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Guedes diz que se afastou de offshore e que o ‘resto é barulho, barulho e barulho’

Segundo ministro, offshore nas Ilhas Virgens Britânicas é legal e reforçou que se afastou da gestão da empresa antes de assumir o cargo no governo do presidente Jair Bolsonaro

Folhapress -
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 20-05-2021, 12h00: O ministro da Economia Paulo Guedes durante entrevista à Folha em seu gabinete. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

(FOLHAPRESS) – O ministro Paulo Guedes (Economia) se defendeu nesta sexta-feira (8) após a revelação de que ele mantém recursos em um paraíso fiscal.

Segundo o ministro, a offshore nas Ilhas Virgens Britânicas é legal, foi declarada, e reforçou que se afastou da gestão da empresa antes de assumir o cargo no governo do presidente Jair Bolsonaro.

“Não teve movimentação de trazer dinheiro do exterior, levar dinheiro para o exterior desde que coloquei dinheiro lá”, disse o ministro.

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Essa foi a primeira vez em que Guedes falou publicamente sobre o assunto, durante evento virtual do banco Itaú. O ministro não foi questionado sobre o tema, mas quis se pronunciar a respeito do caso.

Antes, ele havia se manifestado por meio de notas à imprensa e também pelos advogados.

O ministro negou haver conflito de interesse por causa do recursos no exterior. “O resto é barulho, barulho, barulho, e acho que isso vai piorar com a proximidade das eleições”, afirmou.

A existência dos investimentos de Guedes no exterior foi revelada no domingo (3) por veículos como a revista Piauí e o jornal El País, que participam do projeto do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, o ICIJ. Os documentos fazem parte da Pandora Papers, investigação sobre paraísos fiscais promovida pelo consórcio.

Segundo as reportagens, Guedes, sua esposa e sua filha são acionistas de uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, conhecido paraíso fiscal. Em 2015, ela tinha US$ 9,5 milhões (aproximadamente R$ 51 milhões, em valores atuais).

O principal ponto da defesa no caso da offshore é dizer que o ministro não ocupa o cargo de administrador da empresa Dreadnoughts, citada em reportagens da Pandora Papers, desde que assumiu o cargo no governo.

O ministro citou no evento do Itaú que se desfez de investimentos no Brasil antes de assumir o cargo no governo e isso lhe causou um prejuízo financeiro maior do que o valor da empresa no exterior.

Com o enfraquecimento político de Guedes, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (6) a convocação do ministro para explicar a existência de recursos dele em um paraíso fiscal.

Na quarta à noite, Guedes disse a jornalistas ao deixar o Ministério da Economia que estava tranquilo diante da convocação para se explicar na Câmara. “Tranquilo, supertranquilo”, afirmou.

Mesmo aliados do governo não pretendem tentar blindar o ministro. Deputados querem que Guedes se explique à Casa.

Além disso, ele deverá ser questionado sobre os rumos da política econômica e soluções para os principais problemas do país, como a inflação e o desemprego.

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