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ONU diz que outros países ocuparão espaço caso EUA abandonem o multilateralismo

Questionado sobre o trabalho com a administração norte-americana, liderada por Donald Trump, secretário da ONU respondeu que “não está a ser mais difícil do que estava previsto”

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, considerou nesta segunda-feira (03), em Lisboa, “fundamental” que os Estados Unidos mantenham seu “empenhamento multilateral”, advertindo que, caso contrário, “outros” ocuparão o “espaço vazio” eventualmente deixado pelos norte-americanos. A informação é da Agência Lusa.

“É fundamental que os Estados Unidos mantenham o seu compromisso multilateral, sobretudo em relação às situações internacionais que exigem uma resposta global, na qual os EUA terão sempre uma influência determinante”, declarou Guterres, no final de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, quando foram debatidos temas relacionados à próxima Assembleia Geral das Nações Unidas, nomeadamente no que concerne à reforma da ONU.

Guterres advertiu que “na medida em que os EUA não estejam presentes em áreas essenciais da comunidade internacional, esse espaço vazio acabará por ser ocupado por outros”, o que considerou ser contrário aos próprios interesses dos Estados Unidos. Questionado sobre o trabalho com a administração norte-americana, liderada por Donald Trump, ele respondeu que “não está a ser mais difícil do que estava previsto”.

“Temos mantido um diálogo construtivo com a administração americana, procurando evitar que se afastem da resposta multilateral às grandes questões”, disse, reconhecendo que esse trabalho nem sempre tem tido êxito, como no caso dos Acordos de Paris sobre alterações climáticas, que os EUA pretendem abandonar.

Por outro lado, António Guterres sublinhou que tanto a administração quanto o Congresso norte-americanos têm dado “um apoio muito forte” à reforma das Nações Unidas, para torná-la uma organização “mais eficaz e com maior rentabilidade em relação aos recursos postos à sua disposição”, respondendo aos interesses dos EUA, mas também de “todos os que dão uma contribuição financeira importante” para a ONU.

Alteração profunda

Sobre a reforma, o líder da ONU referiu que se pretende “uma alteração profunda dos processos e dos métodos de trabalho”. Ele adiantou que apresentará esta terça-feira (04) ao Conselho Econômico e Social das Nações Unidas “o primeiro documento sobre a reforma do sistema de desenvolvimento” da organização.

Além disso, a Assembleia-Geral já aprovou a reforma da estrutura de contraterrorismo e já está a ser concretizada a reforma em relação às questões da exploração dos abusos sexuais, acrescentando que o plano de ação sobre a paridade de gênero está a ser implementado.

“Apresentaremos durante o mês de agosto aos Estados-membros o projeto de reforma da arquitetura de estruturas de paz e de segurança e o projeto de reforma de gestão da ONU, que tem a ver com as regras de gestão, financeiras, orçamentais e de pessoal e com a estrutura de gestão das Nações Unidas”,observou Guterres.

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