A oração que eu acredito

Seja sua própria oração, pois tudo o que confessamos na oração precisa se tornar verdade de ser e existir.

Oração é um diálogo, no qual nós devemos estar dispostos a ouvir – não somente ouvir, mas viver a declaração da oração sendo transformados na renovação da nossa mente.

Muitos acreditam que somente conseguirão respostas de suas orações quanto mais concentradas estiverem e mais esforço de energia mental fizer.

Deus não está longe. Ele está perto e atento. Atento para ouvir ao coração e perscrutar os temas secretos de cada um. A oração só acontece quando toda a verdade do ser se encontra Naquele ao qual direciono meus ouvidos, e mesmo no silêncio a certeza nos faz crer que Ele nos vê.

A oração é sempre um eterno flagrante de nós mesmos. Ela nos despoja e nos faz enxergar aquilo que estava oculto, nos torna autoconscientes, nos constrange – é um espelho do qual nos possibilita enxergar-nos – e somente a sinceridade tornará qualquer motivação válida.

Oração é relação. Relação diária. Não cabe aqui manipulação, mentiras, orgulho, comiseração, soberba, pois a Deus ninguém engana – diante do retrato de quem somos tal revelação se torna luz diante de nós – ou nos melhorará ou piorará no processo, afinal oração é existência.

A oração é a conversão do olhar aquilo que é bom, prática da fé, agradecimento, confissões. Toda forma de gratidão, confissão e olhar é oração. Mas não se comprometa com a injustiça para que a sua oração volte a si mesmo como peso de juízo e maldição.

Sendo assim, a oração-relação com Deus te tornará amigo Dele. A oração vazia, impura, cheia de “segundas intenções” te torna inimigo para com Ele. Essa oração também é ouvida, mas Ele a responde segundo a reta justiça, jamais se deixa levar pelos caprichos e desejos cheios de indiferença daquele que assim se projeta.

A oração sincera reconhece que tudo é Graça, é favor não merecido. E essa Graça foi oferecida a todos – inclusive aos que nos perseguem, nos maldizem, aos que nos devem em amor, misericórdia, perdão, sinceridade, compaixão e verdade. Se a oração não nascer das entranhas da sinceridade desnudada de nosso ser, é apenas mero discurso e vã repetição.

Nada adianta o samba-lelê, o berrar, a oração maquiada, a melhor da concentração para “conectar-se” com Deus, toda disposição mental que tiver, se toda a vida é um engano e nada do que ora, vive.

Quem de fato ora, fala muito em vivência. Fala não para os outros ouvirem, mas para sua consciência diante de Deus, absorvendo verdades de sua existência. Quem ora escuta. Escuta e a converte em vida!

Deniza Zucchetti é professora por vocação, quase Relações Internacionais, escritora por amor nas horas vagas e mãe de dois lindos filhos em período integral. Escreve todos os sábados.

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