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“Morreu também um pedaço de mim”, lamenta mãe de criança atropelada em Anápolis

(Foto: Arquivo Familiar)

Dona de casa conta que o filho já estava na calçada quando foi atingido pelo carro. Autor, que fugiu sem prestar socorro, foi preso em força-tarefa da DEICT

Um menino carinhoso, estudioso e com grande senso de responsabilidade. Assim era o estudante Rafael Ribeiro da Silva, de apenas 11 anos, segundo a mãe dele Graziela Ribeiro da Silva.

A dona de casa perdeu o filho na última sexta-feira (16). O pequeno não resistiu aos ferimentos e morreu no Hospital Estadual de Urgências de Anápolis Dr. Henrique Santillo (HUANA) em decorrência do atropelamento que sofreu na Avenida Brasil, na altura do bairro Calixtolândia, na região Sudoeste da cidade.

O luto ainda permanece, mas Graziela confessa que sentiu alívio quando soube que foi preso na noite desta quarta-feira (21) o motorista responsável pela morte do filho.

Edson de Souza Correa, de 40 anos, foi localizado por agentes da Delegacia Especializada em Investigação de Crimes de Trânsito de Anápolis (DEICT) como resultado de uma força-tarefa iniciada ainda no dia do atropelamento.

Ele sequer parou para socorrer o garoto e deixou o carro, um Volkswagen SpaceFox, numa oficina do bairro JK Nova Capital para o conserto.

Agora, com o motorista na cadeia, restou à Graziela as lembranças de como Rafael era um filho diferenciado.

“Ele sempre foi um menino muito bom, queria ajudar em tudo. Quando tinha uns oito ou nove anos, saiu para a casa de um coleguinha e viu a mãe dele fazendo chocolates. Quando chegou me pediu para começar a fazer também. Essa foi a forma que ele encontrou de nos ajudar, porque como era criança não podia ter um emprego”, disse em entrevista ao Portal 6.

Quando os doces ficavam prontos Rafael saia para vendê-los na vizinhança e em locais com aglomeração de pessoas.

Rafael aproveitava até mesmo os momentos de lazer para oferecer os chocolates em um campo do São João, um bairro próximo, mas para ir até lá ele precisava atravessar a avenida mais movimentada da cidade, onde perdeu a vida.

No dia do acidente, Rafael estava acompanhado de um irmão mais velho, que viu tudo. A criança, segundo Graziela, já estava na calçada quando foi atingido pelo veículo.

“Eles já estavam próximos de casa. Eu ainda estava esperando chegarem porque nesse dia se distraíram demais jogando bola e se atrasaram. Meu filho já estava na calçada e o irmão dele viu tudo. Foi na hora que a vizinha bateu no portão e pediu para eu correr porque tinham acertado ele. Nessa hora eu nem tive forças, o pai dele que foi lá com a minha outra filha”, relembra emocionada.

Para que se faça justiça, Graziela só deseja que o autor do atropelamento seja condenado e permaneça preso.

Enquanto isso, ela se agarra às lembranças, como a foto que Rafael tirou para presenteá-la no dia das mães.

Outra, com data marcada para dezembro, seria tirada na formatura dele no quinto ano.

Esse dia não será fácil para Graziela, que se sente vazia com a ausência do filho. “Também morreu um pedaço de mim”, desabafa.

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