Biden aumenta pressão sobre Irã em meio a negociações de acordo nuclear

Segundo informações, Teerã não tem apresentado propostas construtivas e até recuou em pontos com os quais havia concordado anteriormente

Folhapress -
(Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos EUA, Joe Biden, aumentou a pressão sobre o Irã em meio às negociações para retomar o acordo que estabelece mecanismos de controle no programa nuclear de Teerã.

O secretário de Defesa, Lloyd Austin, afirmou nesta quinta-feira (9) que, se as políticas atuais relacionadas ao Irã falharem, Biden já deixou claro que os EUA estarão preparados para adotar outras opções. A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, por sua vez, também disse que o presidente pediu para sua equipe estar pronta caso o diálogo acabe sem sucesso.

“Se a diplomacia não evoluir logo e o programa nuclear do Irã continuar a acelerar”, alertou Psaki, “não teremos outra escolha a não ser adotar medidas adicionais para restringir ainda mais os setores de geração de receita do Irã.” A porta-voz destacou ainda que um caminho diplomático foi proposto e que “este caminho permanece aberto”.

A sétima rodada de negociações começou nesta quinta, em Viena, para salvar o pacto de 2015, abandonado pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump em 2018. Desde então, o Irã passou a violar o trato –o país afirma querer enriquecer urânio apenas para uso civil.

As conversas, retomadas na última semana após cinco meses suspensas devido à eleição do presidente linha-dura Ebrahim Raisi no Irã, ocorrem em meio a ceticismo generalizado. Diplomatas de Irã, Reino Unido, China, Alemanha, Rússia e França estão presentes, mas os diálogos no fundo são negociações indiretas entre Teerã e Washington, já que o país se recusa a se sentar à mesa com um emissário dos Estados Unidos.

O enviado especial dos EUA para o Irã, Robert Malley, disse à TV Al Jazeera nesta quinta que Washington já está preparado para negociar diretamente. Segundo ele, Teerã não tem apresentado propostas construtivas e até recuou em pontos com os quais havia concordado anteriormente, em rodadas anteriores.

Já o porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, afirmou ser preciso mais tempo para avaliar a postura da República Islâmica. “Provavelmente vão ser necessários mais alguns dias até que tenhamos um senso de onde os iranianos estão no contexto da retomada dessa rodada […] e a flexibilidade que eles podem ou não mostrar.”

Price buscou ainda rebater as críticas de que o Irã estaria ganhando tempo com as negociações para avançar no seu programa nuclear. “Temos sido muito claros que o Irã não será capaz de ganhar tempo, que os avanços nucleares e as provocações não terão qualquer influência a mais nessas negociações”, pontuou.

“A única coisa que essas provocações e avanços irão fazer é nos trazer mais perto de uma crise. E não estamos procurando por uma crise.”

Por sua vez, o negociador iraniano em Viena, Ali Bagheri Kani, sublinhou que o país segue nas negociações, baseando-se em suas posições anteriores. “Irã está comprometido em chegar a um acordo se o caminho for traçado”, disse após a retomada nesta quinta. “O fato que todos os lados querem que as negociações continuem mostra que todas as partes querem diminuir as diferenças.”

Em artigo publicado na Folha, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Hossein Amir-Abdullahian, defendeu que são os EUA que têm adotado posições extravagantes, atrapalhando a retomada do acordo.

Mas enquanto os enviados participavam em Viena da sexta rodada de negociação na última semana, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) divulgou que o Irã começou a enriquecer urânio com centrífugas avançadas mais eficientes.

Segundo a agência, o país passou a enriquecer urânio a 20% com 166 máquinas na planta de Fordow, incrustada em uma montanha. O acordo de 2015 não permite que o Irã enriqueça urânio neste local, um sinal de quão degradado está o tratado.

A nova produção é vista pelos negociadores ocidentais como uma forma de o Irã ganhar vantagem nas conversas. O time de negociações do país estabeleceu demandas que americanos e europeus consideram irreais, segundo representantes ocidentais. O Irã exige a suspensão de todas as sanções impostas pelos EUA e pela União Europeia desde 2017, incluindo as que não têm relação com seu programa nuclear.

A suspensão dessas medidas era algo previsto no acordo de 2015 em troca de limites rígidos ao programa nuclear de Teerã.

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