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Tóquio festeja e passa bastão para Paris após esporte superar o medo nas Olimpíadas

Ouro na ginástica, Rebeca Andrade foi a porta-bandeira da delegação brasileira

Folhapress Folhapress -
(Foto: COB)

Leandro Colon e Daniel E. de Castro, do Japão – Cinquenta e sete anos depois de dizer Sayonara (adeus, em japonês) ao fim das Olimpíadas de 1964, desta vez Tóquio se despediu com um “Arigatô” de uma edição sem precedentes do maior evento esportivo do planeta.

A palavra, que significa “obrigado”, foi transmitida neste domingo (8) nos telões da cerimônia de encerramento de Tóquio-2020, realizada no estádio Olímpico, com arquibancadas vazias, devido ao veto de público por causa da pandemia da Covid-19.

A mensagem de agradecimento se mistura ao sentimento de alívio dos organizadores por entregarem o bastão para a próxima anfitriã, Paris-2024, com inegável repercussão esportiva, e terem espantado o maior temor nas últimas duas semanas: um surto de Covid-19 que comprometesse o evento.

Com a presença da prefeita da cidade, Anne Hidalgo, a capital francesa se apresentou em Tóquio para o que, todos esperam, seja a retomada dos Jogos em condições normais, sobretudo com público assistindo às competições.

No momento, porém, a conexão entre as sedes teve que ser feita virtualmente. A “Marselhesa” foi executada em vídeo, com imagens de pontos famosos da capital francesa que estarão integrados aos eventos dos Jogos.

Uma celebração ao vivo em frente à Torre Eiffel, com a participação de atletas franceses medalhistas em Tóquio, celebrou a passagem de bastão. O presidente Emmanuel Macron apareceu declarando o novo lema das Olimpíadas: “Mais rápido, mais alto, mais forte – juntos”.

Se a cerimônia de abertura foi marcada por um clima mais solene, no encerramento os organizadores se permitiram festejar e prestar homenagens aos atletas (11 mil) e voluntários (51 mil) que atuaram no evento.

A ginasta Rebeca Andrade, que conquistou duas medalhas (prata e ouro) e encantou em uma apresentação solo embalada pelo funk “Baile de Favela”, foi a porta-bandeira da delegação brasileira.

Assim como na festa de abertura, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) mandou poucas pessoas ao desfile: além de Rebeca, o técnico dela, Francisco Porath, o campeão olímpico de boxe Hebert Conceição, a coordenadora médica Ana Corte, o sub-chefe de missão Sebastian Pereira e o funcionário mais antigo da entidade, conhecido como Bira.

Ao todo, 206 delegações, com 4.500 pessoas, participaram. Com vários números musicais em sequência, o clima foi caoticamente festivo, sob música alegre, danças, manobras de bicicleta e skate, pessoas correndo para todos os lados e muitos fotos tiradas pelos celulares.

A cerimônia reforçou o espírito dos Jogos de promover a diversidade, sobretudo a de gênero. Nessa edição, 49% dos atletas eram mulheres. E elas foram grandes protagonistas. Na delegação brasileira, conquistaram 9 pódios, sendo decisivas para o país atingir seu melhor desempenho em Olimpíadas, com 21 medalhas.

O hino nacional japonês foi cantado pelo grupo de teatro de Takarazuka, formado só por mulheres há mais de 100 anos. Elas usavam hakama, tradicional vestimenta japonesa.

As medalhas da maratona foram entregues na festa de encerramento para os homens e as mulheres pela primeira vez na história, segundo os organizadores. O hino do Quênia foi executado duas vezes, para Peres Jepchirchir e Eliud Kipchoge.

Os profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia também foram lembrados. Um deles integrou o grupo de seis pessoas que carregaram a bandeira do país anfitrião.

A cerimônia buscou explorar os diversos mundos que foram compartilhados nessas Olimpíadas atípicas e passar a mensagem de que o legado de Tóquio pode ser importante para um futuro melhor.

Um vídeo relembrou as duas semanas de Jogos, destacando a variedade de culturas que se uniram para promover o esporte num momento de grave crise sanitária no mundo.

O príncipe e herdeiro do trono japonês, Akishino, representou a família imperial. Seu pai, o imperador Nahirito, havia comparecido à cerimônia de abertura para declarar a abertura dos Jogos.

No encerramento, a chefe do comitê de Tóquio-2020, Seiko Hashimoto, agradeceu a todos os participantes por superarem as dificuldades em um evento histórico: foi o primeiro a ser adiado de um ano para outro, o público foi vetado das arenas e um esquema rígido de protocolos foram estabelecidos a todos os credenciados, incluindo delegações, jornalistas e outros.

O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, destacou o papel dos atletas nos Jogos, a relação entre eles na Vila Olímpica, e os desafios de realizar o evento em meio a uma pandemia.

“Pela primeira vez na pandemia, o mundo todo esteve junto. O esporte retornou para o centro do palco. Foram os Jogos da esperança, da solidariedade e da paz”, disse em discurso.

Os japoneses comemoram o encerramento das Olimpíadas de Tóquio com sentimentos distintos. De um lado, a maioria da população, contrária à sua realização em um momento de escalada da Covid-19 no país. De outro, o comitê organizador, pelo sucesso esportivo do evento.

Segundo dados oficiais, houve 36 casos entre os 42 mil testes feitos na chegada dos estrangeiros nos aeroportos. Cerca de 570 mil foram realizados dentro do Japão durante as competições. Até este domingo (8), 436 tiveram resultados positivos para o coronavírus –286 de residentes e 150 de fora. Apenas 29 de atletas.

Houve uma escalada de casos de Covid no Japão durante os Jogos, mas não há dados que apontem vínculo com as Olimpíadas. E os diagnósticos positivos dentro da bolha olímpica foram baixos, levada em conta a proporção de pessoas envolvidas.

Na sexta-feira (6), o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, negou a relação entre o crescimento de casos no país com as Olimpíadas. “Não acho que os Jogos de Tóquio sejam as causas disso”, afirmou ele, que foi um dos que insistiram na realização do evento.

Antes de ver sua missão totalmente concluída, Tóquio também sediará as Paraolimpíadas, de 24 de agosto a 5 de setembro.

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