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Mesmo quando tudo parece ser medo, seja coragem

“Temos a capacidade de superar, abrir janelas e fazer morrer velhos ideais”

Antes da novidade de vida, as dores de parto, as contrações dolorosas, o desconforto, as lágrimas, as lamúrias de quem crê inclusive contra a esperança. É como se passasse diante de nossos olhos um filme mudo, que conta apenas com a sensibilidade e interpretação de quem assiste.

Toda dor, solidão, sufocamento na alma traz consigo seus por quês, mas a sensação de impotência frente a isso é sem palavras. Podemos não ter respostas exatas e fechar a soma para obter conclusões para o sofrer; apesar de ser um dado de todo ser humano, mas nossa refutação pode ser a escolha do caminho do bem.

Mesmo diante disso, temos a capacidade de superar, abrir janelas de outras dimensões, fazer morrer velhos ideais, enterrar velhas formatações para que uma nova perspectiva nasça transformada e renovada – transcendendo além da zona de conforto e escolhendo pacificar nosso coração mesmo sem resposta alguma.

Nunca domaremos o caos, mas se apressarmos em abrir mão das aparências, para que então permaneçamos iluminados, o Espírito moverá para criar em nós o que lhe aprova.

Noites em claro nos remetem aos milagres que já experienciamos e ficamos ansiosos para vencer novamente as turbulentas provas que a vida nos dá para jamais nos entregar aos desatinos.

O coração arde de desejo para que a divina compreensão e os privilégios de uma vida de bem-aventuranças nos sejam comunicadas com o propósito de acordar mais sábios, e que nenhuma noite de anseios seja passada em vão.
A reticência absurda e gritante faz a mente “borbulhar” em meio a tantos pensamentos. O suor gelado de quem trás à memória, memórias de dias que também foram gravidezes geradas e paridas com muito sofrimento.

Novidades de vida que trouxeram alegrias sem igual. Alegrias que trouxeram novas canções, novas inspirações, novos projetos, novas expectativas.

E por mais que a noite se torne em densas trevas, não é sinônimo do fim. Pelo contrário, está anunciando o prenúncio de algo maior. Algo que lhe levará além, algo que lhe fará chorar de alegria e não mais de tristeza.
É como se por detrás da penumbra que toma o ambiente tivesse algo excelente escondido, à nossa espera, anelando vir à tona. Tesouros, pérolas para a vida. Graça.

E com essa fé a gente caminha, mesmo quando ouvimos os gritos insistentes daqueles que escolheram a deserção e que teima com todas as suas “melhores” sugestões nos parar.

E mantemos a expectativa, com o sentimento de que logo as angústias passarão.

Aguardamos ouvindo um silêncio em nosso ser, misturados com gemidos que só tem significado pra quem o exprime, sabendo que a explosão da vida está próxima. O chamado da existência se intensifica. Abre-se a porta de um novo mundo, um novo chão.

Alegria, serenidade , gratidão e esperança são riquezas que nascem mais solidificados em nós como novos seres criados da dor. Consolação, iluminação, descobrimento e arrebatamento sempre vêm depois de se dar à luz.
E então, sequer nos lembramos da agonia que nos assombrou, pois tudo ficou pra trás… E nossos lábios se enchem de riso somado da paz que excede o entendimento! A alma se aquece e mergulha docemente na Graça… Não se faz necessário palavras para traduzir, apenas sente.

Deniza Zucchetti é professora por vocação, quase Relações Internacionais, escritora por amor nas horas vagas e mãe de dois lindos filhos em período integral. Escreve toda semana.

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