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Preso por engano no lugar do irmão, deficiente ainda aguarda ser solto pela Justiça

Crime teria ocorrido em Anápolis, mas Jefferson Carlos Silva de Oliveira nunca esteve na cidade, garante mãe

Na noite desta terça-feira (05), a Justiça de Goiás negou o pedido de habeas corpus da defesa de Jefferson Carlos Silva de Oliveira, de 32 anos, que é doente mental e está preso injustamente desde o dia 21 de novembro sob a acusação de um crime que não cometeu.

Ele está no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, em uma cela comum com outros detentos. A causa da prisão teria sido um roubo em Anápolis. Porém, a mãe Tereza Maria Beserra da Silva, de 57 anos, afirma que ele nunca esteve na cidade.

O verdadeiro autor do crime é Jackson Beserra da Silva, irmão de Jefferson. À polícia ele confessou que quando o roubo aconteceu, em 2007, ele foi pego em flagrante e, para evitar a prisão, deu o nome do irmão na delegacia.

A Polícia do Distrito Federal também já confirmou que as digitais do suspeito preso em Anápolis pertencem a Jackson. Mas, mesmo com todas essas evidências, Jefferson continua à mercê do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO)

Em entrevista ao Correio Braziliense, Tereza chora ao pensar que talvez não conseguirá passar os feriados de natal e ano novo ao lado de Jefferson.

“Depois de tudo isso, de pedido de advogado, de tudo, meu filho ainda se encontra lá [na cadeia] e talvez só vai sair depois do recesso do ano novo. Não sei se vou aguentar não. Assim como eles [Justiça de Goiás] botaram meu filho na cadeia tão rápido, eles também soltem. Quero muito meu filho para passar o natal com a gente. Ele está fazendo muita falta aqui em casa e, se ele estiver me vendo, que ele tenha paciência que eu tenho muita fé em Deus que em breve ele vai estar aqui com a gente. Eu quero justiça. Só isso que eu peço”, desabafou.

A advogada da família também se espantou com a recusa do habeas corpus. Porém, uma nota enviada pelo TJGO diz que foi solicitado uma nova identificação de Jefferson para que sejam tomadas as providências do “provável erro”. Isso porque o juiz Wagno Antônio de Souza, da 2ª Vara Criminal de Taguatinga, afirma que Jackson se passava pelo irmão com frequência.

Apesar de se passar por ele, Jackson acabou sendo condenado a pagar cinco anos de pena por roubo de um carro e cumpriu quatro. De acordo com a mãe, ele chorou quando soube que o irmão tinha sido preso.

“Ele quer pagar pelo crime. Ele errou. Mas o erro maior foi da Justiça Goiana, que não se certificou da real identidade dele ao prendê-lo”, disse.

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