Lojas fazem malabarismo para segurar preço no Dia das Mães

"Tivemos um aumento dos custos com matéria-prima, logística e frete no último ano. Mas nosso negócio é oferecer moda a preços competitivos", diz o vice-presidente de vendas da C&A

Folhapress -
Sao Paulo, SP, BRASIL, 10-06-2020: Reabertura gradual do comercio em Sao Paulo. As 11h com clientes aguardando na porta, funcionario abre loja de tecidos Sao Jorge na rua 25 de marco no primeiro dia de reabertura gradual do comercio (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

(FOLHAPRESS) – O Dia das Mães já não é mais o mesmo. De segunda data mais importante para o varejo nacional, só depois do Natal, a efeméride perdeu a vice-liderança nos últimos anos para a Black Friday, em novembro.

Isso não significa que os filhos, de maneira geral, estejam negligenciando a data, mas eles têm se mostrado menos animados a gastar muito. Aliado a esse comportamento, está a atual inflação em dois dígitos: dado mais recente do IPCA-15 mostrou uma alta acumulada de 12,03% em 12 meses, a maior desde novembro de 2003.

Daí o “malabarismo” de alguns varejistas e indústrias para tentar manter na comemoração deste ano o mesmo “preço de entrada” do ano passado: as opções mais baratas de presentes começam no mesmo patamar.

São os casos das bijuterias e acessórios Morana (R$ 39,90), da perfumaria L’Occitane (R$ 39,90) e da varejista de moda C&A (jeans a R$ 89,90). Para isso, vale diminuir um pouco a margem de lucro, renegociar insumos com fornecedores e até buscar matéria-prima na China.

“Tivemos um aumento dos custos com matéria-prima, logística e frete no último ano. Mas nosso negócio é oferecer moda a preços competitivos”, diz o vice-presidente de vendas da C&A, Francislei Donatti. Segundo ele, a empresa foi atrás de tecelagens para uma negociação direta, a fim de trazer tecidos de fornecedores asiáticos para abastecer as confecções parceiras da marca no Brasil.

“Com isso, conseguimos adaptar nossos custos para este novo cenário e pudemos colocar jeans à venda, por exemplo, ao preço final de R$ 89,90, o mesmo do ano passado”, afirma. O mesmo tipo de negociação envolveu malharias, o que permitiu este ano a oferta de blusas a partir de R$ 20.

‘Filho quer preço baixo, mas também olha relação custo-benefício’ Segundo Donatti, apesar a preocupação de manter preços competitivos, a varejista tem observado uma procura por produtos com melhor relação custo-benefício -e não necessariamente os mais baratos.

“São peças versáteis, que podem combinar facilmente com outros itens do guarda-roupa, e também peças de alfaiataria, que são mais clássicas e, portanto, com maior vida útil”, afirma. No caso das peças de alfaiataria, o ticket médio fica acima dos R$ 200.

Outra tendência observada pela varejista é a procura por cores -algo que não é comum quando se trata da atual coleção outono-inverno, que costuma apresentar tons mais sóbrios. “Nossas peças coloridas [azul, lilás, rosa, roxo] têm saído bem. Acho que é uma reação ao período de quarentena, as pessoas querem expressar alegria.”

Na rede de bijuterias e acessórios Morana, com cerca de 280 lojas no país, a regra também foi respeitar o momento de aperto do bolso do consumidor e manter o preço de entrada da campanha de Dia das Mães do ano passado: R$ 39,90. São pulseiras, brincos e colares a partir deste valor.

“Nós decidimos que era preciso entregar um bom sortimento no mesmo preço inicial do ano passado, senão o consumidor nem entra na loja”, diz Danilo Assumpção, diretor executivo do grupo Ornatus, que controla as redes de acessórios Morana e Balonê.

“O item mais barato é importante para atrair o comprador, que muitas vezes, no caso do Dia das Mães, acaba levando um presente de maior valor agregado”, afirma. Neste caso, o item de R$ 39,90 funciona como chamariz ou pode compor o presente mais caro com outra peça, diz.

Todas as peças da rede recebem um banho de ródio, que inibe processos alérgicos e aumenta a durabilidade. “O preço da matéria-prima também subiu e nossa alternativa foi diminuir a margem de lucro em algumas peças, ganhando em peças mais caras, de até R$ 400, e também fazer composições diferentes com pedrarias, para garantir um preço final competitivo”, afirma Assumpção.

A campanha da marca é estrelada pela apresentadora Ticiane Pinheiro e sua mãe, Helô Pinheiro.

Já na perfumaria L’Occitane au Brésil, com cerca de 200 pontos de venda no país, a escolha para manter presentes a preços baixos na campanha de Dia das Mães deste ano foi a renegociação com fornecedores, segundo André Abramo, diretor de comunicação da marca. A campanha é estrelada por Déa Lúcia, mãe do ator Paulo Gustavo, morto no ano passado em decorrência da Covid-19.

“Tentamos montar composições para sermos competitivos assim como no ano passado, com kits de cremes de mão e sabonete, por exemplo, a R$ 39,90”, diz o executivo. Muitas vezes, segundo ele, essas lembrancinhas são dedicadas a outras mães -sogras, professoras, amigas etc. “Mas a própria mãe costuma ganhar presentes de ticket médio maior”, diz Abramo.

Desconto na compra de carne pelo aplicativo e de eletroeletrônico pelo Pix Quem estiver disposto a oferecer um churrasco no Dia das Mães, pode aproveitar a campanha da marca Bassi, do grupo Marfrig, que está oferecendo desconto de R$ 40 a quem gastar pelo menos R$ 300 no aplicativo nesta semana.

Na rede de lojas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos Fast Shop, com 86 pontos de venda no país, a expectativa é de um ticket médio de R$ 2.200, uma alta de 22% sobre o ano anterior (sem descontar a inflação).

“Apostamos no Pix, que oferece ainda mais descontos, mesmo em produtos com oferta, e acaba sendo vantajoso tanto para a loja quanto para os clientes”, diz Eduardo Salem, diretor geral de operações da Fast Shop. No Pix , o desconto costuma superar os 5%.

Entre os produtos com maior desconto este ano, estão os itens de informática, como webcams, mochilas e notebooks.
Para o Dia das Mães deste ano, a LG lançou uma promoção para a loja online, que concede desconto de 5% na primeira compra, opção de parcelamento em até 12 vezes sem juros e frete grátis.

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