sendo boa para ele, ele não enxerga e não compreende as coisas essenciais. Está como morto, cheio de pulsões e compulsões, oco na alma.

O olhar tem uma trave tão resistente a tudo que é bom, que ele trocará as providências divinas no deserto, pra voltar a qualquer preço pro Egito pra tornar a ser escravo e comer das verduras de lá. O murmurador faz os seres celestiais ficarem revoltados! Quão perturbadora é a murmuração humana! Tudo é chateação.

Ele não discerne, sua mente não desenvolve na gratidão, na fé, na esperança. Não existem coincidências, existem providências. Muitas coisas não acontecem do jeito que queremos pra sermos poupados. No caso do murmurador, ser poupado dele mesmo.

Na vida depois de muito lutar, chegou onde queria, murmura. Seu jardim tá florido, mas ele quer o outro que às vezes nem é tão florido quanto o que já tem. A murmuração acaba tornando a pessoa uma invejosa-amargurada-murmuradora.

Reclama de acordar cedo, reclama do pão de cada dia, reclama de ter que se deslocar ao trabalho, reclama do trabalho, reclama do dia que não passa, reclama de ter que ir pra casa… Torna-se um vício asqueroso.

Depois a pessoa fica sem entender o porquê a vida é tão péssima! Ela mesma causa um inferno existencial.  A murmuração, a ingratidão, a estupidez espiritual é gritante. O murmurador é indiferente, tem olhos pra ver, mas não vê, tem ouvidos para ouvir, mas não escuta. Não se alegra em nada! O máximo é um sorriso amarelo e sem graça. Quanto mais murmuração menos perspectiva.

O murmurador não percebe que está cercado de tantas possibilidades e de tantas benesses, impossível conviver com gente assim. Não dá pra correr o risco de ter um murmurador por perto, porque se as coisas estiverem indo bem pra você, ele vai tentar aleijar suas pernas e te trazer pra realidade dele.

O murmurador se faz infeliz, ele não precisa de problemas, de fato ele mesmo produz seu particular inferno.

É próprio do ser humano reclamar de algo que o chateou durante o dia.… quem nunca?!

Mas viver para murmurar e reclamar, aí a escala de grandeza de medidas é abismal.

Que lástima existir para ser o provocador em si mesmo dessa catástrofe e desgosto em viver!

Trágico.

Deniza Zucchetti é professora por vocação, quase Relações Internacionais, escritora por amor nas horas vagas e mãe de dois lindos filhos em período integral. Escreve todos os sábados.

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