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Goiânia vive incerteza com prefeito eleito em hospital

Clima de tensão permanece entre goianienses passada as eleições municipais

Folhapress Folhapress -

Cleomar Almeida, de Goiás – Passada a tensão das eleições, moradores de Goiânia começam a viver, nesta segunda-feira (30), a aflição à espera da recuperação do prefeito eleito Maguito Vilela (MDB), 71, internado há 39 dias com Covid-19.

Enquanto não recebe alta, os olhos dos moradores se voltam para o vice eleito, o vereador e pastor evangélico Rogério Cruz (Republicanos), 56, que pode vir a gerir a capital de Goiás a partir de janeiro, caso Vilela não receba alta até lá.

O prefeito eleito foi informado sobre sua vitória, na noite deste domingo (29), pela equipe do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde está internado há mais de um mês. No segundo turno, Vilela teve 52,60% dos votos (277.497). Ele derrotou o senador Vanderlan Cardoso (PSD), que alcançou 47,4% dos votos (250.036).

Até esta segunda-feira (30), o prefeito eleito continuava ligado ao aparelho ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) e submetido à hemodiálise contínua para auxiliar o funcionamento dos rins.

O emedebista estava inconsciente há duas semanas, período em que voltou a ser intubado, e, na última terça-feira (24), chegou a ser submetido a uma traqueostomia para auxiliar na respiração e evitar que o tratamento prejudicasse as cordas vocais.

O clima de tensão e incerteza permanece entre goianienses, mesmo com a notícia de que o emedebista acordou e “deixou escorrer lágrimas”, conforme afirmou o filho dele e presidente do MDB em Goiás, Daniel Vilela. Ao longo da internação, Vilela já foi intubado duas vezes, a primeira delas em 30 de outubro e que se estendeu por nove dias. Em 15 de novembro, foi reintubado por causa de piora nos pulmões.

Em entrevista nesta segunda-feira, o atual prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB),elogiou o filho do seu sucessor e disse que ele tem autoridade para “assumir a chefia da administração municipal” –apesar da fala, somente o vice eleito tem poder para ser o chefe do Legislativo, na ausência do prefeito, em 2021.

“A cidade toda vai entender, porque é um líder jovem, cheio de vida, já com experiência e tem, também, ao lado dele, um vice dotado de todas as qualidades necessárias para um administrador, um homem público”, afirmou Rezende sobre Daniel Vilela.

O vice eleito, pastor evangélico, é vereador da capital pelo segundo mandato. Durante a campanha, seu nome foi questionado por ter declarado apenas R$ 81,39 à Justiça Eleitoral. Procurado, o vice eleito não se manifestou.

“A gente não sabe o que fazer. Eu mesma votei em Maguito, quero que ele se recupere, mas a gente não vê muita evolução do estado de saúde dele”, afirma a empresária Rosane Madalena Portela, 34. “Não quero que o vice dele governe Goiânia porque quase ninguém o conhece e não tem qualquer experiência para administrar a cidade”, acrescenta.

O vendedor Rodrigo Silva, 48, afirma que não votou nem no primeiro nem no segundo turno, mas, conta, está com muito medo de o vice eleito assumir o mandato, caso Vilela não se recupere.

“Não quis assumir o risco de ir votar no meio da pandemia, principalmente porque a situação foi muito atípica em Goiânia neste ano. Não gostei das propostas de Vanderlan nem há qualquer garantia da recuperação de Maguito”, afirma.

“Não tem como a gente acreditar muito nisso porque até eu, que nunca fui vereadora nem pastora, tenho patrimônio maior, que é a minha casa”, afirma a empregada doméstica Vera Lúcia de Oliveira, 55. “Não votei em Maguito porque ele parece que não melhora direito, mas também não votei em Vanderlan porque não acreditei na capacidade”, conta ela.

Na capital, a abstenção foi de 36,75%, a maior dos últimos 24 anos, segundo dados da Justiça Eleitoral. No segundo turno, a maioria dos eleitores aptos a votar optou por nenhum dos candidatos. No total, 443.000 eleitores (45,6%) representam a quantidade de votos nulos e em branco, além dos que não foram às seções eleitorais registrar o seu voto.

A previsão dos médicos do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde Vilela está internado desde 27 de outubro, é de que ele seja submetido a um teste para analisar sua capacidade de respirar sem ajuda de aparelhos. A avaliação deverá ser realizada nesta segunda (30) ou terça-feira (1º). Ainda não há expectativa de alta.

Vilela testou positivo para o coronavírus em 20 de outubro. Dois dias depois, foi internado com 75% de inflamação nos pulmões, em um hospital de Goiânia, de onde foi transferido para o Hospital Albert Einstein, em 27 de outubro.

No dia 30 de outubro, a equipe médica responsável decidiu pela intubação de Vilela por causa de insuficiência respiratória. Ele evoluiu bem e foi extubado nove dias depois, para respiração espontânea. Em 15 de novembro, necessitou ser reintubado por piora pulmonar (inflamatória e infecciosa), seguindo em ventilação mecânica invasiva.

Após dois dias, Vilela iniciou tratamento de hemodiálise, seguido de instalação de ECMO para possibilitar ventilação protetora pulmonar. “Hoje, 29 de novembro, encontra-se traqueostomizado, sedado e conectado à ventilação mecânica com parâmetros satisfatórios de oxigenação. Mantém a estabilidade hemodinâmica e segue em suporte da ECMO e hemodiálise contínua”, diz o boletim médico.

O emedebista disputou a Prefeitura de Goiânia pela primeira vez nestas eleições. Ele é natural de Jataí, a 320 quilômetros da capital. Já foi vereador da cidade do interior, deputado estadual e federal, vice-governador e governador de Goiás, senador e, mais recentemente, prefeito de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital.

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