Fabiola Campillai, que ficou cega devido à repressão aos protestos no Chile, é eleita senadora

"Minha eleição é fruto de um voto de castigo à direita. Eles não nos representam, e ser escolhida senadora pelo povo é uma alegria muito grande." afirmou

Folhapress -
Ela tornou-se uma das cinco senadoras eleitas que representarão a capital Santiago no Congresso a partir de março de 2022. – (Reprodução/ Redes sociais)

SYLVIA COLOMBO
SANTIAGO, CHILE (FOLHAPRESS) – “Minha eleição é fruto de um voto de castigo à direita. Eles não nos representam, e ser escolhida senadora pelo povo é uma alegria muito grande. Há muito o que fazer a partir de amanhã, mas hoje vamos festejar”, afirmou Fabiola Campillai, 37, na noite deste domingo (21), após se tornar uma das cinco senadoras eleitas que representarão a capital Santiago no Congresso a partir de março de 2022.

Um dos rostos mais conhecidos das vítimas da repressão policial nas manifestações de 2019, Campillai perdeu a visão dos dois olhos enquanto esperava, junto com a irmã, um ônibus para ir ao trabalho.

Ela não era uma manifestante, mas mesmo assim foi alvo de um carabinero, que atirou na direção dela uma bomba de gás lacrimogêneo a uma distância de 50 metros. O artefato atingiu seu rosto a uma temperatura estimada de 200 ºC. Campillai caiu e ficou desacordada. Além da dor que viria a sentir por meses, ela se lembra de um outro agente gritando para o colega: “Bom tiro, acertou ela!”.

PublicidadePublicidade

Campillai perdeu a visão e massa encefálica. Por isso, perdeu também o paladar e o olfato. A agressão provocou, ainda, fraturas em vários ossos, um das razões para que ela passasse por mais de dez cirurgias. Mais de 400 pessoas sofreram lesões oculares durante os protestos há dois anos no Chile.

Antes de ser eleita de forma independente, Campillai, que apoiará Gabriel Boric no segundo turno contra o pinochetista José Antonio Kast, foi bombeira, trabalhou num centro comunitário e numa fábrica.

Nas horas livres, jogava futebol. Hoje, a mãe de três filhos não pode sair de casa sem que receba a ajuda de alguém. Vive no bairro pobre de San Bernardo e, há três meses, após um tratamento de reabilitação, foi reincorporada ao trabalho na fábrica numa função administrativa. Mas já havia se lançado na política.

O policial que a atacou foi afastado da corporação, mas apenas porque não prestou socorro. A ONG Anistia Internacional pediu ao Ministério Público chileno que realizasse investigações sobre o caso. No momento, o agente de segurança está sendo processado.

PublicidadePublicidade

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.