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“Respeito”, diz Caiado se municipalização do serviço de água for decidida por Roberto

(Foto: Divulgação)

Em conversa exclusiva com Portal 6, governador destaca que o problema da falta d’água não se resolve do dia para noite e que exigirá que a Saneago apresente proposta à cidade

A estiagem veio com tudo no segundo semestre deste ano e, além do tempo seco, trouxe de volta a Anápolis um problema antigo: a falta d’água. Se antes quem convivia com essa situação eram os moradores da área do Sistema Piancó, que abastece 80% da cidade, agora quem sofre as consequências de ter em casa as torneiras vazias é a população da região Sul e parte da Oeste, abastecidas pelo Sistema DAIA.

Cumprindo agenda nesta sexta-feira (04) na inauguração do maior estacionamento solar do Brasil, na UniEVANGÉLICA, o governador Ronaldo Caiado (DEM) não se furtou de falar sobre este assunto. Na quinta-feira (03), o presidente da Saneago Ricardo Soavinski também esteve em Anápolis anunciando as ações que a companhia pretende realizar em busca de minimizar o problema.

Para Caiado, nove meses de gestão ainda são insuficientes para chegar a uma solução para falta d’água em Anápolis. “[Contudo] vocês podem ter certeza que no meu governo nós teremos um outro tratamento e uma outra dinâmica por parte da Saneago para que isto não seja um acontecimento frequente”, disse durante coletiva com a imprensa.

Mas em uma franca e exclusiva conversa com a reportagem do Portal 6, o governador fez um panorama de como recebeu a Saneago, afirmou que a companhia está trabalhando no desenvolvimento de um plano de investimentos para Anápolis e que caberá a população, ao prefeito Roberto Naves (PTB) e aos vereadores avaliar se aceita ou não que ela permaneça no município. A seguir, os principais pontos elencados por Caiado:

‘Estamos recuperando a Saneago’

Durante o governo anterior a Saneago foi assaltada, os diretores saíram de lá algemados, assaltaram a empresa e usaram o dinheiro de lá indevidamente. A Operação Decantação é uma tristeza pro Estado de Goiás e o que nós estamos fazendo é recuperando a Saneago e projetando os desafios que nós temos. Posso garantir que são todas as cidades de Goiás [que estão com o problema da falta d’ água]. Não há nenhuma cidade que em Goiás que hoje supere 130 dias de estiagem, nós já estamos com 135.

‘Não posso ainda responder por uma situação que está aí há 20 anos’

Sabiam que Anápolis ainda tem distribuição de água com manilha de barro? Isso tudo precisa ser revisado! Nós precisamos trabalhar fortemente para podermos atender toda a população de Goiás.

Em nove meses eu não posso ainda responder por uma situação que está aí há 20 anos, mas vocês podem ter certeza que no meu governo nós teremos um outro tratamento e uma outra dinâmica por parte da Saneago, para que isto não seja um acontecimento frequente.

Esse processo vem sendo penalizado no Estado todo com a longa estiagem, mas não tem desculpa para o problema de uma cidade que nós conhecemos sua demanda, sua extensão habitacional e com isso vem a necessidade de preservar e fazer novos reservatórios.

Qual o problema maior? É que não se constrói um reservatório para atendimento de toda a cidade de Anápolis num prazo de um ano. É uma obra muito maior. Além da preparação que você tem da barragem, tem que fazer também com que haja ali toda aquela tubulação que possa interligar todas as outras áreas da cidade. Precisamos de ações de infraestrutura em toda essa área da rede, então são demandas que nós teremos e que daremos conhecimento para a sociedade. Não vai ter omissão da nossa parte, nem ficar projetando algo que não seja cumprido.

‘Vou respeitar [a decisão]’

Decisões municipais cabem ao prefeito e a Câmara. Eu sou uma pessoa que é cada um na sua alçada. As ingerências do Estado cabem a mim e a dos prefeitos aos municípios. Eu tenho um estilo diferente, um estilo da transparência, eu tenho o estilo de não ficar falando o que eu não posso fazer. Cada um tem a sua maneira. Não sou apto da enganação nem da mentira. Sou de trabalhar com dados concretos.

A Saneago vai mostrar a Anápolis o que ela pode fazer. Não se constrói nada do dia pra noite. O projeto será apresentado a população e o prefeito e os vereadores terão todo o direito de dizer se aceitam ou não. Essa é uma decisão da população e também do prefeito e dos vereadores. Se decidirem pela municipalização eu vou respeitar. Eu não posso determinar o que seja feito, mas eu posso exigir que a Saneago nos traga uma proposta para apresentar à cidade de Anápolis.

*Colaborou Rafaella Soares

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