Carnaval de rua organiza programação independente em São Paulo

Sem apoio da prefeitura, organizadores utilizam grupos de mensagens para definir listas de horários e locais dos cortejos

Folhapress -
SÃO PAULO/SP, BRASIL, 26.02.2022. Bloco de improvisado na praça Olavo Bilac, na região da Santa Cecília. (Foto. Zanone Fraissat/Folhapress)

(FOLHAPRESS) – Parte dos blocos de Carnaval tem organizado uma programação independente para sair às ruas em São Paulo durante o feriado de Tiradentes, apesar do cancelamento do calendário oficial.

Sem apoio da prefeitura, que afirma não ter tempo hábil para estruturar os desfiles, organizadores utilizam grupos de mensagens para definir listas de horários e locais dos cortejos.

Por enquanto, poucos blocos divulgam abertamente a programação, caso do bloco Feminista, que vai sair na sexta-feira (22) e, para isso, está fazendo uma vaquinha online para arrecadar R$ 7.500, referente ao custo do cortejo.
Outro que já declarou que vai sair é o bloco do Fuá, programado para tarde de sábado (23), no Bexiga, na região central. “Temos o direito à livre manifestação, as ruas são do povo”, diz Marco Ribeiro, organizador do bloco do Fuá. “Somos um bloco comunitário e sairemos com uma pequena estrutura de som e bateria.”

Em posts nas redes sociais, o Te Pego no Cantinho marcou o cortejo para domingo (24), no Butantã, na zona oeste. O Unidos do Swing anunciou cortejo para o mesmo dia na avenida Paulista.

A programação não oficial está em contato com vendedores ambulantes para evitarem a venda de bebidas em garrafas e também com coletivos de catadores de materiais recicláveis.

A divulgação das datas e locais não estão sendo divulgadas nas redes sociais para evitar reações da prefeitura. Por isso, informações sobre as festas de rua devem se concentrar em listas de transmissão de WhatsApp.
Em nota, a prefeitura afirmou que “está empenhada em encontrar uma data consensual com tempo hábil para planejar o evento” e reiterou que o Carnaval de rua exige planejamento extenso, o que inclui alterações no trânsito e no transporte público, infraestrutura, policiamento e serviços médicos.

“É impossível realizar o Carnaval de rua sem um grande esforço de organização, que garanta a segurança dos participantes e dos foliões”, disse a gestão municipal na nota.

Os blocos recorreram à Defensoria Pública para obter respaldo jurídico e evitar dispersões violentas e demais sanções do poder público.

No último dia 12, o órgão formalizou pedido para que a prefeitura e o comando da Polícia Militar não usem força para dispersar os blocos que desfilarem durante o feriado de Tiradentes.​

A prefeitura afirmou não ter sido notificada sobre o ofício e não comentou o pedido. A Secretaria de Segurança Pública deu a mesma resposta.

O feriado de Tiradentes se tornou a data oficial do Carnaval atípico após dois anos de pandemia porque coincide com a data dos desfiles das escolas de samba no sambódromo.

Para os organizadores, o Carnaval de rua representa uma manifestação cultural, garantida pela Constituição Federal, e por isso, não precisa de uma autorização formal da prefeitura para ocorrer.

O decreto que passou a regulamentar o Carnaval de rua em São Paulo foi publicado em 2017, quando o ex-prefeito João Doria (PSDB) decidiu dispersar pela cidade os cortejos que se concentravam na Vila Madalena e em Pinheiros.
Moradores desses bairros se mobilizaram contra os problemas decorrentes da festa nas ruas, como excesso de lixo, barulho na madrugada, furtos e dificuldade na dispersão do público. Policiais militares usaram bombas de efeito moral para dispersar foliões que se recusavam a deixar as ruas.

Dois anos depois o decreto foi revogado pelo ex-prefeito Bruno Covas (PSDB), que determinou as regras atuais do Carnaval de rua.

Neste ano, os blocos e a prefeitura estão diante de um impasse. Uma reunião realizada no último dia 8 de abril no CCSP (Centro Cultural de São Paulo) terminou de forma agitada e sem acordo entre as partes.
De um lado, a gestão municipal reiterou que não há tempo hábil para organizar a festa de rua. De outro, representantes de blocos afirmaram que os cortejos, em menor quantidade, estão mantidos mesmo sem apoio da prefeitura.

Além do bloco do Fuá, a reportagem entrou em contato com outros dez blocos de rua de São Paulo. A maioria informou que optou por não ir para a rua neste feriado, caso do Ritaleena, Esfarrapado, Galo da Madrugada, Bloco do Sargento Pimenta, Cecílias e Buarques e o Meu Santo É Pop.

Outros, apesar de não saírem às ruas, aproveitam a movimentação para anunciar festas fechadas marcadas para o feriado e para outras datas, como o Minhoqueens, Domingo Ela Não Vai e o Tarado Ni Você.
O bloco Jegue Elétrico e o Charanga do França sinalizaram a intenção de sair às ruas, mas devem decidir isso nos próximos dias, segundo os organizadores.

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