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Saída da CAOA de Anápolis pode deixar cerca de 3 mil pessoas desempregadas

(Foto: Reprodução)

Fábrica do DAIA, onde são montados modelos da Hyundai e da Chery, que corre o risco de fechar também movimenta o comércio local

Atualizada às 09h32 com posição da CAOA. A montadora sustenta que o encerramento das operações na cidade não está em discussão

Apreensão: esse é o sentimento dos mais de 1,5 mil colaboradores da CAOA, instalada no Distrito Agroindustrial de Anápolis. Desde o início da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Incentivos Fiscais na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), em março, o clima na montadora tem sido de incertezas.

“Isso porque o que foi prometido para cá acabou não ocorrendo. Estava tudo planejado para os próximos lançamentos, mas chegou para gente que por causa dessa CPI resolveram levar os investimentos para Jacarei (SP)”, disse à reportagem do Portal 6 um funcionário que pediu para não ser identificado.

Em assembleia na última quarta-feira (16), o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis (SindMetana) Reginaldo Faria confirmou essa situação e acrescentou ainda que os novos 300 funcionários previstos deixaram de ser contratados para atuar na fábrica do DAIA, onde são montados modelos da Hyundai e da Chery.

O líder sindical disse também que chegou a conversar com dirigentes da empresa, que confessaram que o cenário está desfavorável e que a depender dos resultados da CPI a situação na montadora pode ficar ainda pior. A comissão investiga denúncias de irregularidades nos processos de concessão e benefícios fiscais em Goiás pelos governos Marconi Perillo (PSDB) e José Eliton (PSDB).

Um dos pontos mais temidos por empresas de todo o Estado é que os incentivos fiscais já concedidos sejam revogados. Na CAOA, especula-se que demissões comecem a ocorrer a partir do mês de novembro e em dezembro férias coletivas sejam concedidas aos funcionários.

Em contato com o Portal 6 na manhã desta terça-feira (22), a assessoria de comunicação da montadora, no entanto, sustenta que não pensa em encerrar as operações na cidade e afirma que as férias coletivas previstas para este fim de ano servirão para a empresa confeccionar um inventário e preoceder com a modernização do Sistema de Controle de Produção (ERP).

(Foto: Reprodução)

Ao Jornal Opção, Reginaldo Faria disse que o impacto de um possível fechamento da CAOA em Anápolis pode ser maior se for analisado a cadeia inteira de produção. “As auto peças que estão aqui e fornecem produtos para a empresa também serão prejudicadas. Estamos falando de cerca de três mil pessoas que podem ficar desempregadas”, estimou.

Na Câmara Municipal, o assunto foi levado à tribuna nesta segunda-feira (21) pelo vereador Wederson Lopes (PSC).

“Imagina o caos que isso geraria para Anápolis”, afirmou analisando que, apesar de estar em uma posição geográfica privilegiada, o que garante a instalação de indústrias na cidade são os incentivos fiscais pois os empresários, obviamente, “visam lucros”.

Para o parlamentar, é preciso que os políticos deem as mãos para reverter a ideia de que os incentivos são nocivos aos cofres da Secretaria Estadual da Economia. Ele ainda aproveitou o espaço para lançar uma reflexão.

“Certo, então se cortam os incentivos e as empresas vão embora, não teremos nenhum imposto recolhido e ainda vamos ver postos de trabalho sendo fechados”, deixou no ar.

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