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Protejamos nossas crianças e lutemos para que elas sejam crianças enquanto crianças

(Foto: Reprodução)

“Querem que elas se entreguem às pulsões e compulsões dos adultos, enxergando virtude no ato quando não há”

Querem tirar das crianças o seu direito de ser criança.

Querem fazer nascer em seus coraçõezinhos raízes de uma pseudo-simplicidade, pseudo-singeleza, pseudo-inocência que só reside no ambiente dos adultos, que se maquiam para transparecer sinceridade.
Querem fazer delas filhotes da perversidade nua e crua.
Querem que elas aprendam o teatro da vida, onde o importante é as performances, é mascarar suas verdades, é viver a falsidade como regra para sua existência.

Querem que elas cresçam sem o mínimo de discernimento sobre o que é bom e o que é mau, sobre o que lhe constrange e que não tenha reservas quanto a isso. Sobre o que convém e edifica e sobre o que não convém e que destrói a singularidade, identidade e pureza de seu ser.

Querem destruir de suas almas a referência para a vida adulta, que é justamente o Ser Criança.
Querem que elas se sujeitem à vontade maquiavélica de pessoas cruéis que usam sua inocente interpretação para que não vejam a sagacidade dessa gente que as enxergam como objetos a serem usados e consumidos sem questionamentos.

Querem fazê-las enfrentar uma guerra, violentando suas mentes, obrigando-as a se ‘adultizarem’, usando de artimanhas e argumentos disfarçados de bem. Obrigam-nas a encararem seus artefatos de guerra sem ao menos colocarem uma armadura para sua proteção.

Querem que elas encarem a vida sem autodefesa, incluindo-as nas insanidades dos adultos.
Querem distorcer sua visão e implantar nela a malícia dos impiedosos.
Querem usar a sua facilidade de absorver ideias e ideais para sugar tudo o que não traz luz.
Querem roubar-lhes a infância, sexualizando e neurotizando sua mente tão cheia de potenciais.
Querem incutir-lhes uma arte pobre, desvairada, maliciosa, sedutora e abismal.
Querem que elas toquem o outro com sua leveza e ingenuidade, para que acredite que o recíproco também seja verdadeiro.

Querem que elas nunca tenham a capacidade de discernir a sordidez dos adultos, mas a receba como presente de bondade e carinho.
Querem que elas se sintam constrangidas a dizer não e que sempre aceite tudo o que vier a seu encontro de forma imposta e arrogante.

Querem que elas se entreguem às pulsões e compulsões dos adultos, enxergando virtude no ato quando não há.
Querem que elas enxerguem altruísmo em atitudes egoístas e soberbas.
Querem distorcer a palavra abuso para que a compreendam como afago.
Querem fazer nascer em seu ser crianças monstrificadas, para que cresçam adultos arrogantes que banalizem e destruam todos os limites.

Querem aniquilar as crianças no ventre e não satisfeitos, querem aniquilar aos poucos as que nasceram também. Não se cansam de oferecê-las em sacrifícios a Moloque.
Querem fazer das crianças autônomas, ensimesmadas e totalmente perdidas de si mesmas, sem rumo, sem caminho, sem modelo, sem orientação.

Querem fazer delas seres totalmente desprovidos de respeito e amor próprio.
Querem que elas acreditem que o mundo dos adultos é um mundo cheio de amor, onde se pode tudo e se conquista tudo. Um mundo onde o eu é idolatrado e tudo se converge para ele.

Querem que elas sofram das mesmas neuroses e dores dos adultos, querem sugar delas sua alegria para a vida.
Querem que ela se desnude de vez, e se entregue à bestialidade, que a cada passo vá perdendo seus pedaços, vá perdendo sua integridade e vá perdendo seu chão.

Querem que elas não tenham alvos, mas que sejam guiadas por mãos alheias e traiçoeiras que de nada sabem dela.
Querem que elas relativizem o amor de Deus, para que jamais consiga amar a si e ao próximo.

Querem que elas percam sua individualidade e seja mais um integrante dessa massa que é conduzida por um sistema mundano e caído, totalmente desprovido do temor a Deus.
Querem que elas acreditem que a única forma de satisfação pessoal é mergulhar no hedonismo. Que seja apenas ela e seus prazeres.

Que referência sobrará aos adultos quando as crianças se forem de vez?

O que os adultos decidiram para si como parâmetro de vida, é problema deles. Não pule no despenhadeiro obrigando as crianças a pularem também. Elas vivem no mesmo mundo degenerado que o nosso, mas podemos evitar que elas se corrompam.

Deixem as crianças serem crianças, parem de perturbá-las, pois dos tais é o Reino.

Deniza Zucchetti é professora por vocação, quase Relações Internacionais, escritora por amor nas horas vagas e mãe de dois lindos filhos em período integral. Escreve toda semana.

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