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Estão reagindo assim os moradores de terra natal de Lázaro Barbosa

No município baiano, vivem familiares das duas primeiras vítimas de homicídios cometidos por Lázaro, em 2007

Folhapress Folhapress -
Barra do Mendes, cidade natal de Lázaro (Foto: Divulgação)

Franco Adailton, da BA – Barra do Mendes (BA), cidade natal de Lázaro Barbosa, que ficou conhecido como o “serial killer do DF”, viveu um misto de alívio e euforia nesta segunda-feira (28) após o anúncio de que ele tinha sido achado e depois morto por policiais após 20 dias de caçada.

No município baiano, vivem familiares das duas primeiras vítimas de homicídios cometidos por Lázaro, em 2007. É onde também moram parentes do criminoso, incluindo sua mãe, que voltou de Ceilândia (DF), onde vivia, depois que Lázaro foi acusado de matar quatro pessoas de uma mesma família e as buscas por ele foram iniciadas.

Viúva de José Carlos Benício de Oliveira, o Carlito, a faxineira Marinês Barbosa de Souza Oliveira, 51, disse que estava alegre com a notícia da morte do homem que matou seu marido aos 42 anos, deixando-a com quatro filhos pequenos para criar.

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“Agora, estou bem. Fiquei alegre, não vou mentir que fiquei triste, porque ele tinha que pagar pelo que ele fez aqui na Bahia com o meu marido. Agora, ele está pagando na unha do capeta”, disse.

A lavradora soube da morte de Barbosa pela televisão, já que acompanhava diariamente o noticiário desde que a caçada virou assunto nacional. “Agora estamos aliviados. Vamos poder voltar a trabalhar normalmente, sem medo de ele aparecer por aqui.”

Com a morte de Carlito, ficou apenas com a viúva a responsabilidade de criar os quatro filhos pequenos. “Nós passamos muitas dificuldades. Meus filhos eram todos crianças quando perderam o pai”, diz.

Irmão de Manoel Desidério da Silva, segunda vítima de Barbosa de que se tem notícia, o lavrador Pedro Desidério de Oliveira, 70, disse que estava em uma praça em Barra do Mendes na manhã desta segunda-feira quando começou a ser abordado por pessoas que comemoravam a morte do criminoso.

“Apesar de a morte de Lázaro não trazer nossos familiares de volta, o sentimento geral é de que a justiça foi feita”, afirmou. “Saiu de circulação um elemento que oferecia perigo a toda sociedade. A gente sente até vergonha de ver nossa cidade associada ao nome dele.”

Barbosa era tido como amigo de Carlito, sua primeira vítima. O estopim para o fim trágico da relação ocorreu na madrugada de 17 de novembro de 2008, quando, após voltar de uma bebedeira, Barbosa teria invadido uma casa para estuprar uma mulher, mas foi impedido por Carlito, que tirou a vítima do local, e o matou.

“Até então, tínhamos notícias de que ele havia cometidos pequenos furtos aqui e em Ceilândia, de onde veio foragido. Não imaginávamos que era capaz disso”, disse Pedro Oliveira.

Em seguida, diz ele, Barbosa aproveitou para ir atrás do irmão de Pedro, Manoel, cobrar uma antiga desavença. “Ele tinha raiva porque Manoel registrou ocorrência contra ele, por tentar estuprar uma criança de quatro anos, neto de meu irmão, mas foi impedido”, afirma.

Em meio ao clima de justiçamento que tomou conta do município, restou aos familiares de Lázaro a tristeza, conta a tia do criminoso, a lavradora Zilda Maria de Souza, 54. “Estamos todos arrasados pela forma como recebemos a notícia e vimos as imagens do corpo dele jogado no carro daquele jeito”, disse. “Mesmo a gente sabendo que o fim dele não seria coisa boa, a gente nunca espera, até receber a notícia, né? Ainda mais ver morto como bicho”, diz.

Foi com um grito dentro de uma agência de serviços de energia elétrica, no município vizinho de Barro Alto, que a tia reagiu ao assistir Barbosa morto na televisão. “No mesmo instante, comecei a passar mal. Depois, pedi força a Deus e me segurei. Eu vi aquele menino nascer”, contou.

Segundo ela, a mãe de Barbosa “sentiu o coração atacar e caiu de cama”. “Toda hora eu vou lá dar remédio a ela, que está de cama”, disse.

A tia conta que a mãe de Barbosa voltou para a Bahia recentemente, junto com o marido, depois que o filho passou a aparecer no noticiário. “Era o último filho dela. O outro filho morreu em Goiás. E uma menina morreu ainda pequenininha. Agora, ela ficou sem nada”, diz.

Segundo a tia, Barbosa era considerado um jovem normal até adotar um comportamento criminoso, que para ela “era uma manifestação do demônio”. Já na avaliação de Pedro Oliveira, Barbosa foi influenciado na infância por um dos maridos da mãe.

“A mãe dele separou do pai, que foi embora lá pro lado de Brasília, enquanto ele e os irmãos ainda eram pequenos”, disse. “Então, ele cresceu com esse homem, esse padrasto, que cometia pequenos furtos em propriedades e depois sumiu, não se sabe para onde. Não justifica, mas pode ter influenciado.”

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