“Não teremos vergonha de pedir ajuda” para construir creches, avisa Roberto do Órion

(Foto: Reprodução/ Facebook)

No último domingo (02), contrariando previsões e expectativas eleitorais, o candidato do PTB à Prefeitura de Anápolis, Roberto do Órion, conseguiu levar a eleição para o segundo turno, com uma diferença inferior a 9% para o primeiro colocado João Gomes, do PT, candidato à reeleição.

O resultado fez o comitê petebista, localizado no bairro Jundiaí, amanhecer cheio nesta segunda-feira (03). Cabos eleitorais da própria campanha e de candidatos que ficaram pelo caminho esperavam Roberto chegar para as entrevistas agendadas com a TV Record e Portal 6.

Após atender a emissora de TV, pedimos para que a entrevista ao site fosse feita em uma sala reservada. Roberto tinha pressa e nos levou a um anexo do comitê a poucos metros dali. No cômodo, cheio de material de campanha, um aviso riscado na parede determinava o objetivo da equipe de campanha: “Meta-foco 2º turno. Somos Roberto, muito prazer”.

Perguntamos se ele havia dormido. A aparência cansada, mas com sorriso no rosto, evidenciava que as horas de repouso foram poucas. “Eu estou muito emocionado e feliz com o apoio da população”.

A conversa foi acompanhada pelo deputado estadual Henrique Arantes, filho de Jovair Arantes (PTB), o deputado federal relator do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Antes de iniciarmos, Roberto agradeceu a todos quanto pôde e pediu para que isso constasse na reportagem. Em especial, ao vice Márcio Cândido (PSD), aos partidos da coligação que lhe deram sustentação na primeira fase da campanha e aos concorrentes, inclusive o adversário a ser batido nesta reta final, João Gomes. “E aos 38.913 votos que recebi”, resultado que conseguiu “fazendo mais de 1000 reuniões em 45 dias” com eleitores, empresários, sindicatos e residências.

Você começou a campanha com menos de 1% nas  pesquisas mais sérias e chegou ao 2° turno numa eleição disputadíssima, deixando para trás figurões da política local. Como pretende caminhar a partir de agora?

Da mesma forma que nós fizemos no primeiro turno. Com várias caminhadas, reuniões, conversando com a população, buscando escutar os problemas e buscando soluções. Soluções práticas, que possam realmente melhorar a qualidade de vida da população. Nós começamos com 0.8%, fizemos um trabalho planejado e em conjunto com a sociedade anapolina. Quem nos ajudou foi a sociedade, foi conversando, escutando e estudando para que a gente conseguisse subir 21 pontos em 30 dias, 40 dias. Esses 21 pontos não são meus, os 38.913 votos, são da sociedade, da cidade de Anápolis que ajudou a gente a construir esse projeto.

Fora Recife, Anápolis é a cidade mais importante em questão de PIB e população no país sendo disputada pelo PT. Você pretende usar essa realidade na campanha?

Não. Nós fizemos um primeiro turno sem precisar agredir ninguém, com muita ética, sinceridade, honestidade e pretendemos continuar no segundo turno da mesma forma. Nós pretendemos apresentar propostas, apresentar soluções para cidade de Anápolis. Claro que essa questão do PT, ela vem a tona devido ao momento que o país vive, que é um momento extremamente complicado graças a má administração do PT, mas nós pretendemos fazer uma campanha limpa, como nós fizemos no primeiro turno.

Você foi muito criticado nas redes sociais pela forma que fala nos programas eleitorais e há uma avaliação na imprensa de que isso te prejudicou no debate da TV Anhanguera. Você pretende trabalhar essa questão como um desafio pessoal?

Na verdade, a questão da voz impostada vem da sala de aula. Eu sou professor de química, professor de ensino médio, professor de cursinho. Então não é uma coisa da política, não é uma coisa dos políticos. Quando comparado com os políticos fica um pouco diferente. A voz impostada é uma questão mesmo da didática que eu uso dando aula. Então, não tem nada a ver com o marketing.

Uma das coisas que também foi questionada, foi a questão de no debate não ter muita mobilidade, mas ali é porque as pessoas não enxergavam. Cada candidato, fora os dois da ponta, tinha 50 cm só, não tinha condição de mexer os braços e tinha poucas câmeras para estar olhando. O estúdio, é um estúdio fantástico, mas ficou muito apertado. Agora, a entonação não, a entonação não é criada. A entonação é um dom que Deus me deu. É assim que eu consegui ganhar minha vida e a gente não precisa mudar a entonação. O que a gente precisa é mudar as práticas políticas para melhorar nossa cidade.

Falando em práticas políticas, muitos internautas reclamaram dos santinhos com seu rosto espalhados pela rua. A sua orientação nos atos finais de campanha foi para que os candidatos a vereador e cabos eleitorais não jogassem propaganda no chão. Por que ainda assim isso aconteceu?

A gente produziu o material, entregou para os vereadores. Em uma caminhada nossa que aconteceu ali no Bairro JK tinham jogado santinho e nós voltamos varrendo no final da caminhada. Nós voltamos varrendo e não deixamos santinhos no chão. Agora é um momento de democracia, um momento complicado de você conseguir cercar, são 175 candidatos a vereador [da coligação]. O Roberto não jogou santinho, mas é difícil de você conseguir cercar tudo isso. A gente entende que o [candidato a] vereador naquela ânsia de achar que isso vai decidir voto, que isso pode decidir a eleição dele, acaba usando desse artificio. Mas da nossa parte não aconteceu isso e a gente prega uma campanha limpa, até mesmo porque estamos em uma sociedade democrática altamente politizada.

O último processo de impeachment serviu para politizar de uma vez por todas toda a sociedade brasileira. A população não vota mais por causa de santinho, a população não vota mais por causa de panfletos, por causa de nada. Ela tem sua convicção e ela está avaliando e é assim que tem que ser. Nós temos que entender que o voto, ele nada mais é do que um contrato de trabalho. Quando você vota em uma pessoa, você está contratando aquela pessoa para prestar um serviço para você. Se é um vereador e você votou nele, você quis contratar ele para legislar para sua cidade. Se você vota num prefeito, você está contratando ele para administrar sua cidade. E como um contrato, tem de obedecer três princípios – e isso nós temos colocado durante a nossa campanha. Antes de votar preciso conhecer a história de vida daquela pessoa, como ela é como pai, como filho, como irmão, como marido, como ela é vista na sociedade. É uma pessoa de bem? Tem moral? É caloteiro? Segundo, qual o currículo dessa pessoa? Se o cargo é administrativo, o que essa pessoa já administrou? Ele é um administrador nato? Ele consegue administrar grandes orçamentos? Qual experiência que essa pessoa tem? E por último, as propostas. Qual o interesse, quais são as propostas? São propostas eleitoreiras ou são propostas que podem ser realizadas? Então, a gente se pautou em cima dessa nova política, uma nova política entendendo que o voto, na verdade, é um contrato onde as pessoas estão contratando o seu administrador e entendendo que esse contrato tem três pilares. A história de vida, o currículo e as propostas. Foi assim que a gente desenhou a nossa campanha nesse primeiro turno.

Como pretende encaminhar os acordos para apoio neste segundo turno? Os quase dois mil cargos comissionados existentes na Prefeitura estão em disputa?

As pessoas que não votaram na gente no primeiro turno, as vezes não votaram porque não tiveram tempo de [nos] conhecer porque nós somos o novo. Tivemos só 45 dias para construir uma história, uma trajetória política. Então, com mais tempo agora, com mais cinco minutos de tempo de televisão, nós vamos estar conversando, apresentando propostas e pedindo para ser avaliado e comparado com o atual governo e assim conseguir uma grande vitória no segundo turno.

Não sei se tem dois mil cargos comissionados, mas os cargos e funções que forem ocupados serão ocupados por critérios técnicos, mesmo sendo indicados por partidos.

Caso eleito, você terá o ex-prefeito Antônio Gomide como fiscal. O PT, quando quer, é beligerante e sabe fazer estragos como oposição. Como lidaria com esse tipo de comportamento?

A primeira coisa que nós precisamos entender é que o ex-prefeito Antônio Gomide, ele é um vereador, e lá [na Câmara Municipal] nós temos mais 22 [vereadores] que precisam ser respeitados. Não é porque o Gomide teve mais votos que ele tem de ser o dono da Câmara Municipal.

Nós tivemos uma renovação de 66% da Câmara Municipal, com pessoas que querem trabalhar, querem mostrar serviço e que tem interesse, querem o bem comum e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Então, não estou preocupado com o fato de o ex-prefeito Antônio Gomide ser vereador. Entendo também que ele vá querer o bem da cidade de Anápolis e querendo o bem da cidade Anápolis nós com certeza não teremos dificuldade nenhuma de administrar a nossa cidade com o apoio da Câmara Municipal. Ele é um vereador e todos os outros 22 têm que ser respeitados e tem que ser valorizados.

A cidade tem cerca de 100 obras em andamento. Você, se eleito, vai herdar a responsabilidade de entregar todas elas. Pretende, pelo menos, auditá-las?

Nós não pretendemos ser eleito e começar, logo no primeiro momento, uma caça às bruxas. Até mesmo porque a população não aguenta mais esperar por vaga em creche. Não aguenta mais esperar por um atendimento de saúde qualificado, a população não aguenta mais esperar por empregos. Todas as obras que foram começadas, caso nós sejamos eleitos, nós vamos terminar. Se tiver alguma coisa fora do padrão, supervalorizada ou irregular aí sim nós vamos auditar e apresentar para o Ministério Público poder terminar a investigação e punir.

Você promete tirar a Guarda Municipal do papel. Se eleito, em quanto tempo ela estará nas ruas?

Colocar a Guarda Municipal nas ruas depende de concurso público. Agora, o que nós pretendemos é já no primeiro mês tomar outras providências. Trocar as lâmpadas queimadas da cidade inteira, providenciar a troca por lâmpadas de led, manter os lotes baldios todos roçados. Num primeiro momento ampliar o banco de horas da polícia militar até [chegar] a Guarda Municipal.

A nossa segurança não pode estar vinculada ao tempo necessário para colocar a Guarda Municipal do papel. E se eu respondesse para você será em seis meses, sete meses ou oito meses eu estaria sendo leviano com a população. Precisamos saber em quanto tempo isso é possível. Temos de registrar, fazer o concurso, treinamento e colocar [o efetivo] nas ruas. E aí eu te pergunto: a população aguenta esperar? Não aguenta. Então, antes mesmo de a Guarda Municipal ser colocada nas ruas para proteger o patrimônio público nós precisamos aumenta o banco de horas da Polícia Militar. E estaremos em Goiânia cobrando do governador Marconi Perillo um efetivo maior de policias em nossa cidade.

Em quanto tempo pretende resolver a questão da água? O prefeito João Gomes avalia como sendo uma irresponsabilidade, utópico querer a municipalização do serviço.

É utópico para quem não tem boa vontade porque se a gente for olhar essa questão de contrato, a Saneago foi contratada para prestar o serviço de água. A partir do momento em que nos [últimos] cinco, seis anos você abre a torneira todo ano e está faltando água, quem quebrou o contrato? É a Prefeitura que está quebrando o contrato ou esse contrato já foi quebrado pela Saneago?

Nós vamos separar o serviço de água do serviço de esgoto. No serviço de esgoto, nós vamos fazer uma concorrência pública para as empresas que se interessarem. Isso não vai gerar ônus nenhum para a população – que isso fique claro. Essa concorrência pública para o serviço de esgoto vai levantar um capital muito alto. Com esse capital levantado, como foi agora com a saída da TCA e entrada da Urban, que rendeu R$27 milhões. Como esse capital levantado nós vamos construir uma estação de captação de água. Após a captação de água construída, aí sim nós podemos municipalizar. Não porque a Prefeitura está em melhores condições financeiras, mas porque os nossos R$ 9 milhões não estão indo para o Governo do Estado. Vai ficar na nossa cidade, aquecendo a nossa economia. O que precisa ter é boa vontade. Essa solução já foi feita em várias cidades do país e deu certo.

O prefeito acha muito cômodo essa questão da [falta de] água. Tudo o que a gente propõe, que a gente mostra que é possível fazer ele diz que não é possível. Mas pergunta para quem está faltando água em casa o que ele acha dessa situação.

Em quanto tempo você espera zerar o déficit de vagas nas creches?

Vamos começar a mexer neste problema já na primeira semana. Nós sabemos que a Prefeitura passa por um problema financeiro grave. Então, nós temos que ter boas ideias e por isso nós falamos que somos o novo. A Prefeitura, o mínimo [de recursos] que tiver, ela consegue fazer o projeto e comprar os materiais [de construção]. Vamos convidar a sociedade da região para entrar com a mão de obra e vamos convidar a sociedade organizada, a sociedade religiosa, para estar entrando com a administração. Quando a Prefeitura não tiver condições financeiras de fazer, nós não teremos vergonha e não nos faltará humildade para pedir o apoio da sociedade. Nós teremos um governo em prol da população.

E os condomínios empresariais. Nos dois primeiros anos será possível fazer quantos?

A Prefeitura não tem dinheiro para fazer nenhum. Por isso que os nossos condomínios empresariais dependem da iniciativa privada. Nós vamos fazer parcerias, desburocratizar e facilitar a liberação das licenças para que os empresários de Anápolis que demonstrarem interesse de construir o seu condomínio – e vários já nos procuraram, eles possam construir da maneira mais rápida. Quem é que tem dinheiro e condições de construir hoje? São os empresários, não são? Então, nós vamos facilitar a construção e incentivar. Toda empresa que quiser vir para Anápolis será muito bem tratada, desde a hora que demonstrar interesse será muito bem recebida e terá todos os incentivos necessários.

Toda empresa que chega à cidade traz emprego, com emprego o trabalhador recebe um salário e com esse salário ele vai no comércio e compra e o comércio paga impostos para a Prefeitura. Todo mundo ganha.

Pinga Fogo

João Gomes e por que você é melhor que ele?

Quem tem de achar se eu sou melhor ou não é a população. Nós vamos apresentar propostas.

Antônio Gomide – Um vereador

PT – Um partido político

PTB – O meu partido

Dilma – Ex-presidente da República

Lula – Ex-presidente da República

Marconi Perillo – Atual governador do Estado.

O senhor critica muita obras do Governo Estadual na cidade. Vai querer o apoio dele neste segundo turno?

Na verdade, eu cobro muito sobre as obras paradas e critico por elas estarem paradas. Mas nós não podemos deixar de elogiar [o Governo Estadual] só pelo fato dele já ter começado essas obras. Uma coisa tem de ficar clara: entre qualquer político e a população, eu fico do lado da população. Então, eu vou continuar cobrando e continuar criticando, mas não deixarei de reconhecer tudo o que já foi feito pela nossa cidade.

Ronaldo Caiado –  Senador da República

Jovair Arantes – Meu líder. Meu líder e foi relator do processo de impeachment, que tanto me orgulhou.

*Colaborou Thales Moura

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