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Espécie rara, pato-mergulhão se reproduz pela primeira vez em cativeiro

Filhotes nasceram no Zooparque Itatiba, maior zoológico particular do país

Quatro filhotes do pato-mergulhão, ave rara e ameaçada de extinção, nasceram na noite de quinta-feira (03) em Itatiba, interior de São Paulo. É a primeira vez que esta espécie se reproduz em cativeiro. Os filhotes nasceram no Zooparque Itatiba, maior zoológico particular do país.

A reprodução foi possível após a coleta de ovos na natureza. “Em 2011 pegamos o primeiro casal. Em 2015, fomos ao Jalapão, outra região, e pegamos outra genética. Fomos também a Patrocínio e Serra da Canastra. Com essas regiões diferentes, formamos vários casais e matrizes”, explicou Robert Frank Kooij, gerente-geral do Zooparque. Ainda não há previsão de quando os filhotes poderão ser vistos pelo público.

A ideia é que esses filhotes, mais tarde, possam ser reintroduzidos na natureza. Segundo Kooij, o objetivo é manter 10 casais reprodutores. “Queremos chegar até 10 casais para criar mais e soltá-los nos lugares onde eles sumiram, como na Argentina e Brasil”, disse ele, em entrevista à Agência Brasil.

O pato-mergulhão, ave aquática conhecida pela habilidade de pescar debaixo d’água, é uma espécie rara. Existem atualmente cerca de 200 exemplares em todo o mundo. Ele é encontrado apenas no Brasil, nas regiões da Serra da Canastra (MG), Patrocínio (MG), Chapada dos Veadeiros (GO) e no Jalapão (TO). Para sobreviver, ele necessita de água limpa e transparente, com corredeiras e abundância de peixes, seu principal alimento.

“Criar filhotes é sempre difícil, no entanto nosso esforço foi recompensado por esse ser o primeiro nascimento do pato-mergulhão em cativeiro no mundo”, disse Alexandre Resende, veterinário responsável pelo protocolo de cativeiro da espécie e pelo Departamento Veterinário do Zooparque Itatiba. Ele acompanhou todo o processo, desde a coleta de ovos nos diferentes locais.

Segundo o ICMBio, a espécie sofreu declínio populacional devido a alterações em seu habitat, modificado pela ação do desmatamento, da instalação de usinas hidrelétricas, pelo turismo desordenado e pela poluição das águas dos rios. “Se não cuidarmos dos rios aqui no Brasil, vamos acabar com esse pato”, disse Kooij.

A reprodução dessa espécie em cativeiro é resultado do Plano de Ação Nacional para Conservação do Pato-Mergulhão (Mergus octosetaceus), que foi desenvolvido por técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Terra Brasilis, do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), da Associação Cerrado Vivo para Conservação da Biodiversidade (CerVivo), do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) e da Reserva Conservacionista Piracema.

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