Doria e Leite iniciam corrida por candidatura com viagens, reuniões e fotos com aliados

Os dois estiveram em Brasília para reuniões com parlamentares tucanos e tiveram encontros com senadoras aliadas, alimentando especulações sobre as possíveis chapas

Folhapress -
Eduardo Leite e João Dória (Foto: Reprodução/Money Report)

(FOLHAPRESS) – Com o prazo para provar viabilidade eleitoral estabelecido para 18 de maio, João Doria (SP) e seu rival no PSDB, Eduardo Leite (RS), se ocuparam na primeira semana sem o cargo de governador em busca de apoio interno na empreitada de conquistar a candidatura ao Palácio do Planalto.

Os dois estiveram em Brasília para reuniões com parlamentares tucanos e tiveram encontros com senadoras aliadas, alimentando especulações sobre as possíveis chapas Doria e Eliziane Gama (Cidadania-MA) ou Leite e Simone Tebet (MDB-MS).

Tebet, assim como Doria, Leite e Sergio Moro (União Brasil), briga pela indicação da chamada terceira via -MDB, União e PSDB definiram que escolherão um candidato único até 18 de maio.

Os critérios ainda não estão estabelecidos. Já Eliziane se encaixa no papel de vice mulher que Doria busca, especialmente após a federação entre Cidadania e PSDB.

Doria, no entanto, foi além da articulação nos gabinetes e iniciou, na quinta-feira (7), seu giro pelo país na Bahia, onde visitou Salvador e Rio das Contas, cidade de origem da sua família paterna.

senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) com João Doria (PSDB) em Brasília Divulgação/PSDB A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) com João Doria (PSDB) em Brasília ** Leite deve planejar viagens pelo país nesta semana, ancorado na campanha de incentivar jovens a tirarem o título de eleitor.

No fim de semana, o gaúcho foi aos Estados Unidos para palestrar na Brazil Conference, evento de estudantes de Harvard e MIT. Doria foi sabatinado online no domingo (10).

Questionado se poderia ser apresentado como candidato à presidente, Leite respondeu: “Tô na pista pra negócio”. Mesmo após perder as prévias tucanas para Doria, o gaúcho renunciou ao cargo para tentar se cacifar para a candidatura ao Planalto.

Em sua viagem à Bahia, Doria afirmou, em entrevista à Rádio Metrópole, que Leite deveria ter grandeza para perder. “A grandeza para quando perder é respeitar quem ganhou”, disse.

Antes de ir à Bahia, usando a sede do PSDB em Brasília como QG, Doria recebeu os líderes do partido no Senado, Izalci Lucas (DF), e na Câmara, Adolfo Viana (BA), acompanhados dos deputados federais Nilson Pinto (PA) e Beto Pereira (MS).

O ex-governador paulista também se reuniu com o presidente do Cidadania, Roberto Freire.

Já em Salvador, Doria teve um jantar com ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo do estado, além de políticos e empresários. Foi uma importante sinalização ao paulista, com quem ACM chegou a romper politicamente no ano passado.

Entusiastas de Leite afirmam que ACM foi apenas cortês e que já demonstrou seu lado ao elogiar em entrevista à Veja a participação de Leite na construção da terceira via.

Em Brasília, Leite também esteve com Freire e com deputados e senadores do PSDB. Ele jantou com o quarteto que lhe dá sustentação na busca pela candidatura -Aécio Neves (MG), Tasso Jereissati (CE), José Aníbal (SP) e Pimenta da Veiga (MG).

Sua principal aparição pública na semana passada, porém, foi a visita ao gabinete de Tebet, a quem tinha acenado ao afirmar que ela tem toda condição de ser liderar a terceira via.

Após encontro com Leite, na quarta-feira (6), Tebet disse que gostou do fato de o gaúcho ter se apresentado como um “soldado”, sem pretensões pessoais de cargo. Ela lembrou, contudo, que Doria é o pré-candidato oficial do PSDB.

Aliados de Leite minimizam a ideia de que ele estaria focado em cavar um lugar na chapa da terceira via como vice, algo que Doria provavelmente não toparia. Os interlocutores do gaúcho dizem que ninguém faz campanha para ser vice e sim para ser cabeça, mas que é preciso mostrar disposição em ceder.

Por outro lado, mesmo tucanos simpáticos a Leite afirmam que, por ter perdido as prévias, ele não tem condição de assumir a cabeça de chapa. O ex-governador do Rio Grande do Sul insiste, porém, em pressionar o paulista pela desistência ou derrotá-lo na convenção eleitoral -hipótese vista como legalmente inviável para aliados de Doria.

O argumento dos tucanos pró-Leite é o de que ele tem apoio em estados importantes e pode crescer por ser menos rejeitado -14% contra 30% de rejeição, segundo o Datafolha. Leite tem o aval da direção do PSDB para buscar sua candidatura, especialmente após a ameaça de recuo de Doria que ameaçou implodir o partido.

De outro lado, Doria já tem a estrutura do PSDB, o financiamento garantido e o plano traçado para popularizar sua imagem.

Ele está amparado na vitória das prévias e na carta do presidente do PSDB, Bruno Araújo, atestando que ele é o candidato. Como mostrou a Folha, o papel não impediu que a ala de Leite o lançasse em campanha.

Líderes e dirigentes da terceira via têm mantido diálogo com um e com outro, mas há uma pressão para que o PSDB resolva a questão internamente e se unifique em torno de um nome -em vez de esperar que os partidos aliados escolham o paulista ou o gaúcho como candidato.

Emedebistas e integrantes da União Brasil apontam, por exemplo, que tanto Doria quanto Leite perdem competitividade no jogo da terceira via porque têm contra si alas do próprio partido.

Nesse sentido, o MDB sustenta que Tebet é uma candidatura menos problemática, ignorando que boa parte do partido quer apoiar Lula (PT) no primeiro turno.

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