Goiás vai na contramão do Brasil e tem queda no número de casamentos homoafetivos

Especialista ouvida pelo Portal 6 aponta a “cultura tradicional” e machista da região pode ser um dos motivos que explique essa realidade

Augusto Araújo -
(Foto: Divulgação/ CNJ)

O medo de represálias, humilhações, demissões e agressões físicas pode ser a principal justificativa para a queda no número de casamentos homoafetivos em Goiás, na contramão do que vem ocorrendo no restante do país. Essa é a avaliação da socióloga Gabrielle Andrade.

O Portal 6 levantou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) que apontam que, entre 2015 e  2019, o volume de uniões matrimoniais entre casais do mesmo sexo caiu 40% no estado. Neste mesmo período, o país apresentou uma elevação de 58,9%.

Para a reportagem, a especialista explicou que a “cultura tradicional”, enraizada e machista da região é um fator que pode oprimir e desestimular essa faixa populacional.

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“Essa cultura reflete alguns valores que estão impregnados na sociedade. Houve uma ascensão de um discurso que machuca, oprime e expulsa as pessoas”, resume.

Para se ter ideia, em 2015 foram realizados 95 casamentos entre homens e o mesmo número entre mulheres. Já em 2019, último levantamento disponível, foram 58 uniões entre pessoas do sexo masculino e 77 do sexo feminino.

Ou seja, embora ainda em declínio, a queda foi menos abrupta entre o grupo de mulheres homoafetivas.

Gabrielle Andrade enxerga que isso pode ser explicado por uma falsa sensação de segurança, gerado pela disseminação da ideia do relacionamento lésbico como fetiche.

“Existe, dentro da sociedade, uma concepção de que o amor entre duas mulheres lésbicas é um produto para o deleite dos homens, algo que é vendido pela indústria da pornografia, telenovelas. Isso é uma violência psicológica pesada e muito perigosa”, argumentou.

Ranking nacional

Com a redução no número de casamentos homossexuais em Goiás, o estado vem perdendo posições.

No ranking nacional, o estado caiu do sétimo lugar para o 11º em relação aos casamentos masculinos.

Ao se tratar das uniões matrimoniais femininas, o estado saiu da 9ª colocação para a 13ª.

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