China eleva gasto militar e reitera ‘reunificação pacífica’ com Taiwan

Orçamento militar de 2023 deve atingir 1,55 trilhões de yuans, equivalentes a US$ 255 bilhões

Folhapress Folhapress -
Primeiro-ministro Li Keqiang. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

NELSON DE SÁ

TAIPÉ, TAIWAN (FOLHAPRESS) – O primeiro-ministro Li Keqiang, na abertura do Congresso Nacional do Povo, evento legislativo anual na China também conhecido como Duas Sessões, anunciou um aumento de 7,2% no orçamento militar do país para este ano.

É um percentual ligeiramente superior à média histórica desde os anos 1990, de 6,6%, e o maior desde 2019, antes da pandemia. No ano passado, o acréscimo havia sido de 7,1%.

O orçamento militar de 2023 deve atingir 1,55 trilhões de yuans, equivalentes a US$ 255 bilhões. O orçamento militar dos Estados Unidos para este ano é de US$ 773 bilhões.

“Nossas forças devem intensificar o treinamento e a preparação em todos os níveis e desenvolver novas orientações estratégicas”, disse Li, citando o centenário do Exército Popular de Libertação, a ser comemorado daqui a quatro anos.

Paralelamente, o orçamento diplomático da China deve crescer 12,2% neste ano, contra um acréscimo de 2,4% no ano passado.

Em relação a Taiwan, um dos focos de tensão militar com os EUA ao lado do Mar do Sul da China, o premiê adotou retórica semelhante àquela que havia usado do ano anterior, enfatizando a “reunificação pacífica” com a ilha.

“Devemos promover o desenvolvimento pacífico das relações através do estreito”, afirmou, acrescentando que o governo chinês adotou, ao longo do ano passado, “medidas resolutas para se opor à independência de Taiwan”.

O Conselho de Assuntos do Continente, do governo de Taiwan, reagiu dizendo que Pequim deve “respeitar o compromisso do povo taiwanês com os conceitos centrais de manter a soberania, a democracia e a liberdade da República da China”, seu nome oficial.

Foi o último pronunciamento de Li Keqiang no cargo, que deve passar para Li Qiang, mais próximo do líder Xi Jinping, ao final das Duas Sessões, no próximo dia 15.

Li dedicou três quartos do discurso aos seus cinco anos como primeiro-ministro e só um quarto aos planos para 2023 –o oposto do que havia feito no ano passado. Antes de apresentá-lo, curvou-se longamente diante do congresso.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.