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Desfile de blindados é sinal de fraqueza e efeito internacional será desastroso, diz Jungmann

Evento, organizado pelo Ministério da Defesa, acontece na mesma semana da votação da PEC do voto impresso na Câmara

Folhapress Folhapress -
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Na avaliação do ex-ministro da Defesa e da Segurança Raul Jungmann, a realização nesta terça-feira (10) de um desfile de blindados em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, é um teatro promovido por Jair Bolsonaro na tentativa de demonstrar força, revelando na verdade a sua fraqueza.

O evento, organizado pelo Ministério da Defesa, acontece na mesma semana da votação da PEC do voto impresso na Câmara. Jungmann diz que já participou da chamada Operação Formosa, mas enquanto cerimônia fechada ao público.

“O presidente tenta com esse teatro criar a ilusão de que as Forças Armadas apoiam o seu constrangimento dos demais Poderes e ameaças. Não existe nada disso. As Forças Armadas estão de fato com a Constituição e não vão se afastar disso. E o presidente visa passar a impressão contrária”, afirma Jungmann à reportagem.

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Ainda assim, diz o ex-ministro, a medida terá efeito “triplamente desastroso”.

“Primeiro, porque vai ampliar a derrota do voto impresso na Câmara, que de forma alguma vai aceitar esse tipo de pressão. Segundo, o efeito desses fatos internacionalmente será desastroso, não tenho a menor sombra de dúvida. Terceiro, é uma manifestação não de força, mas de fraqueza, de ‘jus sperniandi’, de perdedor, que quer criar uma falsa impressão de que tem força para que não tem, que é tirar o Brasil dos trilhos democráticos”, afirma Jungmann.

De acordo com um comunicado da Marinha, o desfile marcará a entrega a Bolsonaro e ao ministro Walter Braga Netto (Defesa) de um convite para que as autoridades acompanhem, na próxima segunda-feira (16), um tradicional exercício da Marinha que ocorre desde 1988.

De acordo com a assessoria de comunicação da Defesa, trata-se de uma ação de divulgação do exercício. Segundo a Marinha, a Operação Formosa envolverá neste ano mais de 2.500 militares das três Forças -é a primeira edição que Exército e Aeronáutica participam.

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