Gari de Goiânia estudante da UFG é destaque no combate ao racismo e no rap
Maicon concilia todas as atividades ainda com as atribuições de pai de um casal de três e um ano
Maicon Barbosa Neres, conhecido no meio rapper como MaLik Lion, é um gari da prefeitura da Goiânia que se destaca não só no cenário artístico mas na luta contra o racismo. Aos 33 anos, ele conseguiu ingressar no curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás (UFG) e busca levar os aprendizados que recebe para o ambiente onde convive.
“Cresci na igreja e lá eu aprendi a cantar. Eu nunca havia me reconhecido como homem negro, e quando eu conheci o rap eu descobri isso. Me tornei então um defensor do movimento negro, na luta contra o racismo”, expressou.
Em entrevista ao Portal 6, ele revelou que trabalha na Comurg há 12 anos, higienizando fontes d’água e realizando manutenções no Clube do Povo – mas também que viveu momentos difíceis durante a adolescência.
- Designer goiana chama atenção nas redes com casamento supercolorido em estilo aquarela: “queríamos fugir do óbvio”
- Estudantes de Anápolis se tornam campeões mundiais de vôlei após campeonato na Hungria
- Ele tinha 13 anos quando começou na fábrica da família. Hoje comanda uma das maiores marcas country do país
“Meu irmão morreu no crime, com 16 anos de idade. Isso aflorou em mim uma grande necessidade de mostrar as razões que criavam nossa realidade, com a morte dos jovens e a presença das drogas nas comunidades”, expressou.
Assim, ele passou a se dedicar a conscientizar e lutar ativamente pela população periférica e negra. Ganhou força e começou a acreditar em um sonho antigo, a graduação.
Conciliando o trabalho pela prefeitura e as atribuições de pai, cuidando do filho Robert Karin, de oito anos, e da filha Wirá Oluara, de um ano, conseguiu ser aprovado no vestibular da federal.
Ele foi até convidado para participar de um ensaio fotográfico e falar sobre a luta antirracista, pelo Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, que ocorre dia 03 de julho. Maicon ressalta que, apesar do data ser importante, o movimento de conscientização deve se estender para o resto do ano.








