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Urban diz que reajuste pedido pelo SITTRA é inviável e não descarta aumento da passagem

Humberto El Zayek, diretor de Operações da Urban. (Foto: Danilo Boaventura)

‘Transporte coletivo opera em crise financeira desde o ano passado e sindicato não entende’, reclama diretor de Operações da empresa

Nem todos os funcionários da Urban estão insatisfeitos com a empresa. Foi o que constatou a reportagem do Portal 6 ao conversar, na condição de anonimato, com motoristas e cobradores. Boa parte deles temem, se conflagrada a greve anunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Anápolis (SITTRA), instabilidade em seus empregos.

A notícia sobre o indicativo de greve, marcada para iniciar na próxima segunda-feira (12), traz também insegurança nos usuários. Mais de 100 mil pessoas usam diariamente o transporte coletivo em Anápolis sobretudo para estudar e trabalhar.

Adesão

O SITTRA garante que a greve observará todos os requisitos legais, dentre eles o de colocar nas ruas pelo menor 30% de funcionários para trabalharem nos ônibus. Entretanto, há motoristas e cobradores dizendo que só não trabalharão caso sejam impedidos de saírem da garagem com os veículos.

Surpresa

Diretor de Operações da Urban, Humberto El Zayek, disse à reportagem do Portal 6 que o anúncio da greve o pegou de surpresa.

“Nós recebemos a noticia com surpresa, não esperávamos isso neste momento. Não entendo o motivo dessa solicitação, principalmente pela conjuntura a qual o país está passando”

O executivo menciona que já havia feito uma contraproposta de reajuste. Segundo ele, o valor que o SITTRA pede é inviável para a empresa.

“Eles estão pedindo 10% de aumento no salário e 25% no ticket. A proposta do sindicato é inviável para nós, já que nossa contraproposta é de 4,69%. Nossa intenção é que a greve não aconteça. Estamos pensando em uma solução, mas ficamos assustados com essa proposta tão alta”, explicou Humberto, dizendo ainda que qualquer reajuste repercutiria imediatamente no preço da passagem, atualmente em R$ 3,00.

Humberto El Zayek, diretor de Operações da Urban. (Foto: Danilo Boaventura)

“Nós já estamos com R$0,34 de defasagem na passagem porque no ano passado o [então prefeito] João Gomes não autorizou o aumento [integral de R$ 0,84; concedeu de R$0,50] e ainda estamos tentando resolver essa situação. Todos os custos refletem no valor da passagem, mas estamos trabalhando para que esse valor não aumente absurdamente. Temos a consciência que isso também nos faria perder muitos usuários, então faremos todo o possível para que o valor da passagem caiba no preço do bolso dos cidadãos”.

Essa ‘defasagem’ no valor da passagem, segundo Humberto, deixou a Urban operando em crise.

“Se compararmos com Goiânia vemos que a tarifa lá é de R$3,80 e não tem cobrador. Isso já é uma economia de quase 50%. A frota de lá está na faixa de 10 anos e nossa frota tem apenas quatro. Além disso, o vale dos estudantes é pago integralmente pelo governo, enquanto aqui não tem e ainda estão propondo pagar só meia passagem. Chegamos em um ponto que o transporte está em crise e o sindicato ainda solicita reajuste de 10%”, reclamou informando que a empresa segue em conversa com o sindicato para impedir a greve.

Em tempo

No último domingo (04), em uma assembleia na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Anápolis (SITTRA), foi decidido que os funcionários da Urban entrarão em greve a partir do próximo 12 de junho.

Como antecipado pelo Portal 6, a categoria exige reajuste salarial de 10% mais 25% de ticket alimentação, plano de saúde e incremento de 3% sobre os vencimentos por ano trabalhado. A Urban ofereceu um reajuste universal de 4,69%, proposta rejeitada durante a assembleia.

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