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Na Câmara, Saneago apresenta medidas para conter a falta de água em Anápolis

(Foto: Ismael Vieira)

Presidente da estatal se comprometeu a “resgatar o tempo perdido” e disse que é preciso “parar de remendos”

A conclusão de processos licitatórios até dezembro, relativos a projetos de curto prazo para investimentos nos sistemas de captação, tratamento e distribuição de água às residências anapolinas, e a aceleração dos estudos que objetivam viabilizar a construção de pelo menos um barramento de água no município.

Essas foram algumas das ações concretas definidas a partir da realização de uma audiência pública, na última sexta-feira (18), na Câmara Municipal de Anápolis. O debate foi convocado pelo Legislativo anapolino, numa iniciativa do vereador Pastor Elias Ferreira (PSDB), com respaldo dos demais vereadores.

Por quase três horas, o presidente da Saneago Ricardo José Soavinski e os técnicos da empresa, foram sabatinados por vereadores, deputados estaduais anapolinos, secretários da Prefeitura de Anápolis, representantes de segmentos comunitários, ambientais e empresariais, e populares.

As discussões foram mediadas pelo presidente da Câmara, vereador Leandro Ribeiro (PTB). A Administração Municipal foi representada pelo secretário de Meio Ambiente, Jakson Charles; e a Assembléia Legislativa pelos três parlamentares anapolinos Amilton Filho (SDD), Antônio Gomide (PT) e Coronel Adailton (Progressistas).

O promotor de Justiça Paulo Henrique Martorini, que atua na área da Defesa do Consumidor no Ministério Público, lembrou que há um procedimento contra ato da Saneago em andamento no MP e que os promotores são também cobrados pela população. Citou falta de planejamento, excesso de loteamentos edificados sem o Atestado de Viabilidade Técnica e Operacional (AVTO) e crescimento desordenado do município.

Martorini disse ainda que está “cansado de desculpa e promessa” e lamentou os malefícios causados a moradores de bairros da região Sul, que deveriam ser atendidos pela água fornecida pela Companhia de Desenvolvimento do Estado de Goiás (Codego).

Racionamento 

O presidente da Saneago lamentou que, mesmo com todos os esforços da empresa, a região abastecida pela água do DAIA tenha enfrentado rodízio e revelou que tem conversado com o prefeito Roberto Naves (sem partido). “Temos dado toda a atenção possível a Anápolis”, pontuou informando que a Saneago fornece água tratada para 226 dos 246 municípios goianos

O vereador Domingos Paula (PV) criticou o que chamou de “inércia” da Saneago em adquirir geradores para evitar a interrupção do fornecimento de água quando da queda de energia elétrica. Para o deputado Amilton Filho, nada adianta falar se não há mecanismos precisos de cobrar da estatal.

“Hoje se a Saneago não resolve as coisas, nada acontece. Temos que mudar esta perspectiva. O contrato atual é vago. O novo contrato dá condições para fiscalizar”, salienta observando que, caso a empresa ignore o que consta no documento, seja possível aplicar multas pesadas ou até a revogação do contrato.

Barramento

Soavinski informou que, com intuito de dar garantia plena de fornecimento de água para Anápolis, atender o crescimento do município e viabilizar novos investimentos industriais, a empresa contratou, em janeiro deste ano, estudo hidrológico para a cidade. “Este estudo vai mostrar todas as possibilidade de termos um barramento. Está quase pronto e já temos projeções”, revelou.

O presidente da Saneago disse que é necessário ter um bom sistema de tratamento, bons mananciais e gestão. Segundo ele a prioridade do uso da água é o abastecimento humano, embora outros setores tenham o direito de usar, como a indústria e a agricultura.

“Há regras para cumprir. Isto se chama gestão”, disse. Informou ainda que é estudada possibilidade de transposição do Rio Piracanjuba para o Ribeirão Caldas, para reforçar a capacidade do sistema de captação e tratamento da Codego, no DAIA.

Diretor de expansão da Saneago, Ricardo de Sousa Correia apresentou um projeto de investimentos previstos para os próximos anos por parte da empresa (veja no final da reportagem). Sobre o barramento mostrou que estudos foram feitos num raio de 40 quilômetros no entorno de Anápolis, para identificar os mananciais.

Entre os estudos há um apontamento para construção de barragem no Ribeirão Capivari, com altura de dez metros e volume de 14 hectômetros cúbicos (aproximadamente 14 bilhões de litros). No Ribeirão Piancó o apontamento é para barragem de 11 metros, com volume de 13 hectômetros cúbicos.

Soavinski se comprometeu a “resgatar o tempo perdido” e disse que é preciso “parar de remendos”. O presidente da Saneago disse ainda que vai pedir uma análise sobre as contas de água emitidas com reajustes no período de falta do produto.

Metas da Saneago

Curto prazo:

  • Vazão de 1010 l/s no Sistema Piancó;
  • Interligação de poços já perfurados;
  • Atendimento dos bairros supridos pelo DAIA através do Piancó;
  • Aumento do volume de reservação;
  • Segurança hídrica;
  • Gestão integrada das bacias;
  • Fiscalização e gestão das bacias de captação pela Prefeitura e Semad com apoio da Saneago;
  • Interligação imediata de até 17 poços – aumento da vazão em até 100 l/s;
  • Melhoria nas captações Capivari I e Piancó I e II;
  • Implantação da ETA Compacta – ampliação de 860 para 1010 l/s;
  • Duplicação da adutora entre a ETA e o reservatório Vila dos Oficiais;
  • Ampliação da Elevatória de Água Tratada Jardim América;
  • Implantação dos reservatórios Palmeiras, Aeroporto e Pirineus.

Médio prazo:

  • Vazão de produção 1200 l/s – sistemas Piancó e Capivari;
  • Ampliação da ETA para 1200 l/s;
  • Aumento do volume de reservação;
  • Redução do índice de perdas;
  • Garantia de abastecimento até 2070;
  • Melhoria do sistema de adução e distribuição de água;
  • Ampliação das captações existentes;
  • Implantação de nova captação superficial;
  • Reforma e ampliação da ETA;
  • Implantação de reservatórios e elevatórias;
  • Interligação de poços;
  • Setorização da rede de distribuição;
  • Substituição de hidrômetros;
  • Substituição de 10 mil metros de rede antiga;
  • Perfuração de poços na região do DAIA;
  • Implantação de barragens de acumulação de água.

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